Pular para o conteúdo
TerraViva TerraViva®O site do agronegócio do leite desde 1995
Piracanjuba
Especiais Selectus nº 5871

Coleta de amostras e análise do leite cru na propriedade

Coleta de Amostras - Processo ganha status de importância máxima neste novo cenário das Instruções Normativas.

Fonte: Apil

 

Por Andrew Jones

 

Amigos produtores de leite e laticinistas, vocês já avaliaram a importância que a amostragem do leite na propriedade passou a ter com a nova legislação para a coleta de leite a granel? O quanto esta atividade rotineira passou a determinar que bonificações sejam concedidas ou penalizações possam acontecer de forma drástica ao longo deste processo? 

 

O assunto qualidade do leite não é nada novo: diversas Instruções Normativas (INs) vem, ano a ano, sendo implementadas com o objetivo maior que é o de “dar garantias ao consumidor final dos produtos lácteos de que ele está consumindo um produto saudável e que trará benefícios à sua saúde além de sensações agradáveis no ato do consumo, seja pelo sabor, odor, textura, entre outros”.  

 

Afinal de contas, para que a cadeia produtiva do leite se sustente, ela depende de uma rede de consumidores fiéis e crescentes ao longo da vida. Costumamos dizer que a marca é o maior patrimônio de uma empresa (depois dos seus funcionários). 

 

Se considerarmos a cadeia leiteira como um todo, podemos fazer uma analogia que nossa marca se chama LEITE e toda vez que fatos negativos a respeito do nosso setor vêm à tona na mídia, eles afetam a todos nós, do produtor ao consumidor. Para que tenhamos qualidade no produto final, o primeiro passo é produzir leite nas propriedades obedecendo às regras de Boas Práticas de Produção de Leite, cumprindo assim as INs estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) (atualmente são as INs 76 e 77).

 

Vale lembrar que “só existe produto lácteo de qualidade se este for elaborado a partir de leite de qualidade produzido dentro da propriedade”. Ou seja, depois que o leite sai do úbere da vaca, passamos a contar o shelflife deste produto, ou seja, é aberta a contagem do ciclo de vida do produto lácteo até o seu consumo ou descarte.

 

Com a implantação das normativas atuais, em que o produtor pode vir a ser impedido de vender o leite de sua propriedade, no caso de estar fora dos índices de padrões previstos pela legislação, ficou bem claro que a cadeia quer leite com qualidade. 

 

“Comumente diria que o produtor de leite que preza pela qualidade do leite que produz é o produtor que utilizaria o leite de sua propriedade para ele e sua família.”

 

Agora entramos na questão mais delicada do tema, a análise do leite cru dentro da propriedade, pois como citamos anteriormente, o resultado desta análise pode não apenas barrar o fornecimento do leite ao laticínio como, em alguns casos, afetar o valor recebido pelo leite, uma vez que há laticínios que remuneram o produtor considerando a qualidade e o teor do leite.

 

Uma questão que tem causado desconforto entre produtores e indústrias é a coleta das amostras nas propriedades pelos transportadores, pois o resultado desta análise pode barrar o fornecimento de leite ao laticínio, além de causar perdas de valores ao produtor nos casos em que o laticínio bonifica o produtor pela qualidade do leite. 

 

Para isso os transportadores são constantemente treinados e capacitados para garantir que os resultados das análises representem corretamente o leite da propriedade. Antes da transferência do leite do resfriador para o caminhão transportador, o motorista do laticínio fará uma coleta da amostra deste leite, ou seja, uma pequena porção de leite será coletada e representará o conteúdo de todo o leite do resfriador. 

 

Essa amostragem deverá ser realizada por meio de processo técnico predefinido, de forma que a amostra seja representativa do todo. Após a amostra ser coletada pelo adequado processo de amostragem, esta deve ser acondicionada corretamente e transportada o mais rápido possível até o laboratório oficial credenciado pela Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL). 

 

Essa amostra passará pelo processo de análise, ou seja, exame detalhado do leite que quantifica numericamente as diversas características da amostra, as quais serão comparadas com os índices preconizados pela legislação. 

 

É importante citar o trabalho da RBQL neste processo. Nos últimos anos, estive visitando vários laboratórios da rede no Brasil e percebe-se que eles estão cada vez mais bem equipados com máquinas e pessoas capazes de efetuar o processo de análise da amostra do leite em tempo hábil e com altíssimo grau de confiabilidade. 

 

Raros são os fatos relativos a desconforto entre os laboratórios da RBQL e os laticínios. Também convém citar que os equipamentos que realizam as análises de leite passam por ajustes de acordo com cada região e sazonalidade. 

 

Frequente, também são efetuadas auditorias do MAPA nos laboratórios da RBQL. Minha dica aos laticínios: é importante investir em capacitação constante dos transportadores, pois são eles que entram diariamente na propriedade e representam a “cara” da sua empresa. 

 

Da mesma forma, você produtor de leite, mantenha seu ambiente de produção limpo e organizado, pois também ele é a “cara” do seu modo de trabalhar dentro da propriedade. Outras importantes atividades também são realizadas pelo transportador de leite, tais como: medição da temperatura do leite, teste alizarol e de antibióticos no leite. 

 

Isso só reforça a importância da transparência na relação entre transportador e produtor. Pois bem, as regras estão estabelecidas por meio das normativas legais, então cumpra-se. Com isso, certamente a cadeia produtiva do leite se fortalecerá cada vez mais!!!

 

Coleta de amostras e análise do leite cru na propriedade

Andrew Jones é engenheiro agrícola e

diretor da Ajagro, empresa de consultoria especializada

em pecuária de leite.   

 

G100
Publicidade
Tirolez
Publicidade
Arla Foods Ingredients