Embaré avança no país e no exterior
Embaré - A Embaré, empresa de laticínios com sede em Lagoa da Prata (MG), encerrou 2020 com avanço acima do esperado e prevê um crescimento da ordem de 20% neste ano, puxado pela expansão da distribuição de seus produtos no país e pela conquista de mercados no exterior.

Em 2020, a receita líquida da companhia cresceu 37,9% em relação ao ano anterior, para R$ 1,65 bilhão - a previsão era avançar de 15% a 20%. O lucro líquido foi de R$ 73,7 milhões, montante 246% maior que os R$ 21,3 milhões apurados em 2019. O resultado foi associado ao incremento nas vendas e à melhoria na gestão de despesas.
“O auxílio emergencial gerou um incremento de renda para as classes C e D e isso foi muito positivo para nossas vendas”, afirmou André Antunes, diretor de vendas e comércio exterior da Embaré. Em volume, as vendas cresceram 33%, um desempenho acima da média.
De acordo com dados do IBGE, a produção de leite no país cresceu 2,1% em 2020, para 25,5 bilhões de litros. A Euromonitor International informa, por sua vez, que o segmento de leite em pó avançou 4,3% em 2020, para 354,5 mil toneladas. Em valor, as vendas aumentaram 8,7%, para R$ 10,37 bilhões. A Embaré é a sétima maior empresa no mercado brasileiro de leite em pó, com 4,1% de participação.
Antunes disse que espera um aumento da demanda nos próximos meses com a liberação do novo auxílio emergencial. No ano passado, segundo dados da Kantar, 58% dos lares no país receberam o auxílio. O recurso foi usado sobretudo para a compra de alimentos e bebidas. “Para o segundo semestre, os bancos já projetam recuperação da economia. Espero que a economia rode sem o auxílio”, afirmou o executivo.
Antunes disse que as vendas de leite em pó subiram cerca de 30% no ano passado, em parte por causa do auxílio emergencial. O crescimento também deveu-se à chegada a novas praças, ao fortalecimento em mercados do Nordeste e do Norte e à entrada no segmento de foodservice, restaurantes e lanchonetes.
Em agosto de 2020, a companhia arrendou por 15 anos uma fábrica do laticínio Quatrelati, em Patrocínio (MG), ampliando em 25% a capacidade de produção de leite em pó, carro-chefe da empresa, que já era de 5,5 mil toneladas por mês. A Embaré possui fábricas em Lagoa da Prata, Santo Antônio do Monte e Patrocínio, em Minas Gerais, com capacidade de processamento de 2,8 milhões de litros de leite por dia.
O ano de 2021, disse Antunes, começou mais difícil, sem a injeção de recursos do auxílio emergencial e com o fechamento do comércio em vários Estados. Mas, em março, as vendas começaram a dar sinais de recuperação. “O mercado doméstico vem demandando bastante leite. E a exportação também tende a ser melhor por causa do câmbio atual, que deixa o leite brasileiro competitivo”, afirmou o diretor.
No exterior, a Embaré abriu recentemente os mercados da Bolívia e da República Dominicana com exportação de leite condensado e consolidou as vendas de leite, creme de leite e leite UHT para o Paraguai, para onde exportou 228 toneladas em 2020. A exportação de caramelos representou 40% do faturamento da Embaré na linha de confeitos. A expectativa é que as vendas externas cresçam cerca de 10% neste ano.
A Embaré também exporta para a Venezuela leite condensado, creme de leite, doce de leite e bebida láctea. Em 2020, a empresa exportou 712 toneladas para o país, e espera manter esse volume neste ano.
Os produtos lácteos representam 95% das vendas totais da Embaré, e 5% são caramelos. Mais da metade da receita vem do leite em pó da marca Camponesa.
Na área de caramelos, a Embaré retomou recentemente os embarques para Índia, Bulgária e Egito e começou a exportar para Somália, Mauritânia, Argélia e Libéria. No Canadá, a empresa também fechou contrato com a varejista Costco, com mais de 100 lojas no país, e negocia ainda vendas com a rede CVS dos EUA e com a Costco da Coreia do Sul. A Embaré exporta para 43 países.
Antunes disse que os clientes internacionais pressionam por descontos por causa da forte variação do câmbio nos últimos 12 meses. “No caso de clientes mais antigos a gente segura o preço. Mas os Estados Unidos, por exemplo, um mercado importante, não tiveram desconto nenhum”, observou.
















