‘Fed deve manter compras até ver recuperação da economia’
Ritmo de compras - O Federal Reserve (Fed) deve manter o ritmo de compras de ativos inalterado até sentir que a recuperação da economia está em níveis mais avançados e pode dar início a um processo de “tapering”, ou seja, de redução das compras de ativos, já no fim deste ano.

É o que projeta Gabriela Santos, diretora-executiva e estrategista de mercados globais da J.P. Morgan Asset Management, para quem a decisão de política monetária de hoje do Fed não deve trazer grandes novidades para os mercados. O processo de reflação, que fez com que os rendimentos dos títulos do Tesouro americano exibissem forte alta neste início de ano, pode ser um dos temas abordados pelo presidente do Fed, Jerome Powell, hoje.
No entanto, para Gabriela, os números de inflação podem até surpreender ao longo deste ano e superar o nível de 2% na base interanual em alguns meses, mas o banco central americano deve olhar para os dados como algo transitório.
Ao participar da “Live do Valor ” ontem, a estrategista afirmou, ainda, que, embora acredite que a inflação encerrará o ano em torno de 2% nos EUA, o comportamento das expectativas de inflação será algo chave a se observar. “Se elas começarem a subir muito, é algo para se preocupar mais”, afirma.
Gabriela, contudo, acha difícil esse movimento acontecer, mesmo após alguns meses de inflação mais alta, e lembra que a meta adotada pelo Fed agora abarca uma tolerância maior para a subida de preços após dez anos de inflação abaixo de 2%.
Quanto à recuperação da economia americana e a questões relativas ao endividamento dos EUA, a profissional da J.P. Morgan Asset avalia que a economia americana receberá um empurrão do lado fiscal sem ter que se preocupar com o aumento da dívida pública por um tempo. Para ela, isso só deve acontecer com a aproximação da taxa da T-note de dez anos da marca de 3%, o que, nas projeções da gestora, só deve ocorrer em 2023 ou 2024.
Assim, na avaliação de Gabriela, é natural que os rendimentos dos títulos do Tesouro americano exibam uma recuperação firme, mas é necessário atenção à velocidade em que a alta das taxas ocorre. “Se o aumento acontecer ao longo dos próximos 12 meses, é completamente bem absorvido, mas se ocorrer de um mês para o outro começa a preocupar. É um bom sinal ver a dívida americana de dez anos estabilizando em torno de 1,1% e acreditamos que, ao longo do ano, a taxa deve continuar subindo até chegar a 1,5%.”
Durante a “live”, Gabriela apontou que os fatores que têm feito os juros dos Treasuries subirem são bons e em linha com o fundamento, diante da expectativa futura de crescimento e de inflação. Para a estrategista, porém, a ligeira maioria democrata no Senado pode ser mais desafiadora do que o precificado pelos mercados no início do ano. “Qualquer plano precisará ter a aceitação de 100% dos democratas e qualquer medida mais ampla precisaria de dois terços do Senado”, disse a estrategista.
Para ela, nesse sentido, o pacote de US$ 1,9 trilhão em estímulos econômicos proposto por Biden não deve ser aprovado na íntegra. A gestora de ativos do J.P. espera um pacote próximo a US$ 1 trilhão, “o que já é bastante”. Esse pacote, para Gabriela, deve ser “um bom combustível” para a economia americana junto aos estímulos aprovados no Natal e à distribuição de vacinas para o combate à covid-19 ao longo do ano.
















