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Globalização E Mercosul Selectus nº 5562

Desaceleração no país já faz o consumidor chinês cortar gastos

China - A desaceleração da economia da China está pressionando o que vinha sendo um motor confiável do crescimento - o consumidor chinês. Isso deverá aprofundar a desaceleração econômica que está abalando os mercados mundiais. A confiança dos consumidores chineses foi abalada pela fraqueza econômica e pela disputa comercial com os EUA.

Fonte: Valor Econômico

Eles também se sentem acuados pela alta do custo das moradias e pelas deficiências na educação e na saúde. Como resultado, as pessoas estão adiando compras e cortando gastos. A China não é apenas fabricante de produtos para o mundo, mas também um dos maiores mercados para muitos bens de consumo duráveis e de luxo, com sua crescente classe média exercendo seu poder de compra. Mas agora a redução de gastos está afetando a segunda maior economia do mundo, com repercussão global, que atinge de produtores de petróleo a fabricantes de eletrônicos e empresas de serviços de viagens. Nesta semana, a Apple se tornou a mais nova empresa a soar o alarme, atribuindo uma grande queda nas vendas do iPhone à rápida desaceleração da economia da China. A Ford e a General Motors (GM) informaram queda de dois dígitos nas vendas, uma pressão de baixa que atingiu montadoras locais e estrangeiras no último ano. Gigantes do comércio eletrônico, que cresceram com os gastos vigorosos dos consumidores, estão sentindo a retração no consumo. O Alibaba Group já reduziu sua previsão de faturamento e a JD.com informou uma queda no número de clientes com contas ativas. "Se as pessoas não estão comprando novas moradias, elas não estão comprando refrigeradores", disse Joseph Tsai, vice-presidente do conselho de administração da Alibaba, em novembro. Os consumidores deveriam movimentar a economia chinesa por muitos anos. Seus gastos tiveram crescimento de dois dígitos durante a maior parte da última década. Os líderes chineses contavam com isso para estimular a economia enquanto tentam direcionar o crescimento econômico para os serviços, afastando-o das indústrias manufatureira e de construção, que acumulam dívidas e poluem. Mas a desaceleração, que começou em parte devido às políticas de Pequim para conter os preços das moradias e o endividamento das empresas, afetou duramente o crescimento. Um problema adicional foi a disputa comercial entre China e EUA, com os dois governos impondo tarifas punitivas sobre produtos que respondem por 60% de seu comércio e criando um novo grau de incerteza para as empresas e o mercado externo. "Os atritos comerciais com os EUA romperam uma crença antiga de que a expansão econômica da China iria prosseguir, embora em ritmo mais lento, graças à sua ligação com o resto do mundo", diz Fan Lei, economista da corretora Sealand Securities. Agora, diz ele, os temores com a possibilidade de a China a se desconectar da economia mundial estão deixando os consumidores mais cautelosos. As vendas no varejo caíram durante a maior parte do ano, com o crescimento desacelerando para 8,1% em novembro - e menor nível em mais de 15 anos. O consumo respondeu por mais de três quartos do crescimento econômico no ano passado. Isso vai cair para menos de dois terços neste ano, segundo Wang Bin, uma autoridade do Ministério do Comércio.

Nos últimos meses, os investimentos em fábricas e construções caíram a uma taxa não vista há ao menos 25 anos, para se estabilizarem em seguida. As indústrias relataram queda nas novas encomendas e o lucro das grandes empresas, a maior parte delas estatais, encolheu em novembro, a primeira queda em três anos. Pequim, que vem respondendo rapidamente, tem ferramentas para apoiar a economia. Nos últimos meses, o governo deu sinal verde para projetos ferroviários e de infraestrutura que haviam sido classificados como inadequados há dois anos, quando a economia estava mais forte. Muitos economistas esperam gasto público maior neste ano e, em dezembro, líderes chineses aprovaram corte de impostos para empresas e famílias. O crescimento do PIB em 2018 deverá atingir a meta oficial de cerca de 6,5%, ao menos no papel, e muitos analistas creem que o governo adotará uma meta um pouco menor neste ano. Muitos economistas acreditam que o crescimento real é bem menor. Alguns o estimam em cerca de metade da taxa oficial, já que exportadoras, indústrias manufatureiras e outras empresas vêm apertando os cintos diante da fraca demanda doméstica. Enquanto fazem isso, a possibilidade de demissões, corte das horas-extras e a redução das bonificações poderão abalar ainda mais o sentimento dos consumidores, alimentando uma perigosa espiral negativa. "A desaceleração está piorando", disseram economistas da Nomura. Eles citaram os declínios na produção industrial no quarto trimestre de 2018 que, segundo eles, continuam e deverão persistir por vários meses mais. "Ainda estamos no meio da desaceleração econômica e provavelmente veremos dados piores no primeiro semestre do ano", disse Larry Hu, economista do Macquarie Group. Os consumidores chineses, especialmente nas cidades, sentem-se no limite, o que reduz a possibilidade de uma rápida recuperação. Com os custos de subsistência aumentando, a moradia - seja aluguel ou compra - absorve uma grande parte dos gastos. Em termos nacionais, cerca de 20% dos gastos totais das famílias vão para a moradia, mas esse porcentual sobe para mais de 30% em Pequim e Xangai, segundo números oficiais. O aperto nos gastos já se reflete na redução da poupança e na tensão social. Nos últimos meses houve protestos após incorporadoras cortarem o preço de novos apartamentos, deixando furiosos donos de imóveis que temem uma queda no valor de suas propriedades. As empresas estão vendo a queda dos gastos, especialmente com bens não essenciais, como algo que alimenta uma espiral em que as vendas menores forçam a concessão de descontos maiores, potencialmente afetando os lucros.

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