Os preços mundiais dos alimentos atingem seu maior nível desde julho de 2011
Índices FAO – O barômetro dos preços mundiais dos alimentos subiu novamente, atingindo seu mais alto nível desde julho de 2011, disse hoje a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

O Índice FAO dos alimentos, que acompanha a evolução mensal das cotações internacionais de uma cesta de alimentos, chegou em 133,2 pontos em outubro, 3% (ou 3,9 pontos) mais que no mês de setembro. É a terceira alta mensal consecutiva do Índice.
Uma produção recorde de cereais em 2021, mas os estoques deverão cair
Apesar da produção mundial recorde prevista para 2021, deverá haver contração nos estoques mundiais de cereais na campanha 2021-2022, de acordo com as novas previsões do Boletim FAO sobre a oferta e a demanda de cereais, publicado no dia 04 de novembro de 2021.
As previsões referentes à produção mundial de cereais em 2021 estão agora em 2.793 milhões de toneladas, ou seja, um recuo de 6,7 milhões de toneladas em relação ao relatório de outubro atribuído, principalmente, às estimativas relacionadas à produção de trigo nos EUA, na República Islâmica do Irã e na Turquia. Em compensação, as previsões relativas à produção mundial de cereais secundários foram revistas para mais. A elevação das previsões na produção se explica pelos maiores rendimentos previstos no Brasil e na Índia, e também melhores perspectivas em muitos países da África Ocidental. Em relação ao ano anterior, a produção mundial de cereais será maior, atingindo um novo nível recorde.
Estimado em 2.812 milhões de toneladas, o consumo total de cereais em 2021-2022 representará crescimento de 1,7% em relação ao volume previsto para 2020-2021, principalmente em decorrência do alto consumo alimentar mundial de trigo, que irá no mesmo ritmo do aumento demográfico. A alta prevista de utilização de milho para alimentação animal e para fins industriais deverá, igualmente, contribuir para atingir o aumento anual.
Assim, os estoques mundiais de cereais no encerramento da campanha de 2022 cairá 0,8% em relação ao nível de abertura, totalizando 819 milhões de toneladas. A relação estoque/consumo de cereais ao nível mundial passará de 29,4% em 2020-2021 para 28,5% em 2021-2022, um nível ainda mundialmente satisfatório.
Índices
O Índice FAO dos preços dos cereais subiu 3,2% em relação ao mês precedente. Os preços mundiais do trigo aumentaram 5% dentro de um contexto de disponibilidades mundiais apertadas em decorrência da baixa colheita nos principais países exportadores, principalmente Canadá, Estados Unidos da América (EUA) e Rússia. Os preços internacionais de todos os outros principais cereais também aumentaram em relação ao mês anterior.

O Índice FAO de óleos vegetais saltou 9,6% em outubro, o maior valor histórico. Essa alta é consequência do fortalecimento das cotações dos óleos de palma, soja, girassol e colza. O óleo de palma teve sua quarta alta mensal consecutiva, em outubro, grandemente em decorrência da persistente projeção da produção limitada na Malásia onde faltam trabalhadores imigrantes.
O Índice FAO de carne caiu 0,7% em relação ao seu valor revisado de setembro, registrando assim, o terceiro recuo mensal consecutivo. As cotações internacionais da carne suína e bovina caíram, respectivamente em decorrência da diminuição das compras da China e um forte recuo nas cotações das ofertas procedentes do Brasil. Em compensação, os preços da carne de aves e de ovinos aumentaram, diante da forte demanda mundial e o fraco crescimento da produção.
O índice FAO dos preços de açúcar perdeu 1,8% em relação a setembro, o que marca a primeira queda depois de seis meses consecutivos de alta. Essa baixa foi atribuída, principalmente, pela demanda mundial limitada e pelas perspectivas de disponibilidades exportáveis abundantes na Índia e Tailândia, bem como pela depreciação do real brasileiro em relação ao dólar dos EUA.

Índice FAO dos Preços dos Lácteos
O Índice FAO dos preços dos produtos lácteos ganhou 2,6 pontos de setembro para outubro, impulsionado pela forte demanda global de importação de manteiga, leite em pó desnatado e leite em pó integral, devido aos esforços feitos pelos compradores para encontrar disponibilidades para recompor os estoques, Os preços dos queijos permaneceram praticamente estáveis, já que a oferta dos principais países produtores foi suficiente para atender à demanda global de importação.
O Índice FAO dos preços dos produtos lácteos chegou a 120,7 pontos em outubro, alta de 2,2% em relação ao mês anterior, e 16,2 pontos (15,5%) acima do índice registrado no mesmo mês do ano passado. Em outubro os preços internacionais da manteiga, do leite em pó desnatado e do leite em pó integral subiram fortemente pelo segundo mês consecutivo, sob o efeito da forte demanda. A queda sazonal da oferta, os baixos estoques na Europa e o início mais lento do que o previsto da nova temporada de produção na Oceania também sustentaram os preços mundiais do leite.

















