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Especiais Selectus nº 6304

Argentina – Quanto aumentou o preço do leite da fazenda ao consumidor?

Cadeia láctea/AR – O leite é a produção agropecuária mais difícil e exige atenção 365 dias do ano. Radiografia do preço do leite.

Fonte: Fonte: Portalechero – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Imagem de Mônica Rocha Mô por Pixabay
Argentina – Quanto aumentou o preço do leite da fazenda ao consumidor?

Uma dúvida que chega no café da manhã é entender o preço do leite. Milhares de fazendas na Argentina têm um cuidado especial com seus rebanhos, investem em genética, pastagens e tecnologia. Diferentes rebanhos leiteiros de diversas estratégias sanitárias e de alimentação confluem em padrões industriais ao longo da geografia do país e, o consumidor – distraído – não percebe que o leite “tem o mesmo gosto”.

O valor do leite integral, em média, é dividido entre o produtor (35,2%), indústria (33,2%), comércio (5,6%) e impostos (26%). Ocorre que 89,2% do preço corresponde a custos. Adicionando os 26% de impostos haverá um resultado de -15,2%, que são as perdas da cadeia. 

Ao analisar a embalagem de leite, ela contém uma situação crítica em todos os elos: na fazenda, onde não se cobrem os gastos, a indústria e o comércio com preços tabelados, gerando perdas econômicas. 

O valor do leite é multiplicado por 2,8 no caminho do campo até a gôndola do supermercado. O milho, um insumo, representa 18,4% do valor do leite cru – na fazenda – e 6,6% sobre o valor final. Dos impostos pagos pela cadeia, 77,6% são nacionais; 17,8% das províncias e 4,6% dos municípios. O Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) representa 67% de todos os impostos.

Argentina – Quanto aumentou o preço do leite da fazenda ao consumidor?

Por ser um alimento de primeira necessidade e ter controle contínuo por parte do Governo, os laticínios subiram 8% e os alimentos 23,8%, enquanto que a inflação subiu 21,6% e o câmbio 24%. Isto mostra a defasagem do preço do leite, em comparação com outros produtos da cesta de alimentos e da própria inflação. Este efeito pode estar relacionado, em parte, com o Programa de Preços Máximos, onde produtos como o leite, estão com os preços controlados, impactando negativamente em toda a cadeia, por criar uma defasagem entre os preços e os custos.

Quando se analisam os impostos, mais da metade são nacionais, enquanto que as províncias recebem 18% e os municípios 5%. Estes valores são similares aos obtidos antes da compensação do IVA no ano de 2020.

Neste caso, a renda é uma das baixas dada a rentabilidade muito baixa ou nula em todo o setor. Os consumidores pagam 21% de IVA sobre o leite, quando deveria estar isento por lei. O problema reside na lei que estabelece a isenção para o leite pasteurizado, um produto que quase não é produzido e nem consumido. O leite que se produz e consome atualmente é o Ultrapasteurizado (UHT), que não é isento. Num contexto onde 42% da população é pobre e 57% das crianças menores de 15 anos também o são, deveria ser fundamental melhorar o acesso a alimentos de primeira necessidade com políticas que não gerem distorções no sistema produtivo e seja coerente com o tratamento dado a outros alimentos, tomando como exemplo a carne e o pão, cuja alíquota é de 10,5%. É preciso levar em conta que o IVA é um imposto regressivo, ou seja, que toda a população paga, independentemente da renda que tenha.

Outra forma de mostrar como se compõe é através da participação de cada elo no final. Levando em conta os custos de produção e o resultado econômico de cada ator, é possível calcular a participação de cada um.

Ao comparar os resultados de fevereiro de 2021 com agosto de 2020, observa-se mudanças: o produtor aumentou quase 5% de sua participação no preço final, resultado do reajuste de 30% no preço do leite cru, que ainda assim foi insuficiente diante do aumento dos custos e insumos de produção, mantendo a margem do produtor negativa, em torno de -1,95 pesos por litro. A participação da indústria caiu 6% no período. Assim, se vê claramente a defasagem preço/custo, já que a compressão sobre a indústria tabelou o aumento em 7% enquanto os da produção foi em média 16% nos últimos 6 meses. Este efeito pode ser explicado pela intenção de conter o aumento de preços no meio da cadeia.  

No caso do comércio, ressalta uma perda em torno de 10 pesos por litro. Sem dúvida, deve-se lembrar que o leite é um produto de primeira necessidade, um bem de reclamo para o consumo de massa, compensando ditas perdas com outros produtos da cadeia láctea. Assim, a estratégia do comércio é que alguns produtos proporcionam maiores ganhos e outros menos.

Voltando ao estágio de referência, a indústria, que compra o litro de leite cru por 24,20 pesos, tem custos de 20,39 pesos por litro, e paga 2,06 pesos de impostos, obtendo o resultado de 1,94 pesos por litro. Conforme tabelado, a indústria vende o leite a 48,59 pesos o litro.

O comércio compra pelo valor da indústria e inclui outros custos operacionais de 14,02 pesos por litro e paga 3,25 pesos de impostos, e o IVA de 11,68, que terminará com um resultado negativo de -10,24 pesos por litro de leite vendido, já que o preço final na gôndola é de 67,31 pesos.

O leite é multiplicado 2,8 vezes da fazenda ao consumidor final.

Em síntese, o preço do leite na saída da indústria e no comércio tiveram aumento abaixo da inflação, entre 9% e 14% de diferença, com os custos que acompanharam a linha inflacionária. No caso da fazenda, está ocorrendo aumentos mensais que oscilam entre 4% e 6% desde novembro de 2020, e ditos aumentos não conseguem recompor a situação do setor, já que existem aumentos simultâneos de insumos chaves.

Quando se analisa a variação anual, o leite novamente voltou a perder da inflação e do câmbio, em todos os elos que compõem a cadeia.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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