Pular para o conteúdo
TerraViva TerraViva®O site do agronegócio do leite desde 1995
Piracanjuba
Especiais Selectus nº 5873

Setor lácteo vive situações adversas

Pandemia – O setor lácteo mundial não apresenta sinais positivos. Ainda que a China comece a dar os primeiros passos para a recuperação depois do surto COVID-19, é muito incipiente e não é muito animador.

Fonte: Portalechero - Tradução livre: Terra Viva

O que se sabe é que um setor sensível como o lácteo não está bem em nenhuma parte do mundo, e nas regiões onde a pandemia atinge seu ponto mais alto sentem de forma particular. Enquanto isso, produtores e indústrias tentam resistir.

Nos últimos dias o Observatório da Cadeia Láctea da Argentina (Ocla) divulgou uma série de artigos de analistas ou publicações internacionais destacando as difíceis situações do setor no mundo todo.

No dia 2 de abril a associação inglesa AHDB publicou uma análise de Patty Clayton sobre a queda dos preços aos produtores no Reino Unido, no dia seguinte foi o relatório da Dairy News sobre a União Europeia (UE), no dia 4 de abril o artigo de P.J.Huffstutler na Reuters sobre a queda do mercado nos Estados Unidos e na quarta-feira, 8, uma nota da Farmers Weekly sobre o último Leilão da Fonterra.

O setor lácteo mundial se encontra em um território desconhecido e poderá enfrentar três ondas diz agora o relatório “Atualização do Coronavírus” do RaboResearch.

O cenário internacional agrega muitas incertezas.

A analista do Rabobank, Mary Ledman, descreve o panorama lácteo em três ondas:

1 – Já em curso, a primeira é um aumento na demanda interna de lácteos impulsionada pela compra de pânico durante os primeiros meses dos problemas de saúde e restrições de viagem à medida em que os consumidores se isolam em casa. A demanda varejistas está ajudando a compensar uma parte da queda da demanda pelos serviços de alimentos. Mais de 45% da produção de queijos dos EUA é utilizada no canal de serviço de alimentos e aproximadamente 50% desse mercado desapareceu.

2 – Depois vem a menor demanda do varejo e os maiores desafios logísticos e financeiros. A esperança e de que os consumidores retornem às lojas para satisfazer suas necessidades. O impacto prolongado nas vendas menores para os serviços de alimentos, o pico sazonal da produção de leite no hemisfério norte e uma desaceleração significativa no comércio mundial contribuirão para o aumento dos estoques de produtos lácteos, pressionando os preços para baixo e, como resultado o preço ao produtor. A capacidade de processamento e a disponibilidade de armazenamento serão ampliadas, enquanto que a liquidez será “maximizada”.

3 – A terceira onda, de mais longo prazo, inclui a provável recessão global e perda generalizada de faturamento, entre outros fatores, que poderão manter sob pressão os preços dos produtos lácteos e o preço do leite ao produtor em 2021. Entretanto, um maior uso de produtos lácteos ricos em nutrientes poderia entrar para os programas governamentais de assistência alimentar e com isso aumentar o consumo.

Em reconhecimento das condições da oferta e demanda que mudam rapidamente, o Rabobank ajustou a perspectiva trimestral anterior, advertindo que qualquer prognóstico pode caducar rapidamente. A última perspectiva, a partir de 7 de abril, projeta preços do leite para 2020 pelo menos 30% mais baixos do que os níveis anteriores ao COVID-19.

Em torno de 40 a 50% da produção de leite dos EUA está coberta por programas de gestão de riscos o que proporciona certa proteção diante das quedas, e é provável que os pacotes de ajuda governamental também incluam algum apoio. Sem dúvida, o impacto negativo no mercado do COVID-19 poderá atingir significativamente os produtores e acelerar a concentração de fazendas leiteiras, advertiu Ledman.

Lembrou também os danos significativos causados ao comércio mundial de produtos lácteos, principalmente com problemas logísticos e de trabalho, a contração das importações chinesas, a queda no preço do petróleo que irá reduzir o poder aquisitivo de países exportadores do óleo bruto, e por fim, a debilidade da economia global.

A intervenção dos governos terá um papel chave na intensidade dos danos das ondas no setor lácteo, disse Ledman. Nos EUA, as ferramentas podem ser compras adicionais de produtos lácteos por parte do governo, compensação aos produtores, a reabertura do programa de garantia das margens, a implementação de um programa voluntário de gestão dos suprimentos e linha de crédito para gerenciar o capital de trabalho.

Comércio mundial de lácteos

Uma boa notícia, foi o índice de preços do Global Dairy Trade (GDT) do dia 7 de abril, que subiu. Pequenos aumentos na maioria das principais categorias de produtos fizeram com que o índice geral chegasse a +1,2%.

EUA: Os preços de março do leite Classe III e Classe IV caíram

O Leite Classe III e o Classe IV continuaram caindo no mês de março.

O leite Classe III perdeu US$ 0,75 em relação a fevereiro, e foi pago a US$ 16,25/cwt. Ainda assim está US$ 1,21 maior que em março de 2019. Entretanto, é o menor valor desde abril de 2019.

O preço do leite Classe IV de março foi US$ 14,87/cwt, caindo US$ 1,33 em relação a fevereiro. Também foi US$ 0,84 menor do que o valor pago em março de 2019, e é o mais baixo desde setembro de 2018.

O problemas continuarão a reverberar durante meses

O economista chefe da Federação Nacional dos Produtores de Leite (NMPF), Peter Vitaliano, disse que atual tristeza criada pelo coronavírus sobre os preços dos produtos lácteos, tal como se verifica nos mercados futuros, pode ser exagerada, mas, a dor que sentirão os produtores nos próximos meses será real. Os preços mais baixos serão revelados na hora de pagar o leite.

“Não estou seguro de que estas circunstâncias incomuns serão resolvidas no futuro”, disse Vitaliano. O preço do leite maior pago no varejo “ainda não chegou aos produtores de leite”, disse. “Isso ocorrerá nos próximos meses porque todas as previsões indicam que vamos chegar ao mínimo em maio e junho”. 

Plano da Crise do Leite

Enquanto aplaude o Plano da Crise do Leite” da NMPF e da Associação Internacional de Alimentos Lácteos (IDFA) a American Dairy Coalition (ADC) recomenda mudanças na proposta para garantir que as reduções de produção de leite pedidas em virtude do plano sejam aplicadas de forma justa.

“Todos os atores da cadeia (produtores, processadores, varejistas e indústrias afiliadas) estão lutando para evitar o colapso da indústria pelo COVID-19”, disse Laurie Fischer, diretor executiva da ADC, em comunicado emitido no dia 7 de abril. “Muito do Plano da Crise do Leite merece aplausos: lembra, entretanto, sem rodeios o colapso causado pela queda das vendas para restaurantes, escolas e a crescente demanda do supermercados. É preciso buscar o equilíbrio entre a oferta e a demanda o mais rápido e eficiente possível”.

“Um erro fatal” na proposta pode provocar mais dados ao mercado, do que trazer soluções, advertiu.

Segundo a proposta, os produtores de leite receberão a mais US$ 3/cwt pela redução de 10% de sua produção em relação a março de 2020.

“Infelizmente, o ponto arbitrário de março não é uma referência válida”, disse Fischer. “Para que a indústria tenha um impacto significativo e efetivo no mercado, a produção precisa de uma linha de base diferente: deve ajustar-se sazonalmente e por regiões específicas”.

Fischer disse que pedir aos produtores redução de 10% em sua linha base de produção de leite de março significará essencialmente, pouco ou nenhuma mudança no estoque de produtos lácteos do país, já que essa quantidade já está incorporada devido à redução da produção relacionada às temperaturas mais quentes do verão. Além do mais, uma proposta única para todas não leva em conta diferenças geográficas integradas na indústria, disse.

G100
Publicidade
Tirolez
Publicidade
Arla Foods Ingredients