Fórum do Leite aproxima o produtor da pecuária de precisão
Pecuária Leiteira de Precisão - Um tema ainda pouco falado no Brasil levou centenas de produtores ao pavilhão central da Expodireto nesta quarta-feira (4) em Não-Me-Toque.
A palestra de abertura do Fórum do Leite “Pecuária Leiteira de Precisão: Escutando as Vacas”, realizada pelo catarinense João Costa, professor assistente do departamento da área de lácteos da Universidade de Kentucky (EUA), prendeu por quase duas horas a atenção dos presentes.
Ao longo da manhã, Costa mostrou como o uso de sensores, análise de dados, controles e a tecnologia aplicados ao cuidado com o rebanho pode revolucionar uma propriedade. Ainda que o tema possa parecer distante dos produtores brasileiros, parte do que Costa apresentou ou já é parcialmente adotado ou deverá ser. Basicamente, o monitoramento individual do rebanho com sensores permite encontrar os animais no cio, identificar precocemente vacas doentes (casos de mastite, por exemplo), controlar a nutrição e o comportamento no pasto.
Com a abertura do setor lácteo da China para o Brasil, em 2019, e a competição com os grandes players mundiais, como Nova Zelândia, as exportações e o avanço da qualidade do leite produzido aqui precisará mudar de patamar, assegura Costa.
“O leite é cada vez mais uma commodity. Para ter ganhos melhores, o produtor precisa de gestão e tecnologia. Quem aqui não tem uma planilha de Excel cheia de dados e nunca fez nada com eles? Ninguém fica rico só produzindo dados, temos que traduzir e entender como levar esses dados para o manejo”, alertou Costa.
Especialista do setor de ciências lácteas da Universidade de Kentucky, Costa citou como tendências para o Brasil a realidade do rebanho de vacas da fazenda que administra nos Estados Unidos. “Cada vaca da propriedade tem oito sensores, desde os que emitem alerta sobre entrada no cio aos de movimentação, ruminação e saúde. Mas só é eficiente porque observamos o que cada um desses dados nos dá sobre a saúde do animal, levando as informações para a decisão de como será o manejo, depois para a tática e estratégia do negócio”, ressaltou o professor.
O presidente da CCGL, Caio Viana, também ponderou que a atividade leiteira hoje exige um novo posicionamento em termos de controles, ações preventivas, escala, eficiência e produtividade. O que não está ligado ao porte da empresa, mas às atitudes do produtor.
“As mudanças são rápidas e temos que atualizar o produtor brasileiro sobre o que ocorre no setor ao redor do mundo. O fórum tem entre suas preocupações debater o futuro da atividade leiteira. Ainda que a tecnologia não seja a solução para o manejo, ela com certeza é parte importante para melhorá-lo”, destacou Viana.
















