É bom saber: A ação global para liquidação do setor pecuário começou a ser implementada
Metano & Pecuária – As autoridades dos Estados Unidos da América (EUA) e União Europeia (UE) acabam de colocar a pedra fundamental de uma série de políticas destinadas a destruir o setor pecuário. O nome pode confundir um pouco porque a ação em questão foi batizada como “Compromisso Global de Metano” (Global Methane Pledge) e pretende reduzir as emissões de metano em pelo menos 30% até 2030, em relação aos níveis existentes em 2020.
Tal como explicamos, foi divulgado recentemente por Bichos de Campo, a iniciativa representa um enorme risco para todas as nações de base pecuária porque, no momento de contabilizar as emissões de gases de efeito estufa (GEE), o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sua sigla em inglês)o considera que uma molécula de metano (CH4) é ´equivalente a 28 moléculas de dióxido de carbono (CO2).
Ainda que existam abundantes evidências científicas indicando que o metano emitido por bovinos forma parte de um ciclo natural que se recicla no ambiente, o padrão estabelecido pelo IPCC considera que os arrotos do gado – fonte da emissão de CH4 – são tão ou mais perigosos que as emissões de origem fóssil, que permanecem na atmosfera durante séculos e, portanto, são acumulativas e contribuem assim para ser o principal impulsionador das mudanças climáticas.
Um vídeo explica claramente porque o metano gerado por bovinos é parte de um ciclo natural que não é comparável às emissões de origem fóssil. Vídeo (https://youtu.be/Ko6bJmXGft0
O impacto da pecuária nas mudanças climáticas seria muito diferente se as emissões realizadas por bovinos fossem contabilizadas da maneira correta, dado que atualmente – conforme explicam cientistas da Universidade da Califórnia em Davis – estão comparando “peras com maçãs”.
Ou seja, devido aos caprichosos padrões do IPCC, as nações pecuaristas começaram a jogar a partida das mudanças climáticas com oito titulares, em vez de onze. Tem todas as chances de perder.
O comunicado oficial da UE destaca que 103 países já firmaram o “Compromisso Global de Metano” e que as mesmas representam 70% da economia mundial. Parece contundente. Mas o fato central, e que não pode ser ignorado, é que Índia, China, Rússia e Austrália não firmaram o “compromisso” nem o farão. A razão atrás dessa decisão não é um mistério: trata-se dos países com os maiores rebanhos bovinos.

O governo australiano denunciou a ação sem rodeios ao afirmar que “atualmente quase 50% das emissões anuais de metano da Austrália são procedentes do setor agropecuário, e que não existe uma forma exequível, prática e de grande escala para reduzir a não ser sacrificando o tamanho dos rebanhos”. Então? Muito claro: o objetivo atrás do “compromisso” é “o fim da indústria da carne bovina”.
Quando se observa que a UE está organizando uma estrutura burocrática para impor no futuro "tarifas de carbono”, então é preciso advertir que a meta final do plano provavelmente, será transformar a carne bovina em um produto de acesso restrito que somente poderá ser consumida por milionários.
A Índia, o país que encabeça a lista, considera que as vacas são sagradas e, portanto, não somente proíbe o sacrifício, mas também os maus tratos. A China não pode prescindir de uma só cabeça de gado porque tem um enorme déficit de produção de proteínas que deve ser coberto com crescentes importações. A Rússia já tem regulamentos suficientes para a indústria de hidrocarbonetos cumprir (ou que deveria cumprir) e que cria um outro problema: coloca em risco sua segurança alimentar.
EUA, UE e Canadá – os três signatários do “Compromisso Global de Metano” – apesar de contarem com importantes rebanhos bovinos, dispõem de muitos outros setores econômicos com capacidade para compensar as emissões geradas pelos bovinos e, não menos importante, EUA e UE têm em mãos a “máquina” para fabricar dólares e euros que permitem financiar soluções tecnológicas ou comprar créditos de carbono. Têm, de alguma forma, a “vaca amarrada”.
O Brasil, por sua parte, aceitou firmar o “compromisso” porque planejar lidar com o programa (Plano ABC) que tentará compensar as emissões geradas pelos bovinos com a recuperação de pastagens degradadas, a intensificação agrícola com sistemas regenerativos e a implantação de florestas, entre outras medidas. Ele sabe que tem em mãos um enorme desafio porque o árbitro favorece o adversário. Mas ele aceitou entrar no jogo.
A Argentina – uma outra nação signatária – pelo contrário, não tem nenhum plano para mitigar as emissões geradas por seu rebanho bovino, a menos, claro, que a intervenção do governo de Alberto Fernández este ano, tenha sido adotado com o propósito de reduzir as emissões através de uma progressiva redução do rebanho bovino. De fato, a intervenção realizada na década passada pelo então presidente, Néstor Kirchner e continuada por Cristina Fernández de Kirchner conseguiu efetivamente uma enorme redução da emissão de metano pela fermentação entérica dos bovinos através da liquidação em massa de bovinos. Uma solução radical, mas efetiva.

A pergunta que deve ser feita, é porquê? Em plena fase de crescimento exponencial da população mundial, existe um grupo influente de pessoas interessadas em liquidar o setor pecuário. Acontece que no mundo em que vivemos – como foi, por exemplo, na Alemanha da década de 40 do século passado – não é eticamente factível mencionar a possibilidade de suprimir as pessoas para controlar o crescimento populacional. Mas é considerado viável suprimir as condições que assegurem a sustentabilidade da produção de alimentos para humanos.
















