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Especiais Selectus nº 6119

Análise FAO do Mercado Mundial de Lácteos em 2020 – Parte II

Leite no mundo – Análise do mercado de lácteos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Fonte: Fonte: FAO – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: CC Search BY 2.0
Análise FAO do Mercado Mundial de Lácteos em 2020 – Parte II

ANÁLISE DO MERCADO DE LÁCTEOS – Parte II

Visão sobre o desenvolvimento do mercado global de lácteos em 2020

FAO. 2021. Dairy Market Review: Overview of global dairy market developments in 2020, April 2021. Rome.

Tradução: www.terraviva.com.br

Comércio internacional de lácteos

O comércio internacional de lácteos cresceu em 2020, induzido pelo aumento das compras de poucos países

O comércio internacional de produtos lácteos aumentou 1,2%, ficando perto de 79 milhões de toneladas (em equivalente leite) em 2020, principalmente pelo crescimento das importações de poucos países, China, Argélia, Arábia Saudita e Brasil. A China, o maior importador mundial de lácteos, comprou 17 milhões de toneladas em produtos lácteos, um crescimento de 7,4% em relação a 2019, parcialmente pelo lockdown no início da pandemia do Covid-19, mas, posteriormente, impulsionado pelo aumento do consumo per capita entre os consumidores urbanos, os de maior renda, além da expansão da base de consumidores. Houve ainda, um forte crescimento das importações de leite de soro em pó, para atender a demanda das criações de suínos que estão retornando, o que contribuiu também com o aumento das importações de lácteos pela China.

As importações de lácteos pela Argélia, que consistiram basicamente de leite em pó, foram aumentando, à medida que a demanda nacional começou a ultrapassar o crescimento da produção. Embora os distúrbios do mercado pelo Covid-19 tenham reduzido o consumo de leite fresco no início de 2020, as importações anuais de lácteos pela Arábia Saudita aumentaram 13,5%, depois que os preços do petróleo começaram a se recuperar, em maio.

O Brasil importou mais produtos lácteos, especialmente queijo e leite em pó integral (WMP), para suprir uma lacuna no consumo doméstico, que emergiu com a baixa produção de leite decorrente da prolongada seca entre maio e outubro.

Do outro lado, muitos países líderes na importação de lácteos, principalmente México e Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Bangladesch, Japão e Indonésia reduziram as importações de lácteos devido a bloqueios de mercados, interrupções em transportes e crises econômicas.

A média de 8,2% de crescimento das importações de lácteos pelo México entre 2015-2019, caiu 17% em 2020, já que a desaceleração econômica levou à perda de empregos e redução no poder de compra da população. Ao mesmo tempo, o aumento da produção de leite nacional foi suficiente para atender a indústria local e a demanda do consumidor doméstico. A desaceleração econômica decorrente da pandemia foi razão para o corte das importações de lácteos das Filipinas, Emirados Árabes Unidos, Bangladesh e Indonésia. As importações de lácteos do Japão caíram 7%, chegando a 2,1 milhões de toneladas, já que houve aumento no processamento de manteiga e leite em pó desnatado (SMP) em decorrência da queda nas vendas de leite fresco durante a pandemia, beneficiando-se da assistência governamental para a pandemia e redução e quotas tarifárias da manteiga e SMP.

No que se refere às exportações, os Estados Unidos da América, a República Islâmica do Irã, Argentina, Bielorrússia e União Europeia foram os responsáveis pela maior parte da expansão da demanda internacional. De um modo geral, o aumento nacional da produção de leite e baixas vendas para os serviços de alimentação elevaram as disponibilidades exportáveis. Mais que isso, as exportações de produtos lácteos tornaram-se uma opção atrativa para muitos países como a Argentina, que diante de significativos desequilíbrios macroeconômicos decorrente de várias crises econômicas, houve aumento da pressão inflacionária e depreciação da moeda. De outro lado, as exportações da Nova Zelândia, Emirados Árabes Unidos, Turquia e Índia, entre outros, declinaram, principalmente em resposta à contração da demanda importadora, refletindo as crises econômicas de parceiros comerciais ou limitações às vendas internas.

>> Acesse aqui a primeira parte do relatório - Análise FAO do Mercado Mundial de Lácteos em 2020 

 >> Acesse aqui o Relatório Original - Dairy Market Review

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