Gigantes da carne e dos lácteos e a problemática do impacto do carbono sobre o clima
Mudanças climáticas: Alerta - É melhor pautarmos que sermos pautados!As grandes companhias, sobretudo as multinacionais, estão trabalhando intensamente para reduzir a pegada de carbono. No mundo todo, há diversas iniciativas com busca constante de aprimoramento de processos, métricas e resultados. Todavia, observa-se cada vez mais mobilizações de ONGs, com ou sem respaldo da ONU, conduzindo pesquisas sobre a problemática de impacto do carbono sobre o clima.

Na Europa, em especial, a sensibilidade é altíssima em relação a essa questão. Vejam, por exemplo, essa matéria, publicada pelo Jornal Inglês "The Guardian". Esse cenário mostra que é preciso haver empenho e priorização, cada vez maior, dos laticínios brasileiros sobre as implicações da dinâmica de carbono na biosfera e, em especial, sobre a produção de metano e as tecnologias necessárias aos sistemas produtivos de leite no Brasil visando a minimização de suas emissões.
Segue, abaixo, para conhecimento e alerta a todos a matéria do Jornal Inglês "The Guardian" - Tradução livre: www.terraviva.com.br.
Gigantes da carne e dos lácteos alimentam a crise do clima
O fracasso para tomar medidas contra as emissões de metano pelas grandes companhias mundiais de carne e laticínios está alimentando a crise climática, dizem ativistas que elaboraram o primeiro ranking do que o setor de proteína animal vem fazendo em relação aos gases de efeito estufa (GEE) de curta duração, mas potentes.
A pecuária gera cerca de 32% do metano antropogênico, ou gerado pelo homem, principalmente a partir das mais de um bilhão de cabeças de gado que vivem no planeta.
O novo ranking, publicado em 27 de outubro, relaciona três empresas de carne e laticínios, sendo duas francesas – Grupo Bigardo e Lactalis – e a companhia japonesa Itoham.
O ranking foi baseado no exame das metas climáticas das companhias “para ver se elas tinham algum plano de ação para o metano ou relatórios, e quais pesquisas estavam sendo feitas”, disse Nuša Urbancic da Fundação Changing Markets, coautora do ranking.
Mesmo companhias que estavam bem classificadas – a suíça Nestlé, a francesa Danone e a neozelandesa Fonterra – estão fazendo muito pouco. Por exemplo, nenhuma das 20 companhias, que juntas representam a grande maioria do rebanho emissor do setor, teve meta concreta de redução do metano, disse ela.
Os principais especialistas de clima alertam que o metano está desempenhando um papel cada vez maior. Cortar as emissões de metano, disseram, é a mais forte alavanca de que dispomos para desacelerar o aquecimento global nos próximos 25 anos.
A companhia que está mais perto de ter um plano de ação para o metano, constatou o ranking, foi a Nestlé, no entanto, sem incluir qualquer marco ou indicador chave de desempenho”.
Anne Mottet, diretora de pecuária da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), disse que as companhias não têm a obrigação de relatar as emissões. No entanto, ela disse que é natural a ligação entre agricultura animal, metano, clima, segurança alimentar e nutrição, que devem ser cuidadosamente balanceados, tornando “muito importante para os governos e Organizações Não Governamentais (ONG) o engajamento com as companhias de alimentos em relação ao metano”.
Embora mais da metade das empresas do ranking estivessem fazendo algum tipo de pesquisa para redução do metano, principalmente por meio do manejo de ração para reduzir a emissão de metano, o relatório diz que nenhuma parecia estar contemplando a redução do número de animais ou substituição de animais por outras fontes de proteína.
“Muitas (classificadas) empresas investem em proteínas alternativas, mas não substitutos para a produção animal”, disse Urbancic, acrescentando que as companhias de carnes e lácteos estavam “recebendo passe livre dos governos”.
Respondendo às críticas, o Grupo Bigard enviou um relatório mostrando a redução de 9% nas emissões de GEE desde 2015, mas não fez menção ao metano. A Fonterra disse que inclui o metano no seu relatório anual de sustentabilidade, e que o “objetivo” é atingir o Emissões Líquidas Zero em 2050.
A Nestlé disse que sua meta é reduzir pela metade até 2030 e atingir Emissões Líquidas Zero no mais tardar em 2050. “Uma das soluções específicas que estamos explorando está relacionada à dieta e digestão dos animais. Com a utilização de alimentação alternativas, queremos ajudar a minimizar as emissões de metano”, disse.
A Danone disse que embora não tivesse metas específicas para redução do metano, elas foram incluídas no projeto de Emissões Líquidas Zero até 2050. A Lactalis disse que exporá soluções para reduzir as emissões de metano através da inovação da alimentação animal, aumentando a produtividade animal e dando apoio técnico aos agricultores.
Outras companhias não responderam os nossos questionamentos ou disseram que não iriam fazer qualquer comentário.
Fonte: "The Guardian" - Tradução livre: www.terraviva.com.br
Acesse aqui a matéria original no Jornal Inglês " The Guardian"
















