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Especiais Selectus nº 5886

EUA – Consumidores voltam aos produtos lácteos básicos

Leite/EUA – Apenas pelo primeiro trimestre, 2020 será lembrado, para sempre, como o ano de desafios. A queda dos preços se tornou um problema e o excesso de oferta chegou da noite para o dia. Embora as perspectivas para os produtos lácteos e os preços do leite nos EUA nos próximos meses tenham pouca possibilidade de superar as ocorrências do primeiro trimestre, a boa notícia é de que chegamos ao fundo do poço.

Fonte: Dairy Herd - Tradução livre: Terra Viva
EUA – Consumidores voltam aos produtos lácteos básicos

A demanda por lácteos teve um crescimento excepcional no primeiro trimestre de 2020. No período que antecedeu a preparação para a adoção de medidas extremas buscando combater o surto de coronavírus, a população foi às compras. Segundo o instituto de pesquisa IRI, esse padrão de compras atingiu um pico nas duas últimas semanas de março, com crescimento de 55% no volume de vendas de leite, queijo, manteiga, iogurte e sorvete em relação ao ano passado. Queijo processado e manteiga foram os dois melhores desempenhos, com taxas de 105%. Os volumes continuaram intensos, acima de 20% até a primeira semana de abril.

Apesar do forte crescimento das vendas no varejo, os preços dos lácteos entraram em colapso voltando aos níveis de 2009. Os preços futuro dos leites Classe III e IV para o mês de maio foram de US$ 11,52/cwt, [R$ 1,35/litro]*, e US$ 10,21/cwt, [R$ 1,23/litro]*, respectivamente, com quedas de 30% e 40% em relação ao início do ano.

A discrepância entre os preços e as vendas robustas no varejo foi decorrente do dramático fechamento da demanda do setor foodservice, um pilar central da demanda de produtos lácteos. O setor de alimentação é responsável por consumir metade do leite que vai para produção de queijos nos EUA.

Com a determinação do fechamento do comércio e o distanciamento social, as vendas para os serviços de alimentação caíram em torno de 50%. Essa perda do mercado de queijos, em termos de equivalente leite, representou redução de mais de 10% da demanda total de leite. Infelizmente o aumento das vendas do varejo não foi suficiente para compensar a perda do mercado de alimentação. O Rabobank prevê que os estoques de queijos atingirão o limite máximo e assim permanecerão em grande parte do ano de 2020.

Por enquanto, o mercado de lácteos mais ou menos encontrou um piso (assumindo que as intervenções governamentais e o apoio dos processadores tenham êxito e que a oferta seja reduzida de forma significativa. Mas, pelo menos por enquanto não haverá recuperação de preço do leite. Será preciso o retorno de restaurantes para o nível pré-Covid.

Muitos consumidores podem ficar distantes de áreas de refeições ou simplesmente não ter mais dinheiro para comprar diante da dramática perda de empregos nos últimos meses.

Os mercados exportadores também são problemáticos. Os destinos chaves estão sofrendo com a depreciação da moeda, como o peso mexicano que caiu 20% desde o início do ano, impactando em no poder de compra. As importações chinesas também caíram.  

Na luta contra o coronavírus a China suspendeu de imediato as compras dada a interrupção das cadeias de suprimento. Agora a China está com estoques maiores do que o normal. O Rabobank avalia que as importações chinesas de leite em pó cairão em cerca de 28% durante todo o ano.

O nosso desafio tem sido beneficiado com a queda sazonal de produção de leite na Nova Zelândia, que chega ao seu volume mínimo. Então será um exportador a menos concorrendo no mercado global nos próximos quatro meses.

Vale ressaltar que à medida que os consumidores se acomodavam assistindo Netflix em casa, eles demonstraram forte preferência por produtos lácteos adquiridos no varejo, depois de anos de crescimento fraco ou até mesmo de declínio. Essa opção refletiu que a demanda estável mostra a confiança do consumidor nos laticínios. O Rabobank espera que a tendência de “retorno ao básico” continue, com os consumidores escolhendo produtos lácteos acessíveis, mais nutritivos e baratos que as alternativas vegetais.

*[Lembrando que o real já desvalorizou 35% em desde o início do ano, e a conversão com a cotação de janeiro seria R$ 1,11/litro e R$ 1,01/litro].

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