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EUA e China anunciam cooperação para clima

Cooperação climática - Os Estados Unidos e a China estão comprometidos em cooperar no enfrentamento da crise climática. Os dois países assinaram uma declaração conjunta no sábado, durante visita do enviado especial para o clima da Casa Branca, John Kerry, à Ásia.

Fonte: Fonte: Valor Econômico | Foto de capa: Pixabay
EUA e China anunciam cooperação para clima

O comunicado prevê ações a curto e médio prazo e uma agenda para esta década. Foi um bom sinal a poucos dias da Cúpula de Líderes Climáticos, que o presidente Joe Biden organiza nesta semana, e diante das tensões entre as duas potências em outros temas.

Os dois maiores emissores de gases-estufa do mundo dizem que “irão cooperar entre si e com outros países” para enfrentar a crise climática. Kerry disse acreditar que é a primeira vez que a China usa a expressão “crise climática”.

Os esforços podem “incluir ações climáticas que aumentam a ambição na década de 2020”. No Twitter, Li Shuo, especialista em energia do Greenpeace em Pequim, disse que o texto aumenta a chance de uma ambição climática maior da China. “As condições domésticas estão amadurecendo e é do interesse do país fazer mais. Banir o financiamento de carvão e introduzir uma meta absoluta de carbono são boas maneiras de demonstrar vontade política”, disse.

O carvão chinês foi um dos temas centrais das discussões de dois dias, em Xangai, entre Kerry e Xie Zhenhua, o enviado especial da China para o clima. Não houve compromissos específicos. A China é o país que mais usa carvão no mundo e também financia térmicas a carvão no exterior.

Os dois países concordaram em discutir ações concretas nesta década para aumentar o uso de energias renováveis, agricultura verde e resiliente ao clima, edifícios com eficiência energética e transporte de baixo carbono. Irão cooperar para combater as emissões de metano e outros gases-estufa além do CO2, na redução das emissões da aviação civil e do transporte marítimo, e “medidas de curto prazo com relação à redução das emissões de carvão, petróleo e gás”.

“O comunicado sinaliza cooperação climática entre os dois países, mesmo se há muita tensão em relação a outros temas”, diz Mark Lutes, especialista em clima do WWF Internacional. “O tom é muito positivo. Não esperava algo tão substancial e detalhado”.

Os dois países dizem que pretendem desenvolver até a CoP 26, em novembro, em Glasgow, estratégias de longo prazo visando emissões líquidas zero. Querem adotar medidas “para maximizar o investimento e financiamento internacional” para apoiar a transição energética. Falam em implementar a redução gradual da produção e consumo de hidrofluorocarbonetos, um poderoso gás-estufa, e discutir tecnologias de sequestro de carbono e hidrogênio.

Segundo Jake Schmidt, diretor estratégico de Clima Internacional da Natural Resources Defense Council (NRDC), há chance de os EUA anunciarem seu compromisso climático, a NDC, nos próximos dias, talvez antes da cúpula de 22 de abril. “Estou otimista que pode vir um corte de pelo menos 50% de redução de gases-estufa em relação aos níveis de 2005, para 2030”.

É a demanda da maioria das ONGs e da comunidade de negócios, além de estudantes e cientistas. A atual NDC dos EUA prevê cortes na emissão de 26% a 28% para 2025 e foi feita durante o governo Obama. Os ambientalistas também esperam que a China apresente uma NDC ambiciosa.

Biden espera que os países assumam compromissos climáticos de maior ambição na cúpula. O vice-ministro das Relações Exteriores chinês, Le Yucheng, disse à agência Associated Press que a China dificilmente fará novas promessas. Também não está certo quem irá participar da cúpula. Biden convidou 40 líderes, incluindo o presidente chinês, Xi Jinping, que ainda não confirmou presença.

Washington se opõe às ações de Pequim para reduzir a autonomia de Hong Kong, reclama de abusos de direitos humanos contra muçulmanos em Xinjiang e da escalada da atividade militar no mar da China e perto de Taiwan. Há tensão também em relação a tecnologia.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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