França – Depois da alta sazonal, a captação de leite cai em setembro
Produção/França – Na França, a captação de leite aumentou em relação aos últimos anos no mês de agosto, mas reduziu o nível em setembro.
Uma tendência similar à da Europa, com os preços que parecem, em alta em relação aos anos anteriores.
Em seu último relatório “tendências do leite e da carne”, o Idele, [Instituto de l”élevage] faz um balanço da captação do leite na França no mês de agosto e traça uma tendência para setembro.
Em agosto, a coleta de leite atingiu 1,927 milhão de toneladas, um aumento de 21 mil toneladas em relação ao mesmo mês de 2020, o equivalente a 1,1% de aumento. O preço do leite, também registrou alta de 6,7% em relação a 2020 e foi pago a € 375/1000 litros, [R$ 2,55/litro]. Um nível jamais atingido desde 2014.
“O aumento é ligeiramente mais acentuado para o leite convencional, que atingiu € 356, R$ 2,42/litro], em agosto (+1,3% em relação ao mês anterior, e +7,1% quando comparado com agosto de 2020). Em setembro, o aumento do preço deverá ser ligeiramente mais acentuado”.
Baixa captação de leite na Alemanha e Holanda
No resto da Europa, é observada a mesma tendência: alta da captação em agosto e queda em setembro. Em agosto, a coleta europeia subiu 0,7%. Mas, esse número não reflete a situação de todos os países. Enquanto na França, Irlanda e Itália a captação aumentou, na Alemanha e Holanda houve queda de -1,1% e -1,5%, respectivamente, em relação a 2020.
“A captação europeia deverá perder terreno em setembro, com recuos significativos nas captações semanais na Alemanha e França”, segundo pesquisas da AMI e FranceAgriMer.
Coleta estagnada, apesar da alta nos preços do leite
Na França, como em todo o resto da Europa, a coleta de leite tem se mostrado pouco dinâmica, embora o preço do leite ao produtor esteja alto.
“O preço do leite aumenta, mas o impacto é neutralizado, pelo menos na França, diante da alta dos preços dos insumos”, destaca o Idele.
Na França, a captação recuou no primeiro semestre, mesmo com o aumento na primavera. Nos seis primeiros do ano ela ficou estável. Em 12,5 milhão de toneladas, queda de 117 mil toneladas em relação a 2020, ou 0,9% de perda. A recuperação da captação observada na primavera não compensou o déficit do início do ano. Esta baixa diz respeito a todas as bacias leiteiras, exceto Bretanha e Normandia.
Na UE-27, no primeiro semestre, a captação aumentou 0,5% em relação a 2020 e ficou estabilizada em 74,1 milhões de toneladas, ou 380.000 toneladas a mais. A Irlanda foi o impulsionador dessa alta (+7,7% em relação a 2020). Nos três principais produtores houve queda: França (-0,9%); e (-1,2%) tanto na Alemanha como na Holanda.
Preço do leite: ausência de sazonalidade na França
No primeiro semestre, o preço real do leite aumentou apenas 1,5% em relação a 2020, € 375/1000 litros. Ao mesmo tempo, o índice dos custos subiu 6% em relação à média do primeiro semestre de 2020.
No resto da Europa, a alta dos preços do leite foi mais acentuada e chegou ao maior nível desde 2014 em um mês de julho, na maioria dos países, compensando parcialmente o aumento no custo de produção.
Despesas crescentes neutralizam o aumento da receita
Em julho, o índice de custos subiu 0,4%, e atingiu um novo recorde histórico (112,2 pontos), aumentando pelo 12º mês consecutivo. Em um ano, foram 8,9 pontos a mais, impulsionados por três itens em particular: o preço da alimentação animal (+13,4%), energia e lubrificantes (+17,4%) e de fertilizantes e defensivos (+28,8%).
“Estes aumentos se traduzem em € 24/1000 a mais em relação a 2020, superior ao aumento no preço do leite no mesmo período (+€ 17/1000 litros, preço real) e (+€4/1000 litros) de receita com abate de animais de leite”, segundo o Idele.
Em junho, a margem do leite de vaca sobre o custo total, que indica a margem do produtor, teve queda de €5/1000 de um ano para o outro e ficou em € 84,85/1000, muito abaixo da média histórica de 2007 a 2019 (€99/1000 litros).
















