Economia da China ainda não mostra sinais de estabilização
China - Apesar dos esforços do governo, a economia da China ainda não dá sinais de estabilização. A produção industrial desacelerou para o ritmo mais fraco em uma década, enquanto a taxa de desemprego subiu para o nível mais alto em dois anos, oferecendo mais motivos para os consumidores apertarem os cintos.
O feriado do Ano Novo Chinês em fevereiro limitou a produção industrial, uma vez que a atividade se mantém fraca 15 a 20 dias depois do feriado, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas, Mao Shengyong. A produção industrial cresceu 5,3% em janeiro-fevereiro, em relação a igual período do ano passado, mas esse percentual sobe para 6,1% quando o feriado do Ano Novo Chinês é descontado. Os dados de janeiro e fevereiro são combinados para atenuar as distorções provocadas pelo longo feriado. A desaceleração estatística causada pelo Ano Novo Chinês é um evento habitual na China, mas ainda assim a taxa de crescimento deste ano foi a pior desde os 3,8% registrados no período de janeiro e fevereiro de 2009. O índice de atividade dos gerentes de compras caiu para menos de 50 em fevereiro, pela primeira vez em uma década, indicando uma produção extremamente fraca. Os dados por produto mostram um quadro mais vívido. A produção dos dois pilares da indústria chinesa - automóveis e celulares - caíram 15% e 12%, respectivamente, com relação a um ano antes. A geração de eletricidade subiu apenas 3%, o menor aumento desde março de 2018. A produção do setor privado subiu 8% e a das empresas estatais, 4%, mas entre as empresas estrangeiras houve um leve declínio, de 0,3%. A guerra comercial entre EUA e China provavelmente levou as empresas a elevar a produção antes do fim de 2018 para evitar as tarifas adicionais nas exportações. A fraca produção prejudicou o emprego. O desemprego urbano alcançou 5,3% em fevereiro, seu maior nível em dois anos. A economia adicionou 1,74 milhão de empregos no período de janeiro e fevereiro, 1% a menos do que no mesmo período do ano passado. Os bônus anuais que costumam ser concedidos antes do Ano Novo Chinês também foram 2,4% menores este ano, com uma média de 7.100 yuan (US$ 1.055), de acordo com uma empresa de pesquisas privada. Apenas 55% da força de trabalho recebeu bônus, uma queda de 11 pontos percentuais em relação ao ano passado. Como resultado, os consumidores têm reduzido os gastos. As vendas de varejo subiram 8,2% em janeiro-fevereiro, em comparação com um ano antes. Mas esse crescimento é praticamente estável desde dezembro, apesar dos cortes no imposto de renda de pessoas físicas que entraram em vigor em janeiro. As vendas de automóveis continuaram a decepcionar. O consumo fraco também pode ter se estendido para o setor do comércio online. As vendas pela internet no período de janeiro e fevereiro cresceram apenas 14% este ano, em comparação com um crescimento de 24% em 2018. Por outro lado, os investimentos fixos saltaram 6,1% em janeiro-fevereiro com relação a um ano antes. Os investimentos em infraestrutura subiram 4,3%, comparados com 3,8% para 2018, graças aos gastos dos programas de estímulo do governo.
















