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Especiais Selectus nº 5994

Produtores uruguaios temem chegada maciça de capital argentino

Produção/UR – Para o gerente da Sociedad de Fomento Colonia Suiza, cooperativa de produtores de leite da região da Colonia Suiza Nueva Helvecia, no Departamento de Colônia, no sul do Uruguai – a possível chegada de capital argentino “é um risco para a agricultura familiar”.

Fonte: Portalechero – Tradução livre: Terra Viva
Produtores uruguaios temem chegada maciça de capital argentino

“O problema é que o capital argentino líquida com a produção de leite. O agravante são as condições atuais da Argentina, favorecendo a chegada com força do fenômeno no ano que vem. Eles estão desesperados para conseguir dólares e o Uruguai é uma opção”, disse o agrônomo Juber Gonzalvez de Mezquita Duarte, gerente da entidade.

A Sociedad Fomento Rural de Colonia Suiza (SFRCS) começou sua história em setembro de 1915. Desde seu início esteve filiada à Comissão Nacional de Fomento Rural e sua atividade comercial primeira foi a comercialização de grãos e produtos do país entre seus sócios fundadores.

“Nossos agricultores não são como os que vemos em Soriano que semeam 1.300 hectares em duas propriedades de um mesmo produtor”, os sócios da Fomento de Colonia Suiza complementam a produção de leite com outras atividade e “isso é um desafio, porque não é um agricultor só, aqui estamos na produção e no centro do laticínios. O produtor de leite sabe como tirar leite e o faria sem problemas se fosse um setor competitivo, mas há cinco anos estamos sem rentabilidade”.

O interesse dos capitais argentinos

Nessa perspectiva negativa, o gerente da Fomento advertiu sobre o interesse de cidadãos argentinos em terras da região.

“já estão vindo pessoalmente. São argentinos que se apresentam, dizem que buscam terras de extensões médias a grandes. Nós temos produtores de anos, mas os argentinos chegam com dólares na mão e fazem um negócio imobiliário especulativo”.

Mezquita Duarte descreveu que “estão lutando com um setor lácteo sem competitividade há anos e diante dessa realidade chegam os dólares. Nossos sócios veem com má vontade esse movimento porque querem continuar trabalhando em suas fazendas. Têm filhos que participam do grupo de jovens, são uns 20 integrantes, que procuram se manter no campo e nós os ajudamos do ponto de vista de capacitação e assessoramento, mas o negócio não dá lucro e as novas gerações procuram outras coisas para fazer. E isso não querem nem os filhos, nem os pais. Eles querem continuar trabalho no meio rural”.

A SFRCS possui 900 sócios ativos em um raio de 50 quilômetros, a maioria produtores agropecuários da zona, alguma empresa particular, e poucos sócios que ultrapassam os 50 km com estabelecimentos em Carmelo (Colonia) ou Florida, mas são pontuais e minoritários. A maioria dos sócios, em torno de 90% são produtores de leite.

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