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Economia Selectus nº 5997

Consumo das famílias ainda está voltado para dentro do lar, menos em supermercados, avalia Pezco

Consumo das famílias - As vendas do comércio em agosto parecem demonstrar que o consumo das famílias ainda está voltado para dentro do lar, afirma Helcio Takeda, da Pezco Economics. Segundo ele, esse aspecto configura uma adaptação à nova realidade, que poderá ser temporária ou permanente. “Vai depender de como a pandemia vai evoluir”, avalia o economista.

Fonte: Valor Investe
Consumo das famílias ainda está voltado para dentro do lar, menos em supermercados, avalia Pezco

O volume do varejo restrito cresceu 3,4% frente a julho, já descontados os efeitos sazonais, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pezco projetava alta de 1,15% na margem, e de 6,4% em relação agosto do ano passado.

Com isso, atingiram o maior patamar da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2000. Foi o quarto mês seguido de alta do varejo restrito, após o choque inicial da pandemia sobre as vendas. A leitura ficou acima da mediana de +3,2% das projeções de 27 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data. As estimativas iam de +1,2% a +8,6%.

No conceito ampliado, a consultoria projetava alta de 3,29% em relação a julho, e de 4,49% na comparação com agosto de 2019. As altas confirmadas pelo IBGE foram de 4,6% e 7,6%, respectivamente.

“Primeiro, a gente esperava queda na venda dos supermercados, que se confirmou, caiu 2,23%. Mas tínhamos uma expectativa de desaceleração em móveis e eletrodomésticos, grupo que cresceu 4,56%. A gente esperava algo em torno de 2%”, comenta Takeda. “Já o segmento vestuário cresceu 30,53%, e esperávamos uma taxa mais tímida, em torno de 17%”, acrescenta.

Para o economista, a “cara do varejo ainda é de consumo das coisas da casa”, avalia. “Menos em supermercados, porque já passou a fase de alimentação só no domicílio, então tem aí um novo equilíbrio”, pondera o economista, ressaltando que esses aspectos podem ser pontuais, mas têm influenciado o desempenho do varejo.

“Quando olhamos a série com ajuste sazonal do varejo, o grupo móveis e eletrodomésticos atingiu o maior nível da série em agosto. Está 24,20% acima de fevereiro de 2020, mês pré-pandemia”, destaca Takeda. Segundo ele, o setor não só vem superando o período pré-covid, como o anterior à recessão de 2015, 2016.

Para setembro, afirma ele, espera-se uma redução do ritmo no segmento por dois motivos — o primeiro é que a inflação dos alimentos pode pesar e colocar viés de baixa nesse desempenho, o segundo é porque móveis e eletrodomésticos, e ainda material de construção estão em seus melhores momentos. “Em setembro, esse ritmo não deve seguir. Haverá uma correção nessa trajetória”, diz.

Ainda de acordo com o economista, o debate em relação às questões de ordem fiscal e relacionadas ao câmbio também podem impactar a confiança e desacelerar a intenção de compra das pessoas em setembro.

“Nossos cálculos preliminares apontam alta de 0,5% no varejo restrito em setembro ante agosto. Para a indústria, estamos mais otimistas, porque temos as encomendas para a black Friday, para o Natal e também para recompor esse aumento de vendas que ocorreu entre junho a agosto, o que mantém o ritmo de produção”, diz Takeda.

Segundo ele, a Pezco calcula de forma preliminar alta de 3% na produção industrial em setembro, na comparação com agosto. Já para serviços, a consultoria projeta alta de 3%, e em torno do mesmo número em setembro.

“É basicamente a expectativa em relação a agosto e setembro, que está ligada às famílias, com atividades de hotelaria e restaurantes, e também a transportes, com aéreas dando contribuição importante”, diz o economista.

Por Leila Souza Lima, Valor PRO — São Paulo

Conteúdo originalmente publicado pelo Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor Econômico.

Foto da Capa: Getty images

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