Gastos dos consumidores chineses crescerão no ano que vem
China 2021 – Analistas preveem que a China irá priorizar o aumento da demanda interna e a consolidação da aceleração do gasto dos consumidores, contemplando os principais setores da economia em 2021.

Diferente das medidas de estímulo dirigidas ao mercado imobiliário em alguns ciclos econômicos anteriores, a próxima reforma da demanda adotará mecanismos de longo prazo para ampliar a população da classe média.
“A demanda interna insuficiente continua sendo um dos principais problemas para os encarregados da formulação de políticas. Aumentar a demanda e o consumo, garantir o emprego e criar mais postos de trabalho continuarão sendo as principais prioridades das políticas econômicas da China para o próximo ano”, afirmou Xu Hongcai, vice-diretor do Comitê de Política Econômica da Associação Chinesa de Ciências Políticas.
“No próximo ano será estimulado o consumo interno, a eficiência dos investimentos e contenção dos riscos financeiros que possam desestabilizar a recuperação econômica do país”, acrescentou Xu.
O crescimento das vendas no varejo, um indicador chave do consumo, em novembro recuperou com maior velocidade na comparação interanual, 5%, em comparação com os 4,3% do mês anterior, afirmou o Departamento Nacional de Estatísticas da China (NBS).
As vendas no varejo de janeiro a novembro registraram queda de 4,8% na comparação anual, enquanto houve crescimento de 2,6% nos investimentos fixos, disse o Departamento.
Diante da lenta recuperação do consumo, as autoridades e especialistas acreditam que em breve haverá mais medidas políticas com foco na demanda para impulsionar os gastos dos consumidores. A próxima Conferência Central Anual de Trabalho Econômico deverá fornecer mais detalhes.
Os planos políticos a serem tratados na conferência, chamou a atenção, pois vão decidir como a segunda maior economia do mundo vai embarcar em seu novo plano quinquenal de desenvolvimento social e econômico e a construção plena de um país socialista moderno.
“O país deve construir um sistema completo da demanda interna, e ampliar o papel fundamental do consumo”, esclareceu Fu Linghui, o porta- voz da NBS, acrescentando que o consumo interno continuará sendo o principal motor da economia, como era antes da pandemia.
“A direção geral do Partido Comunista da China (PCCh) abordou, pela primeira vez, a noção de reforma do lado da demanda, em busca de um padrão de desenvolvimento denominado “dupla circulação”, em que o mercado interno seja o pilar, ao mesmo tempo em que os mercados interno e externo se fortaleçam mutuamente", acrescentou Fu.
“Ao mesmo tempo que aumenta a reforma estrutural do lado da oferta, no próximo ano a China irá focar na reforma do lado da demanda para criar um equilíbrio dinâmico de maior nível entre a oferta e a demanda” disse o relatório de uma reunião realizada no Bureau Político do Comitê Central do PCC.
“No próximo ano, a reforma do sistema de distribuição de renda deve ter um foco político”, destacou Li Xunlei, economista chefe da Zhongtai Securities. “Reduzir a diferença fará com que as famílias de renda relativamente mais baixa, se tornem propensas a consumir”.
O país deve melhorar seus sistemas de impostos, seguridade social e transferência de renda para ampliar a classe de renda média e reduzir as desigualdades”, disse Liu Kun, ministro das finanças, em artigo recente publicado no cntheory.com
O sistema fiscal “tem um grande papel a desempenhar” no fortalecimento da demanda interna, destacou Liu, e acrescentou que também intensificará os esforços para promover as formas tradicionais e emergentes de consumo e fortalecer os marcos normativos dos serviços de atenção aos idosos, saúde e educação.
Enquanto isso, espera-se que o país mantenha restrições severas à especulação do mercado imobiliário, uma vez que bolhas imobiliárias maiores limitariam os gastos das famílias, observou Li Qilin, economista-chefe da Hongta Securities.
O país também intensificará as melhorias do sistema de abastecimento para ir ao encontro das novas preferências de consumo, impulsionando o investimento na fabricação de produtos de ponta e infraestruturas relacionadas à tecnologia.
Nos primeiros 11 meses do ano, o investimento em ativos fixos em indústrias de alta tecnologia teve crescimento interanual de 11,8%, frente aos 9,7% alcançados de janeiro a outubro, informou o NBS.
Wang Tao, economista chefe do banco de investimento global UBS na China, declarou que espera aumento dos gastos em pesquisa e desenvolvimento, em 2021, e investimentos em áreas chave de alta tecnologia.
Impulsionados pelo consumo interno e pelas exportações, o crescimento econômico da China deve se recuperar, chegando a 8,2% em 2021. Graças a isso, as macro políticas de apoio estabelecidas este ano para amortecer o impacto econômico da pandemia do Covid-19 poderão ser desativadas”, acrescentou Wang.
“É preciso ter uma saída ordenada das políticas para evitar o risco de uma queda dupla na economia”, advertiu Xu, membro da Associação Chinesa de Ciências Políticas, acrescentando que a política monetária permanecerá flexível, embora seja improvável que no próximo ano o déficit orçamentário do país aumente.
















