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Especiais Selectus nº 5822

O leite em 2020: mais produção, sem esforço exportador

Produção/AR – Depois de um 2019 que fechou encolhendo 1,7% em volume de leite ordenhado, e quase mil fazendas leiteiras a menos, as primeira projeções para o corrente ano são boas no aspecto produtivo mas, nem tanto no que se refere à rentabilidade da atividade.

Fonte: Agrovoz – Tradução livre: Terra Viva

Com base em informações prestadas por 19 empresas que processam 60% do leite produzido no país, o Observatório da Cadeia Láctea Argentina (Ocla) estimou que este ano poderão ser produzidos 10.575 milhões de litros.

Isto significa 2,2% de crescimento em relação aos 10.343 milhões de litros do ano passado, e o maior volume em cinco anos, e apenas ligeiramente acima dos 10.526 milhões de litros de 2018.

O Ocla espera um forte crescimento nos dois primeiros trimestres e uma evolução mais lenta na segunda metade do ano.

Argentina - Estimativas do aumento percentual da produção de leite

O leite em 2020: mais produção, sem esforço exportador

Fica claro que as estimativas “estão sendo elaboradas em um cenário econômico muito turbulento e imprevisível, e com as previsões das condições climáticas disponíveis”. Também explicou que “os percentuais de crescimento são maiores no primeiro e segundo trimestre já que se comparam com uma base muito baixa de 2019”.

A médio prazo, haverá uma estabilização. A cifra que se espera para 2020 não difere demasiado dos 10.329 milhões de litros de 20 anos atrás.

O leite em 2020: mais produção, sem esforço exportador

“No longo prazo (1970-2020), a Argentina cresceu a uma taxa de 0,5% maior que a taxa da produção mundial, com um desempenho muito bom na década de noventa, com taxa de 7,2% por oito anos consecutivos. Mas, desde então, a taxa foi de apenas 0,1%, quando a produção mundial cresceu 1,8%”, compara o boletim.  

Exportações sem impulso

Mas esta expectativa de alta na produção não significa que a atividade irá melhorar. Acontece que um dos principais pilares necessário para recuperar a rentabilidade é o comércio exterior e, segundo outro relatório elaborado pela Ocla, não existe incentivos para retomada das exportações.

No ano passado, foram exportadas 301.253 toneladas de lácteos (principalmente leite em pó), 10% menos que em 2018. Em decorrência da ligeira melhora dos preços, o setor faturou 919,2 milhões de dólares pelas vendas ao exterior, 8,8% menos do que no exercício anterior.

O quadro da situação estabelecido pelo Ocla não é alentador: “É provável que as exportações, desde janeiro, não apresentem altos registros em função da menor produção sazonal, e sobretudo porque o principal produto de exportação (leite em pó), teve incremento importante dos direitos de exportação, o câmbio oficial se mantém fixo apesar da continuidade do processo inflacionário e o dólar não oficial continua subindo”.

“E mesmo com o aumento do preço internacional, ainda é pouco atrativo para a competitividade das variáveis econômicas da Argentina”, ressalta o organismo.

O problema é que, “esta situação de menor incentivo à exportação de lácteos, se não for compensada com aumento nos níveis de consumo interno, pode gerar resultados negativos para os dois principais elos da cadeia láctea: produção primária e indústria”.

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