Fed mantém taxa de juro de referência e evita sinalizar corte
Taxa de juros/EUA - O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a sua taxa de juros de referência estável no intervalo de 2,25% a 2,50% e, contrariando as expectativas, não deu sinalização de que pretende adotar postura mais favorável a uma flexibilização da política monetária.
A indicação neutra decepcionou os investidores, gerando reversão dos ganhos vistos no começo da sessão em Nova York e derrubando os índices acionários americanos. A primeira interpretação do comunicado da decisão do Fed deu a impressão de que o BC americano estaria disposto a adotar um posicionamento mais favorável ao afrouxamento monetário ("dovish"), o que deu às bolsas em Nova York algum ímpeto de alta e derrubou o dólar e os juros dos Treasuries. Mas a entrevista coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell, acabou não só neutralizando esses movimentos como revertendo-os, com a leitura neutra da política monetária pelos mercados. O otimismo veio depois que o BC americano informou no comunicado que havia reduzido a taxa de juros sobre as reservas excedentes dos bancos, chamada IOER, de 2,40% para 2,35%, afastando a taxa do limite superior dos juros de referência, de 2,5%. "Colocar a taxa de juros sobre as reservas excedentes dos bancos em quinze pontos-base abaixo da faixa superior dos Fed funds tem por objetivo estimular os negócios no mercado de juros a taxas bem dentro da meta para a referência", disse o comunicado após a decisão, que foi tomada por unanimidade. Mas a visão de que isso poderia ser uma indicação de mudança na política foi rebatida por Powell, que disse que a intenção do Fed é conter a alta das taxas de juros no overnight, que estavam próximas do teto. "Esta é apenas uma correção técnica, não tem implicações para a política monetária", afirmou. Além disso, o comunicado deu muita ênfase à queda do núcleo da inflação. As autoridades do Fed disseram que, depois de excluir categorias voláteis de alimentos e energia, a inflação permanecia abaixo da meta de 2% -- um desenvolvimento que, persistindo, é potencialmente preocupante. A queda do núcleo do PCE para apenas 1,6% em março (de 1,8% em janeiro e 2% em dezembro) forçou o BC americano a admitir que a inflação havia "declinado" e estava agora "correndo abaixo" da meta de 2% ao invés de "permanece próxima" escrita no comunicado anterior. Diante disso, o Fed repetiu que será "paciente" na condução da política monetária. "À luz dos desenvolvimentos econômicos e financeiros globais e das pressões inflacionárias moderadas, o Comitê será paciente para determinar quais ajustes futuros no intervalo de metas para a taxa de fundos federais podem ser apropriados para apoiar esses resultados." Sobre isso, Powell disse na entrevista coletiva que continua a acreditar que a inflação continuará em recuperação e que o banco central tem "razões" para acreditar que a fraqueza observada nos preços "é transitória" e que a meta será alcançada "com o tempo". Para a Capital Economics, no início de 2017 o Fed já havia citado a queda temporária do núcleo da inflação, mas "este último declínio parece ser mais amplo". Naquela ocasião o motivo eram os serviços de telefonia sem fio. Agora, em particular, a inflação de serviços está sendo deprimida pela desaceleração do crescimento do custo unitário do trabalho. "Se tivermos razão e a fraqueza do núcleo da inflação continuar, as autoridades do Fed serão eventualmente forçadas a admitir que a queda é mais 'persistente' e afrouxar a política de acordo com isso", disse em nota Paul Ashworth, economista-chefe para os EUA. Um ponto que definitivamente mudou o viés "dovish" presumido pelo mercado foi Powell ter dito que os integrantes da instituição não veem fortes razões para mover suas taxas de juros federais "em nenhuma direção", apesar das crescentes expectativas do mercado para um corte de juros no fim deste ano. "O comitê está confortável com a nossa política atual", disse o presidente do Fed. Powell observou que o crescimento econômico cresceu mais rápido do que o esperado no primeiro trimestre, e reiterou que as autoridades do banco central ainda veem a economia dos EUA em um caminho saudável. O Fed "não está vendo sinais de superaquecimento no momento", disse Powell. Embora o mercado de trabalho sugira escassez de mão de obra, o presidente do Fed argumentou "que os salários estão subindo a uma taxa adequada, dada a inflação e a produtividade". Os investidores, que esperavam alguma sinalização de corte de juro por parte do Fed, reagiram inicialmente com otimismo e fizeram com que os índices acionários ampliassem os ganhos vistos no começo da sessão, mas reverteram o curso após a entrevista coletiva com Powell. A postura neutra sinalizada pelo presidente do BC americano decepcionou os investidores e derrubou as ações, que fecharam a sessão de ontem firmemente em terreno negativo. O Dow Jones fechou em queda de 0,61%, a 26.430,14 pontos, o S&P 500 recuou 0,75%, a 2.923,73 pontos, e o Nasdaq caiu 0,57%, a 8.049,64 pontos. Entre os 11 setores do S&P 500, apenas as ações do setor imobiliário fecharam em alta e, mesmo assim, de apenas 0,04%. Na ponta negativa do índice amplo de Nova York, destaque para as ações de energia, que fecharam em queda de 2,17%. "Eu não acredito que [o próprio Fed] saiba quando será a próxima movimentação ou mesmo em qual direção", disse Jeffery Elswick, diretor de renda fixa da Frost Investment Advisors à Dow Jones Newswires. De acordo com dados do CME Group, os futuros dos Fed Funds apontavam no fechamento uma probabilidade de 54,5% de que o Fed corte os juros pelo menos uma vez até dezembro, recuando em relação aos 66% do fechamento de terça-feira.
















