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Especiais Selectus nº 5802

Resistência antimicrobiana: um problema que também ameaça a produção

Resistência microbiana – O aumento do surgimento de cepas resistentes aos antibióticos preocupa o mundo todo, tanto na saúde humana, como animal.

Fonte: CampoLitoral – Tradução livre: Terra Viva

O Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) de Rafaela começou pesquisar qual é a situação das fazendas da bacia leiteira de Santa Fe. Segundo relatório elaborado durante o Seminário sobre Ciência e Saúde, em 2016, em Boston, nos Estados Unidos, atualmente, as infecções por bactérias são a segunda causa morte humana no mundo e é possível que essa cifra, em 2050, chegue a 10 milhões de pessoas.

O problema não é alheio à produção pecuária, e a nível internacional, houve mudança de foco unindo a medicina humana com a veterinária para combater o problema, já que a resistência gerada em bactérias de animais pode ser transmitida a humanos e vice-versa. “As resistências são transmissíveis de maneira horizontal e vertical entre as bactérias”, explica Ana Molineri, veterinária e epidemiologista que trabalha na área de saúde animal do INTA Rafaela, onde começou uma pesquisa para detectar resistências nas fazendas da região.

“Nós já trabalhamos na resistência a antibióticos em patógenos de mastite, agora o tema se converteu em um “boom” internacional sobretudo pela quantidade de resistência a antibióticos em humanos”.

Recentemente, foi colocado foco na produção intensiva de animais, onde muitas vezes há o uso abusivo de antibióticos, gerando problemas que podem afetar a saúde de animais e humanos, em conjunto.

“Existem muitos problemas na saúde humana que são conhecidos, de casos de pessoas que adquirem infecções hospitalares que não podem ser tratadas com nada”, disse Molineri e atribuiu ao mau uso que se faz em nosso país deste recurso: “no resto do mundo não há venda livre de antibióticos como aqui, que qualquer um pode ir à farmácia e comprá-los. Fora é muito mais controlado o uso e os médicos não receitam tão facilmente”.

No caso da medicina veterinária, a ideia é que houve queda no uso em produções intensiva de porcos e aves, onde eram utilizadas frequentemente como promotores de crescimento ou para prevenir enfermidades. “Em outros países o uso já foi proibido e, em nosso país está sendo eliminado aos poucos nestas produções. Em bovinos também o uso de alguns antimicrobianos e promotores de crescimento, vem sendo mais restrito. Na fazenda, por exemplo, não se usam estes promotores”, explicou a pesquisadora.

A pesquisa

“Nossa ideia é fazer um levantamento inicial, observacional, para ver como é a situação das produções de leite na região. O objetivo é quantificar quanto de antibiótico se usa, tanto para bezerros como para vacas em produção e avaliar as resistências a que se pode chegar”, explicou Molineri. Para isto, utilizam certas bactérias indicadoras como a Escherichia coli que tem a particularidade de ser transmissível a outras.

Iniciamos, este mês, o levantamento em campo, e já foram visitados 59 estabelecimentos. A ideia é chegar a 100. “Queremos chegar à maior quantidade de fazendas possível para este estudo inicial, coletando amostras e realizando pesquisas, para entender as práticas de manejo, que antibióticos utilizam, etc”, disse a pesquisadora e destacou que este estudo transversal continuará nestes estabelecimentos durante um ano. o que permitirá traçar um quadro da situação.

Uma vez que tenhamos os resultados, esclareceu Molineri, ainda que não possa ser feita uma associação direta de como os níveis de resistência a antibióticos em bovinos podem afetar os humanos, é necessário levar em consideração que se existe a presença de bactérias resistentes nos efluentes da fazenda que vão para o meio ambiente, existe a possibilidade de que seja transmitida para bactérias humanas.

O principal objetivo das conclusões da pesquisa será o posterior estabelecimento de medidas adequadas de controle e estratégias para reduzir o uso de antibióticos, reduzindo o uso inadequado ou excessivo. “A ideia é retornar as informações para os produtores, mas, também aos colegas veterinários que prescrevem terapias. A tendência no mundo é praticamente de deixar de usar antibióticos. Devemos ter consciência do risco que corremos, porque ficaremos sem tratamento para nós mesmos. Em saúde animal, existem pessoas no campo, que acreditam que colocando antibiótico na água o bezerro crescerá melhor, mais gordo e isso não tem nenhum sentido”, advertiu a veterinária.

SENASA cria uma comissão para combater a RAM

O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (SENASA) convocou um encontro entre o setor produtivo privado e membros de entidades públicas nacionais para coordenar ações conjuntas. Esta integração busca preservar os antimicrobianos como ferramenta terapêutica tanto na saúde pública, como para sanidade animal, através do uso racional e prudente. 

Federico Luna, diretor de Produtos Veterinários do SENASA, expôs no primeiro encontro que foi realizado no mês passado, o alcance desta proposta, relacionando os principais objetivos e pilares desta comissão, entre os quais, destacou a comunicação e difusão, que serão discutidos e analisados nos encontros posteriores para unificar critérios e reunir esforços.

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