Pecuária é responsável por um terço das emissões do N antropogênico
Nitrogênio – Um grupo de pesquisadores, incluindo membros da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Universidade de Wageningen da Holanda, diz que a cadeia pecuária, incluindo a indústria de laticínios, emite 65 trilhões de gramas de nitrogênio no meio ambiente todo ano, o que excede o limite do Planeta.

O relatório da Nature Food, ‘Emissões de Nitrogênio ao longo da cadeia pecuária global’ diz que a maioria das emissões tem origem na produção local de alimentos de origem animal, embora as emissões de Nitrogênio (N) incorporadas no comércio internacional sejam significativas para alguns países importadores.
Dada a magnitude dos impactos do N e seu papel central nos desafios tanto nacional como internacional, os autores disseram que o setor pecuário exige urgentemente uma iniciativa global para combater a poluição por N e, ao mesmo tempo, apoiar a segurança alimentar.
Os pesquisadores disseram que suas análises mostraram que a cadeia pecuária contribuiu com 65 Tg N por ano para as emissões globais de N antropogênico 2010, na forma de NO3- (29 Tg N por ano), NH3 (26 TgN por ano), NOx (8 Tg N por ano) e N2O (2 Tg N por ano). Essas emissões representam aproximadamente 39% do NO3- antrópico liberado nas águas superficiais e subterrâneas, 60% das emissões totais de NH3, 23% das emissões de NOx e 32% das emissões de N2O, globalmente.
Eles estimam que o setor represente cerca de um terço das emissões globais do N antropogênico, e que o total de fertilizantes sintéticos e a fixação biológica de N usados para produzir alimentos para animais (76 Tg N por ano) já atingiram o limite planetário.
Globalmente, as cadeias de fornecimento de leite, carne e derivados, como couros e peles, liberam cerca de 46 Tg N por ano (ou 71% das emissões totais de N de gado), com a produção de ovos e carne de frango e porco contribuindo com os 29% restantes, segundo o estudo.
Os autores acrescentam que, mais especificamente, a cadeia conjunta de bovinos e búfalos sozinhas são responsáveis por 44% do total de emissões de N, com a maior parte ocorrendo no Sul da Ásia. Rebanhos que pastam (de leite e de carne) e porcos (de quintal, intermediário e industrial) respondem por cerca de 16% do total das emissões de N, com os últimos concentrados no Leste e Sudeste da Ásia. A expansão projetada da produção total animal (74%) em regiões de baixa e média renda até 2028 provavelmente aumentará ainda mais as emissões de N nesses sistemas, dizem eles.
Os pesquisadores concluíram que a cadeia de suprimento da pecuária é a maior fonte de emissões de N contribuindo com um terço das emissões globais antropogênicas, com significativos impactos na poluição, mudanças climáticas e perda da biodiversidade. O estudo mostra que as mercadorias comercializadas transportam as emissões incorporadas através das fronteiras.
Eles disseram que as descobertas destacam a necessidade de redobrar a atenção sobre as políticas de poluição das cadeias de suprimento da pecuária e desenvolver iniciativas consistentes com a natureza cada vez mais transnacional da questão.
Em partes do mundo, eles argumentam, a redução na produção e consumo de produtos animais será provavelmente necessária para manter as emissões globais de N dentro dos limites planetários. Acrescentam, no entanto, que essa redução não deve vir prejudicando a segurança alimentar, particularmente em um contexto onde a pecuária tem um importante papel na desnutrição e na construção de sistemas de alimentação resilientes às mudanças climáticas.
















