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Especiais Selectus nº 5879

ONU - Fome global pode dobrar em decorrência do Covid-19

Fome – O número de pessoas que enfrentarão insegurança alimentar aguda pode quase dobrar este ano e chegar a 265 milhões dado o colapso econômico causado pelo Covid-19, disse o Programa Mundial de Alimentos (WFP, sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Fonte: The New York Times – Tradução livre: Terra Viva

O impacto da perda dos ganhos com o turismo, remessa de dinheiro e viagens, entre outras restrições ligadas à pandemia do coronavírus dele levar mais 130 milhões de pessoas a passar fome aguda este ano, se juntando às 135 milhões que já estão nessa categoria.

“O Covid-19 é potencialmente catastrófico para milhões de pessoas que estão no limite”, disse Arif Husain, economista chefe e diretor de pesquisa, avaliação e monitoramento do WFP.

“Precisamos ficar unidos para lidar com isso, porque se não o fizermos, o custo será muito alto – ao nível global serão muitas vidas e inúmeras perdas de meios de subsistência”, falou ele aos repórteres em uma entrevista virtual em Genebra.

Husain disse que a situação é crítica e é fundamental agir rapidamente, e impedir que pessoas já em condições limite, como os fornecedores de alimentos no Quênia, vendam seus ativos, pois poderá levar anos até que se tornem independentes novamente. Em alguns casos, quando os agricultores vendem seus arados e animais, isso pode ter efeitos indiretos na produção futura de alimentos, acrescentou.

“Essas eram as pessoas com as quais estávamos preocupados – estavam bem antes da Covid-19 e agora não mais”, disse ele, acrescentando que estava “realmente muito preocupado” com aqueles que vivem em países com pouca ou nenhuma rede de proteção governamental.

“Crise aguda de alimentos e meios de subsistência” é a categoria três das cinco fases da ONU, que significa “falta crítica de acesso a alimentos e desnutrição acima do normal”.

Categoria 5 significa fome em massa. As autoridades da ONU não deram uma descrição geográfica das necessidades crescentes, mas, disseram que a África, provavelmente, será a mais atingida.    

O WFP projeta necessidade de US$ 10-12 bilhões para financiar a assistência de seus programas este ano, comparado com o recorde de US$ 8,3 bilhões gastos no ano passado, lembrou Husain. Seu plano é recompor os estoques de alimentos nos próximos meses para se antecipar às necessidades crescentes.

Dos que já são considerados famintos, muitos estão em zonas de conflito como na Síria, ou em países seriamente impactados com as mudanças climáticas, segundo um relatório da ONU.

Mesmo antes da pandemia de coronavírus, os gafanhotos do deserto haviam destruído as plantações no Leste da África, aumentando o número de pessoas dependentes de ajuda alimentar.

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