EUA – Exportações Agrícolas perdem o barco
Exportações/EUA – As exportações agrícolas dos Estados Unidos da América (EUA) perdem o barco em decorrência da desordem mundial da cadeia de suprimentos.

Se o comércio mundial fosse um esporte olímpico, os EUA teriam perdido esta última competição por mais de uma milha. Na verdade, perderam por mais de um trilhão – um trilhão de dólares, ou seja, o déficit comercial dos EUA subiu para US$ 1,08 trilhão em 2021. A primeira vez na história que o déficit comercial ultrapassou US$ 1 trilhão.
Os economistas atribuem o fato aos trilhões de dólares em estímulos governamentais que alimentam o frenesi de compra entre os consumidores domésticos. Mas isso é apenas parte da história, e a agricultura está envolvida neste enredo muito complicado.
A agricultura torna-se uma vítima involuntária – já que as consequências da pandemia adicionam outros obstáculos à realidade em que vivemos. Uma das razões para o déficit são consumidores queimando dinheiro subsidiado pelo governo em produtos “Made in China”. Um outro motivo é o retorno vazio dos navios que trazem os produtos chineses e de outros países do Pacífico, deixando as mercadorias de exportação nos portos norte-americanos.
Isso significa que a produção dos EUA não saiu do cais por mais um dia, ou semana, ou até que se tornasse inútil em alguns casos, ou o comprador encontrasse outro fornecedor.
Bilhões de dólares em produtos agrícolas dos EUA não saíram dos portos no ano passado, e o problema parece não estar resolvido para este ano. Uma pesquisa informal da Coalizão de Transportadores de Produtos Agrícolas, que representa os exportadores, descobriu que 22% das exportações agrícolas foram perdidas em decorrência de problemas com transporte.
A Federação Nacional dos Produtores de Leite (NMPF, sigla em inglês) estima em US$ 1 bilhão os custos com a disruptura nos embarques de produtos lácteos pelos exportadores em 2021. De acordo com a entidade, 72% dos contêineres deixaram os portos da Califórnia vazios. Isso é um recorde.
Laprino Foods, o fornecedor de ingredientes lácteos com sede em Denver, Colorado, relatou que os gastos com contêineres refrigerados para queijo custaram US$ 25 milhões a mais no ano passado. Mike Durkin, CEO da Leprino, em seu depoimento ao Comitê de Agricultura em novembro, declarou que as repercussões pela não entrega de produtos agrícolas exportados pelos EUA aos seus clientes terão graves consequências de longo prazo.
“A crise de exportação pode resultar em danos irreparáveis ao setor agropecuário norte-americano, já que os clientes de todo o mundo questionam a confiabilidade que se pode ter nas indústrias de laticínios dos EUA, como fornecedores”, disse Durkin.
Como entramos nessa confusão, e mais importante, como sairmos? Culpar a pandemia de Covid-19 seria simplificar a questão, e é um argumento já desgastado em todo o planeta. A realidade é que estamos em uma tempestade perfeita de eventos adversos, falta de recursos, más políticas governamentais e ganância. É um desastre na cadeia de suprimentos que continua prejudicando uma verdadeira recuperação econômica, especialmente na agropecuária.
No epicentro dessa tragédia está o porto de embarque do sul da Califórnia, conhecido como o porto de Los Angeles. No início de janeiro, mais de 109 navios estavam lotados no mar esperando para descarregar. A maioria terá deixado o porto vazio.
O governo, certamente, não tem todas as respostas. Mas, deveria procurar soluções quando se trata de comércio internacional e trabalhar para garantir operações justas.
São muitas as questões nessa teia da cadeia de suprimentos. E é um jogo que não podemos perder, e perderemos, se algo não mudar rapidamente.
















