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Globalização E Mercosul Selectus nº 5724

Crise ambiental gera ao Brasil risco de embargos temporários da Europa

Risco de embargos - O Brasil corre risco de sofrer embargos temporários de países europeus em consequência das queimadas na Floresta Amazônica.

Fonte: DCI

Especialistas acreditam que movimento pode gerar pressão por preços de commodities agrícolas.

“Em um momento de negociação de um acordo comercial, não é interessante dar munição ao outro lado. Podem ocorrer pressões e até mesmos embargos temporários. Mas não deve ser algo permanente, mas mais como um sinal”, avalia o diretor de Commodities da INTL FCStone, Glauco Monte.

Ele acredita que por ser muito difícil encontrar produtores que substituam o Brasil, essas retaliações não devem ser de longo prazo, mas podem prejudicar o Mercosul como um todo em um momento que o bloco negocia um acordo de livre comércio com a União Europeia. “É difícil encontrar outras origens para todos os produtos que o País exporta. Um embargo ocorreria mais por pressão por preços.”

O presidente executivo da INTL FCStone no Brasil, Fabio Solferini, também vê possibilidade da negociação ser afetada, mas acredita que a situação deve chegar a um ponto de acomodação. “As duas partes já estão baixando o tom. Já houve uma sinalização de ajuda do G7 e há uma expectativa que o governo brasileiro comunique medidas de combate às queimadas.”

Durante evento realizado em São Paulo (SP) na segunda-feira (26), Monte declarou que a imagem externa do País é muito importante. “Não podemos perder o que foi conquistado nos últimos anos.”

O especialista ressalta que o Brasil está bem posicionado para cumprir metas ambientais. “Não precisamos ter medo do Acordo de Paris. Estamos muito próximos de cumprir o que foi exigido. A questão ambiental pode ser usada como forma de agregar valor a nossa produção.”

Ele demonstrou estimativas de que o Brasil utiliza de 7% a 8% do total de suas terras para a agricultura. “Se excluirmos a Floresta Amazônica, o total ainda é baixo, cerca de 18%. Se recuperamos nossas pastagens, temos potencial de dobrar essa área sem derrubar uma única árvore.”

No mesmo evento, o secretário de inovação, desenvolvimento rural e irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Fernando Camargo, afirmou que “ninguém preserva melhor o solo do quem detém o ativo, ou seja, os próprios produtores.”

Investimentos

Solferini aponta que, diante das perspectivas de crescimento da população global e mudanças de hábitos de consumo na Ásia e África, a demanda por commodities irá crescer dramaticamente nas próximas décadas. “O Brasil terá um papel importante em atender essa necessidade. A estimativa é que a produção brasileira irá crescer 45% até 2030. Para isso ser viável, serão necessários grandes investimentos em logística e armazenamento.”

O presidente executivo da INTL FCStone no Brasil assinalou que os investimentos em portos, silos, rodovias, ferrovias e hidrovias deverão totalizar US$ 332 bilhões na próxima década. “Pela situação fiscal do País, a tendência é que esse dinheiro venha do estrangeiro. É muito importante que o Brasil siga se adequando aos padrões internacionais de sustentabilidade.”

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