Saúde e Conveniência? Mais do que possíveis, imprescindíveis
Consumo – Saúde e conveniência? Mais do que possíveis, imprescindíveis. Esta foi a principal conclusão de um dos debates ocorridos durante o Food 4 Future em que nós, Lanterns, participamos em Bilbao na Espanha.

No evento que já se confirmou como uma referência para o setor de alimentos, vimos que saúde e conveniência já não são dois aspectos distintos para as marcas do setor, mas sim complementares.
E, temos visto cada vez mais, os consumidores olharem para o fator ‘saúde’ na hora de fazer suas escolhas no supermercado. Durante a pandemia, este comportamento continuou (e continua) a crescer em relevância. Mas não só: o prazer também tem se confirmado como um fator chave na hora de selecionar um produto. E isto tem uma razão.
Na Lantern, pensamos que a saúde já é um conceito maduro. Mais que maduro, é conceito binário: é-se saudável ou não. Mas o consumidor nos diz algo mais: a saúde pode ser vista como um critério mais holístico. A saúde já não é só física e vai além do conceito de bem-estar. É um conceito muito mais amplo e inclui a saúde mental, os esportes, a saúde emocional, o meio ambiente e social, além do espiritual. Todas estas vertentes são necessárias para atingir uma vida plenamente saudável.
Isto tem implicações não somente no desenvolvimento de novos produtos, mas sobretudo na concepção de negócios que incluam o foco na saúde, cujas implicações são muito mais amplas agora. O bem-estar tem relação com o turismo, a cultura, a nutrição, a medicina personalizada, os produtos de beleza, etc. Temos bebidas com colágeno para cuidar da pele e gel de banho que cuida da microbiota. Porque não pode a L’Oreal criar uma linha de alimentos ou a Gatorade uma cadeia de academias? As fronteiras são muito mais líquidas quando mudamos o conceito de saúde em bem-estar. Existem três guias que, por esta ordem, definem as escolhas de alimentos pelo consumidor: Conhece? Traz prazer sensorial? Traz sensação de bem-estar sem culpa? Faz bem à minha saúde?
Combinados, estes aspectos apelam a outros mais holísticos. O consumidor percebe no âmbito de um produto saudável, elementos como se é natural, artesanal, orgânico, local, com etiqueta limpa, baixa caloria, etc. Não somos completamente racionais nas nossas decisões de compra, e por isso percebemos os benefícios de uma forma muito mais complexa.
Um dos nossos mais recentes trabalhos foi o reposicionamento da marca de sorvetes veganos Pink Albratross, onde um dos elementos-chave da marca e do produto são “ingredientes que podemos desenhar”. Um conceito que o consumidor entende como mais saudável que o resto dos concorrentes. Apesar de estarmos falando de um sorvete, com açúcares e gorduras. Isto é prazer e saúde mental. Neste âmbito, uma das áreas de desenvolvimento com mais potencial nos próximos tempos serão os produtos com benefícios para a mente. O estresse já é uma doença séria nos países desenvolvidos, e uma infeliz tendência em crescimento. Por isso, produtos com CBD (um canabinoide que ajude a relaxar) ou melatonina para dormir melhor começarão a ser vistos cada vez mais com regularidade nas prateleiras.
E depois está a conveniência. O que significa este conceito? Podemos vê-lo como uma simples equação entre a recompensa e o esforço para a produção de uma receita. Numa pesquisa que fizemos há algum tempo, uma consumidora contou-nos que uma vez arriscou fazer uma lasanha com o namorado, mas que essa foi uma decisão que não iria, nunca mais, repetir. Porquê? Porque a lasanha, que demorou duas horas para fazer, ‘desapareceu’ em dez minutos.
Por isso, os supermercados estão aumentando os produtos chamados Kitchen Helpers, ou seja, ajudantes de cozinha: Produtos que encurtam etapas, como verduras já cortadas para fazer uma sopa ou um refogado, como os que nós da Lantern, ajudamos a desenvolver para a Florette; ou pratos prontos para comer, mais saudáveis, como legumes cozidos para aquecer e saborear. Num passo mais adiante estão os serviços onde nos entregam, em casa, pratos já cozidos e saudáveis para nos poupar deslocamentos e outras preocupações. Como podem ver, o nível de conveniência também pode ser adaptado ao tipo de consumidor. A saúde já é uma questão-chave no desenvolvimento de novos produtos, mas se quisermos estar à frente da concorrência, é preciso falar de bem-estar, ajustando o futuro da empresa e dos seus novos modelos de negócio em torno deste conceito.
















