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Globalização E Mercosul Selectus nº 5638

O que é a nova Rota da Seda, o ambicioso projeto chinês que desembarca na América Latina

Rota da seda – Pelo menos 199 centrais elétricas, um número similar de obras de infraestrutura, e 41 gasodutos são todos os projetos espalhados nos cinco continentes e que integram, até agora, o ambicioso projeto do Governo de Xi Jinping em 2013.

Fonte: Ámbito.com – Tradução livre: Terra Viva

Com o nome de “One Belt, One Road” (OBOR), a China está disposta a destinar US$ 3.67 bilhões para recriar suas antigas conexões comerciais, uma estratégia que em sua origem se limitava a parte da Ásia e que foi expandindo-se geograficamente até alcançar a América Latina.

Na China é primavera, mas, as temperaturas em Pequim estão em um dígito, um clima que não está associado à estação do ano. As condições de tempo não são, no entanto, desculpas para que não existam jardins floridos. Em apenas alguns dias foram instaladas milhares de plantas junto aos cartazes alusivos ao grande evento que começa amanhã, 26 de abril: o segundo fórum de mega investimento que contará com 37 Chefes de Estado, 300 ministros e 90 organizações internacionais.

Atualmente, quase seis anos do início do projeto, 129 países, ou seja, dois terços dos países soberanos do mundo, já firmaram um acordo de participação, mesmo que nem todos eles sejam membros plenos, como é o caso da Argentina.

Os investimentos englobam pontes, rodovias, portos, ferrovias e podem ser propostas por qualquer uma das partes interessadas. “Os projetos não são obrigatórios. Pode ser apresentado pelo país beneficiado e depois a China avalia”, explicou a embaixadora Liu Yuqin, representante especial do Governo Chinês sobre assuntos latino-americanos e caribenhos, em uma coletiva de imprensa, da qual participou o Ámbito Financiero.

Cada peça forma parte de um todo: o corredor econômico começará em Xi’na, a antiga capital do país, e terminará na Itália, passando pelo Paquistão, Irã e Turquia. Haverá ao mesmo tempo uma rota marítima que conectará as docas locais com as da Malásia, Sri Lanka, Índia e Quênia. A iniciativa OBOR leva investimentos a zonas esquecidas ao mesmo tempo que a China se beneficia com a criação de novos destinos para seus produtos em momentos em que sua economia se contrai. Ao mesmo tempo, amplia seu peso internacional. Trata-se de uma aposta que transformará a atual relação de forças entre potências e que causa temor aos Estados Unidos.

O Governo de Donald Trump foi particularmente crítico com a Itália, o primeiro integrante do G-7 e da União Europeia (UE) a unir-se ao projeto em março passado. Bruxelas, assim como o Japão, se ofereceram para trabalhar em obras pontuais e condicionaram uma colaboração mais ampla à existência de garantias de preservação ambiental e que tenha benefício compartilhado.

Um dos motivos que estão contribuindo para o êxito da adesão à nova Rota da Seca é a ausência de objeções em relação a sistemas políticos das nações, um ponto sensível a Washington. Assim, Pequim anunciou o lançamento da ferrovia que unirá Bayannur na Mongólia Interior, com Teerã, expandiu seu vínculo com a Venezuela e confirmou o convite para participação de representantes da Coreia do Norte no Forum, cujo ponto alto ocorrerá no sábado. Os três países estão sob sanções financeiras e diplomáticas por parte da Casa Branca.

“Esta relação de associação não é uma ferramenta geopolítica, mas, uma plataforma para a cooperação”, afirmou o chanceler Wang Yi. Ao ser consultado sobre as objeções norte-americanas à presença de membros do regime de Pyongyang e a ausência de representantes de alto nível da Administração Trump, o diplomata respondeu: “Daremos as boas-vindas a qualquer país que esteja interessado em participar. A decisão de participar, ou não, é dos Estados Unidos. Depende deles.”

América Latina

O que é a nova Rota da Seda, o ambicioso projeto chinês que desembarca na América Latina

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, foi recebido ontem com honras no Salão da Cidade por Xi, em meio a uma garoa incessante. O ato de boas vindas prosseguiu no interior do recinto, onde foram tocados hinos e um grupo de crianças levantou bandeiras dos dois países, relatou um enviado. Depois houve a assinatura de acordos para aumentar a defesa comercial, e um protocolo de exportação de peras para o gigante asiático e a expansão da rede 5G.

O Chile, junto com Uruguai, Bolívia, Panamá, Cuba e Equador integram o grupo de 16 países da América Latina que estão plenamente integrados ao projeto e mantêm uma diversidade de propostas em andamento. O Brasil, no entanto, se distanciou retoricamente de Pequim depois da posse de Jair Bolsonaro – continua sendo seu principal parceiro comercial – e descarta de imediato, qualquer acordo nesse sentido. Por sua parte, a Argentina somente aderiu aos princípios da iniciativa em 2017, mas, nunca finalizou sua incorporação.

“Nos últimos meses a pressão norte-americana sobre certos países da América Latina foi mais evidente”, reconheceu Liu Yuqin. “Teremos possíveis conflitos com Washington, mas, não significa que não possamos viver juntos”, concluiu.    

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