Argentina – Bom diálogo e trabalho conjunto entre Governo e o setor lácteo
Consenso/AR – Representantes da Associação de Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios (APyMEL), a Junta Intercooperativa de Produtores de Leite (JIPL) e o Centro da Indústria de Laticínios (CIL) fizeram uma reunião virtual com o ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca (MAGyP), Luis Basterra, para falarem sobre o Acordo Setorial Lácteo, firmado em maio passado, e sobre os próximos trabalhos na conjuntura atual.
Durante o encontro, foi destacada a importância de conseguir um consenso alcançado e consubstanciado no documento com a assinatura do Ministério da Agricultura, do Ministério do Comércio Interior, do Ministério do Desenvolvimento Produtivo e das referidas entidades de classe.
O ministro Basterra ressaltou a previsibilidade gerada com a assinatura do acordo, entre outras coisas pela situação difícil da pandemia, e considerou que “estas reuniões nos permitem enfrentar tanto os problemas, como projetar cenários que possam trazer bons resultados”.
Pelo acordo ficou estabelecida a ampliação do rol de empresas participantes do Programa de Preços Controlados, oferecendo maior variedade e quantidade de produtos a preços acessíveis para o consumo interno. Também foi proposta a saída gradativa dos Preços Máximos, medida governamental que gerou muita rejeição do setor por colocar um teto nos preços, e que não podem acompanhar a evolução dos custos, gerando perda de rentabilidade.
Além destes pontos, o que se infere do acordo, ainda não foi expressamente manifestado, é que o Governo não restrinja a exportação nem aumente as alíquotas dos Dex (Direitos de Exportação, imposto que incide sobre os produtos que são comercializados para fora do país).
No momento da assinatura do acordo, o presidente da APyMEL, Pablo Villano, disse: “É um acordo que demorou muito, é muito positivo e único, porque as câmaras setoriais nunca participavam no acordo de preços, e que vai muito além dos Preços Controlados, para o qual foi constituída uma mesa de trabalho”.
Segundo Villano, este avanço na relação entre o setor lácteo e o Governo permite um diálogo franco e um panorama de maior previsibilidade. “O espírito deste acordo é o de poder abastecer o mercado interno a um um bom preço para a população, que não criem mais intervenções além das existentes, por exemplo as retenções, e que se possa exportar o excedente”.
Mais claramente refletiu Ercole Felipp,a presidente do CIL, que também tem uma percepção positiva do acordo e destacou que “ao mesmo tempo que acaba com o fantasma das exportações, embora não tenha surgido em tempo hábil, pois era algo que estava latente. Não solucionamos todos os problemas do setor lácteo, mas trouxemos previsibilidade”.
Temas tratados na reunião
Segundo informado pelo MAGyP, durante o encontro virtual, foi destacado o valor do Acordo Setorial Lácteo e o trabalho para melhorar a entrada dos produtos argentinos a mercados como Brasil, China, Rússia e México. O Ministério projetou exportações superiores a US$ 1 bilhão de produtos lácteos em 2021, aumentando para 24% o volume da produção nacional com destino ao exterior.
Foi destacado a atual conjuntura, e lembrado que de janeiro a junho houve crescimento de 4,6% na produção nacional do leite, e estima-se que no segundo semestre a taxa de crescimento será menor, mas, o resultado será um incremento anual de 2%, alcançando 11.335 milhões de litros.
Também foram analisadas diversas propostas, entre elas, medidas para administrar os excedentes da produção da primavera, no atual contexto do mercado interno e externo, melhoria das ferramentas de financiamento, assim como impulsionar uma coordenada dinâmica de compras públicas.
















