O coronavírus impacta na cadeia láctea chinesa
Lácteos – O coronavírus está afetando a economia chinesa, e pelo peso que esta tem no mercado mundial, os efeitos atingem vários pontos do mundo. Os lácteos não escapam dessa situação. Sandy Chen, analista sênior de lácteos do Rabobank, analisou os possíveis efeitos no mercado mundial de produtos lácteos, e que eles não podem ser ignorados.
“O impacto da epidemia na demanda de produtos lácteos deveria ser de curto prazo”, mas, advertiu que “a incerteza sobre a duração real do impacto e o persistente reflexo psicológico poderão ocasionar danos significativos ao consumo, que longo afeta o processamento, a produção e a importação”.
Os produtos lácteos, que tradicionalmente são comprados para eventos comemorativos foram afetados gravemente. O Rabobank estima que, em 30 dias, o impacto do coronavírus poderá representar redução de 2 a 4% no consumo de leite fluido na China.
Também, se for levado em consideração que o consumo de queijos na China é através dos canais de serviços de alimentos, o Rabobank entende que em 30 dias as importações poderão ter redução de 5%.
Chen disse que a captação de leite cru e o reabastecimento dos processadores ficaram atrasados em decorrência dos rígidos controles e escassez de mão de obra depois do Ano Novo Chinês.
Ao nível das fazendas, são os estabelecimentos pequenos e médios que sofrem os maiores golpes.
O governo alerta sobre a importância de se manter a oferta de alimentos estável, em termos de produção, distribuição e logística, o que pode exercer maior pressão, do que o habitual, sobre o preço dos lácteos.
Chen disse que em 2019 a China importou quase 670.000 toneladas de leite em pó integral (+30%), e um recorde de 340.000 toneladas de leite em pó desnatado (+23%). Inicialmente, o Rabobank esperava que as importações da China no primeiro semestre de 2020 cairiam 3% e cresceriam 1% durante todo o ano.
Mas, o coronavírus impôs mudanças no prognóstico do Rabobank, que agora projeta um 2020 com queda de 1% na demanda total de lácteos, podendo representar potencial redução de 11% nas importações. Se a demanda total de lácteos cair 5%, as importações poderão ser 25% menores em 2020.
E faz uma advertência: “o grande impacto no serviço de alimentos, os efeitos colaterais poderão impulsionar os exportadores desse segmento a mudar parte da produção de queijo, manteiga e creme para leite em pó integral e desnatado, o que resultaria em maiores estoques no mercado mundial”.
O diretor do mercado de lácteos da consultoria INTK FCStone, Nate Donnay, lembrou que nos próximos 12 meses os lácteos chineses poderão ter uma queda de 3 a 10% nos preços devido ao coronavírus.
















