2020 começa com leite mais valorizado, mas pressionado pelos custos de produção
Leite valorizado - A oferta mundial de leite deve fechar 2019 com um tímido crescimento. A produção dos principais países produtores deve crescer próximo a 1%. Esse cenário de oferta limitada fez com que os lácteos se valorizassem ao longo do ano.
Os preços do leite em pó integral, que no início de 2019 estavam cotados a US$2.705/tonelada, tiveram forte valorização, passando para US$3.250 entre março e maio. No restante do ano, apesar de oscilações, os preços permaneceram acima dos US$3.000, contabilizando alta de 15% no ano. Para o leite em pó desnatado, o patamar de preços ficou próximo a US$2.450/tonelada em grande parte do ano. Entretanto, a partir de outubro os preços apresentaram valorização, fechando 2019 cotado a US$2.867/tonelada, alta de 30% no ano. A manteiga, por outro lado, apresentou trajetória oposta. Após alta no início do ano, que elevou as cotações para cerca de US$5.245/tonelada entre abril e maio, o produto se desvalorizou ficando próximo a US$4.050 a partir de agosto, o que resultou em uma desvalorização no ano de 5%.
Para 2020, a expectativa é de baixo crescimento na oferta e demanda internacional ainda aquecida, o que deve manter os preços internacionais firmes pelo menos nesse primeiro semestre. No mercado interno, 2019 apresentou um comportamento de preços do leite diferente do padrão histórico. Para o produtor, depois de um primeiro semestre de preços mais valorizados em relação a anos anteriores houve forte queda na entressafra (julho e agosto), mas mantendo-se com pequenas variações no restante do ano. Na média, o preço real líquido ao produtor ficou em R$1,43/litro, alta de R$0,10 em relação a 2018, sendo o maior valor médio desde 2011. O aumento real nos preços do leite melhorou a relação de troca ao produtor. Mesmo com uma alta nos custos, principalmente com o encarecimento dos grãos na parte final do ano, na média de 2019 foram necessários 34 litros de leite para aquisição de uma saca de 60kg de mistura (70% milho e 30% soja), valor 10% menor sobre 2018. No atacado, os preços do leite UHT e da muçarela também apresentaram comportamentos distintos do padrão normal dos últimos anos. Os laticínios, apesar de algumas tentativas, não tiveram êxito em repassar preços, principalmente no leite UHT. Em 2019, a média de preços do UHT em São Paulo ficou 3,5% abaixo da média do ano anterior. Já a muçarela ficou com preços mais estáveis ao longo de quase todo o ano, com valorização mais consistente somente no final de 2019. Na média do ano, os preços ficaram 0,7% abaixo dos praticados em 2018.

No varejo, os dados do IPCA mostram uma situação semelhante ao atacado. O UHT apresentou queda acumulada de 2,4% e os queijos, que incluem outros tipos além da muçarela, apresentaram valorização de apenas 1,3% no ano, bem abaixo do índice geral do IPCA que acumulou alta de 3,7%.
A balança comercial registrou queda de 9% nas importações e de 2,8% nas exportações. O saldo final resultou na entrada de um volume pouco superior a 1 bilhão de litros equivalente e um déficit de quase US$400 milhões no acumulado de 2019. Para 2020, as expectativas são novamente positivas. O projetado crescimento da economia deve ajudar a impulsionar o consumo de lácteos, mesmo que lentamente. As importações enfraquecidas em função do câmbio e das cotações internacionais mais valorizadas, associada a uma expectativa de produção nacional limitada, permitem projetar um mercado interno com preços ao produtor mais firmes nesse início de ano e com um comportamento mais alinhado ao padrão histórico sazonal ao longo de 2020. O alerta fica por conta do custo de produção, principalmente pelo aumento dos preços do milho e da soja que encontram-se acima dos praticados no início de 2019 e, com base no mercado futuro, devem ficar mais elevados durante todo o ano.
















