Rabobank projeta a ressaca do corona
COVID-19 – O surto de coronavírus é um evento significativo que pesa sobre os humores do mercado e as perspectivas para 2020, de acordo com a primeira análise trimestral do Rabobank.
A hipótese mais provável é que as interrupções ocorridas na China serão normalizadas até o final do segundo trimestre de 2020. Assim sendo, o Rabobank prevê que a recessão global pode impactar negativamente a demanda de lácteos nos próximos meses, mais do que o previsto anteriormente. A queda no número de turistas já está impactando o setor de food service em muitos mercados e mais particularmente no Sudeste Asiático, uma região particularmente vulnerável.
Entretanto, o Rabobank acredita que houve mudanças nos fundamentos do mercado global. A redução significativa das importações chinesas no primeiro semestre de 2020 reflete nos estoques globais. A previsão é que o volume importado pela China caia 19% em 2020. Isso se baseia na menor demanda nos canais de varejo e de food service, no aumento dos estoques de leite em pó, dos elevados estoques de transição e expansão da produção local de leite em 2020.
É essencial avaliar isso dentro do contexto histórico. Não se espera que a redução prevista nas importações da China em 2020 seja tão severa quanto a ocorrida em 2014/2015, que resultou no declínio das importações em equivalentes leite da ordem de 35% em 12 meses.
Nesse cenário, a produção de leite está crescendo em regiões exportadoras. A produção combinada dos BIG-7 ganhou impulso no final de 2019. No quarto trimestre de 2019 o crescimento foi 0,8%, o maior ganho trimestral desde o terceiro trimestre de 2018. Ainda assim restrições de crescimento persistem em regiões significativas.
O fluxo de leite da primavera na União Europeia (UE) e Estados Unidos (EUA) será a chave decisiva para os mercados globais. Em circunstâncias normais, a previsão do crescimento dos excedentes exportáveis de 2020 não seria suficiente para sobrecarregar os mercados globais. Mas, com a ausência da China, haverá o risco de excesso da oferta no curto prazo.
Existem alguns fatores que podem equilibrar o mercado. O impacto da seca na Ilha Norte da Nova Zelândia irá limitar a disponibilidade de leite no final da temporada. Isso compensa em parte a redução das vendas para a China. Com isso o recuo dos preços foram relativamente modestos.
Com cotações globais mais baixas e demanda chinesa fraca, existe a oportunidade para os compradores adquirirem commodities a preços menores do que o esperado.
O Rabobank não fez uma revisão significativa em relação às expectativas para a demanda no mercado global – o que representa um risco.
O apetite da Índia por importações é crucial e pode representar um suporte aos preços. O governo indiano ainda está discutindo com a indústria possíveis importações de leite em pó desnatado, o que poderá dar um alívio aos mercados globais.
Este início de ano presenciou preços fracos, e não está descartada a possibilidade mais quedas ainda. No entanto, nesta fase, não é esperado um ciclo de queda significativo (superior a uma correção de preço de curto prazo de 25%), salvo uma escalada extrema da epidemia ou uma depressão prolongada nos preços globais do petróleo.
















