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Especiais Selectus nº 5858

Competição acirrada entre indústrias mantém preços firmes no campo

Preço Cepea - A disputa entre indústrias para assegurar a compra de leite no campo vem sustentando as cotações ao produtor em altos patamares durante este primeiro trimestre.

Fonte: Cepea

De acordo com pesquisa ainda em andamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o preço pago ao produtor em março (referente à captação de fevereiro) deve registrar nova elevação, ainda que menos intensa que a observada nos meses anteriores. O último preço fechado é o de fevereiro (referente ao volume captado em janeiro), de R$ 1,4175/ litro na “Média Brasil” líquida. Este valor foi 3,6% (ou quase cinco centavos) maior que o do mês anterior.

A valorização do leite ao produtor está atrelada à oferta limitada de leite no campo. A pesquisa do Cepea mostrou que a captação das empresas voltou a cair de dezembro para janeiro em todos os estados: o Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea recuou 3,7% na “Média Brasil”. A menor disponibilidade de leite no que seria o período sazonal de safra está atrelada principalmente à instabilidade climática e às fortes variações nos regimes de chuvas. Ainda no ano passado, o atraso das chuvas da primavera no Sudeste e Centro-oeste limitou o crescimento da produção, impedindo que os preços caíssem. Neste início de ano, a forte estiagem prolongada na região Sul do País prejudicou a atividade agropecuária como um todo.

O estresse calórico,a menor disponibilidade de pastagens e os prejuízos no plantio do milho para silagem devem antecipar a entressafra leiteira na região. Ressalta-se que fatores conjunturais, em especial os atrelados ao custo de produção, também têm influenciado a produção de leite. O aumento do preço do concentrado, puxado pela constante valorização dos grãos, tem impactado negativamente a tomada de decisão dos pecuaristas nos últimos meses. Ao mesmo tempo, o abate de vacas leiteiras foi estimulado pelos elevados valores no mercado de gado de corte. Também é importante destacar que, frente às dificuldades de anos anteriores, os investimentos de longo prazo para a produção leiteira foram comprometidos, o que têm limitado o potencial de crescimento da atividade no presente.

A grande dificuldade do setor está em conseguir, neste cenário de oferta restrita, fazer o repasse da alta da matéria-prima aos derivados. A retomada do consumo está lenta e os negócios foram considerados fracos em fevereiro e normais na primeira quinzena de março. A pressão das redes atacadistas e varejistas tem limitado a valorização dos derivados lácteos, o que tem gerado bastante oscilação de preços. De 2 a 16 de março, os preços médios do UHT e da muçarela recebidos pelas indústrias em São Paulo registraram altas acumuladas de 2,1% e de 0,9%, respectivamente. No entanto, as cotações do leite em pó caíram 2,5% da primeira para a segunda semana de março.

Por Natália Grigol

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