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Globalização E Mercosul Selectus nº 5966

Agroindústria: Um contínuo crescimento global 

Agroindústria – Haja o que houver, se tem algo que em termos de comércio global depois da pandemia irá sobreviver é o mercado de agroalimentos, com atenção voltada para a China, que continua sua etapa de ascensão histórica.

Fonte: ámbito – Tradução livre: Terra Viva
Agroindústria: Um contínuo crescimento global 

Para começar, são 440 milhões de chineses com poder aquisitivo similar à média norte-americana, ou seja US$ 40.000 anuais. É uma nova classe média que todos cobiçam. Um mercado de demanda agroalimentar que cresce continuamente, inclusive durante a pandemia.

Alguns dias atrás, o economista Dani Rodrik elogiou o setor agropecuário argentino. Sustentou que se tratava de um exemplo de inovação. Causou, no entanto, uma polêmica: disse que o trem da industrialização para a Argentina já passou. Que agora será preciso dedicar-se aos serviços.

Rodrik é um dos economistas com maior influência no mundo atual. De origem turca, é professor de Política Econômica Internacional na Escola John F. Kennedy da Universidade de Harvard e suas ideias ostentam uma postura muito crítica sobre a forma como o capitalismo evoluiu (ou involuiu) nos últimos 20 anos. 

A afirmação de Rodrik põe a Argentina em uma posição singular. As incertezas sobre o país nos próximos anos, deveriam descartar o dilema. Não é somente a agropecuária, é a agroindústria, e a partir dela, todos os outros setores que poderão agregar valor.

Está claro que o modelo econômico não pode prescindir do agro, entre outras coisas, e de sua competitividade natural, por seu aporte indispensável de faturamento líquido necessário para o desenvolvimento de toda a economia. 

Da mesma forma, tampouco se pode prescindir de um avanço no desenvolvimento do setor de energia (porque direta e indiretamente melhora a produtividade). Rodrik expõe algo que, claramente, faz parte do debate, não é mais um dilema: emprego-produtividade. O agro é responsável por cerca de 7% do emprego total da Argentina e as divisas geradas chegam ao equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB). É injusto considerar “baixo” porque é cada vez mais importante o setor industrial associado ao agro, onde os alimentos e sua exportação, impulsionam muitas atividades e potencialmente será uma das grandes indústrias da Argentina. Isso deveria entrar no cálculo do professor Rodrik. 

Um assunto tratado no Conselho Agroindustrial Argentino, que esta semana apresentou seu plano às autoridades políticas para aumentar as exportações e reativar a economia. E, justamente, pediram aos Senadores da Comissão de Agricultura, Pecuária e Pesca uma lei para adotar um plano de estabilidade que permita conseguir nos próximos anos, exportações anuais de US$ 100.000 milhões = atualmente está em US$ 65.000 milhões – e 700.000 empregos. Tudo sem subsídios do Estado. 

O setor elenca tudo o que é necessário: ferramentas de políticas institucionais, de relações internacionais, tributárias, financeiras e técnicas (com efeitos fiscais neutros), que deverão surgir depois da criação do Conselho Nacional Exportador com áreas do Governo, que terão funções distintas, segundo exigido por cada segmento.

Como se disse, o momento é singular. As projeções falam de uma contração global para a economia na ordem de 3% este ano, com a renda per capita da população mundial caindo 4% (7.800 milhões de pessoas). 

Pensando em termos produtivos, nem é preciso dizer que se um setor foi favorecido pela pandemia, esse foi o de alimentos que teve aumento da demanda, levando em conta sua condição de setor essencial. 

O dado a ser levado em conta é que, em âmbito universal, o consumo de alimentos aumentou acima dos níveis de 2008-2009, no auge da crise, já que o novo vírus provocou uma corrida excepcional de compras de alimentos, com aumentos de 30% e 40%, em relação ao mais alto do ciclo da última década. 

A reação dos países foi parecida: todas as economias desenvolvidas tiveram de garantir e reforçar a produção agroalimentar. A rigor, basta tomar alguns programas de assistência financeira setoriais, como os US$ 19 bilhões anunciados por Donald Trump, ou a injeção de 30 bilhões de euros da União Europeia (UE) do Fundo da Política Agrícola Comum (PAC), onde a França exerce um grande protagonismo, junto com a Polônia e Espanha.

O impacto da pandemia teve várias consequências: reduziu o consumo em restaurantes e subiu nos supermercados, portanto, vendem-se cada vez mais produtos baratos e menos aqueles de maior valor agregado como carnes, vinhos e também alguns laticínios. A Argentina produz todos, mas é muito mais competitiva nos mais básicos.

Se for preciso traçar uma tendência, haverá de dizer que o Covid-19 parece ter reforçado o que estava surgindo: em um ambiente onde a economia dos EUA retrocedeu 4,8% no primeiro trimestre e 32% no segundo, todos os olhares se voltam para a China. 

O gigante asiático, depois de cair 6,8% no primeiro trimestre, se recuperou no segundo, com crescimento de 3,9%. Precisamente de lá vem uma certeza: com milhões de pessoas demandando produtos da agroindústria, todos eles alimentos, a Argentina tem uma grande oportunidade que poderá se tornar realidade.  

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