Estabilidade global de preços de alimentos em 2019 ameaçada por guerras comerciais, doenças e El Niño
Perspectivas 2019 – De acordo com o relatório anual do Rabobank as commodities agrícolas enfrentarão um ‘caldeirão” de riscos em 2019. Ameaças em muitas frentes representam risco à estabilidade global dos preços dos alimentos após um ano de incertezas.
A menos que a guerra comercial EUA-China seja resolvida, as perspectivas para os produtores de soja dos EUA são sombrias, enquanto o Brasil colhe benefícios e os custos gerais de aumentar a produção. Carnes e frutos do mar devem continuar a ser afetados por doenças e climas extremos.
Os analistas do Rabobank dizem que, embora o ambiente global de preços dos alimentos permaneça relativamente estável, a tensão geopolítica contínua, a ameaça de El Niño, e as doenças que afetam os animais estabelecem um grande grau de incertezas para 2019.
“O ambiente de preços das commodities agrícolas pode estar relativamente estável atualmente, mas, é preciso lembrar que os preços das commodities sofrem ameaças em diversas frentes, de guerras comerciais à volatilidade financeira, ameaças climáticas e doenças dos animais”, disse Stefan Vogel, diretor de mercados de commodities agrícolas do Rabobank.
A soja é a mais afetada pela guerra comercial entre EUA e China que perdurou em 2018. Atualmente importando 60% da soja mundial, o Rabobank prevê que o consumo da China cairá para menos de 90 milhões de toneladas em 2018/19, devido às restrições à importação. Com a China comprando de outros países, os agricultores dos EUA enfrentam um excesso de oferta de soja e provavelmente os estoques chegarão em níveis recordes até o final de 2018/19. Enquanto isso, no Brasil, segundo maior produtor mundial de soja, terá preços firmes de suas colheitas, e passa a ser o principal beneficiário da guerra comercial. No entanto, aumenta o custo do alimento para o setor agropecuário.
Em proteína animal, os exportadores norte-americanos buscarão novos parceiros comerciais fora da China. Isso abre uma janela de oportunidades para o Brasil, o Canadá e a União Europeia (UE). O dólar norte-americano está em alta há 18 meses, e deve continuar subindo até o final de 2019, antes de se estabilizar. As exportações dos EUA continuarão a sofrer com a falta de competitividade, desafiando ainda mais a lucratividade dos agricultores norte-americanos.
No Brasil, o ponto fraco tem sido a incerteza política domésticas, que dura há muito tempo, mas, que vem ajudando a manter as exportações de açúcar e café competitivas. No entanto, um excedente de grãos de café e de açúcar está mantendo os preços sob pressão, embora o país tenha sido beneficiado com a maior compra chinesa de carne suína. A segunda maior economia do mundo virou para o Brasil e para a Europa, o que, segundo o Rabobank deverá continuar em 2019.
“A maior ameaça para os agricultores é a guerra comercial EUA-China. Dependendo da reconciliação das superpotências, provavelmente veremos as commodities dos EUA, como a soja, continuarem a ter um impacto real à medida que a China restringe as importações. Isso é um grande problema financeiro para os agricultores norte-americanos, que ainda precisam enfrentar o desafio do fortalecimento do dólar em 2019.
Riscos de biossegurança
A disseminação da Peste Suína Africana (PSA) continuará sendo prejudicial à China, onde houve declínio na oferta, aumento dos preços e das importações.
“Com a gravidade dos surtos de doenças não mostrando sinais de serem controlados, especialmente em suínos e aves, a biossegurança se tornará uma prioridade maior para os produtores de gado no próximo ano. Os principais surtos estão afetando os fluxos de comércio global e as preferências dos consumidores. O resultado esperado é a mudança no hábito de consumo de carnes e frutos do mar em alguns mercados”, diz Justin Sherrard.
El Niño permanece no horizonte
Com 80% de chance de El Niño ser formalmente declarado até o final do inverno no Hemisfério Norte, o Rabobank espera que o evento climático cause mais incertezas nos mercados de commodities.
O clima mais úmido nas planícies do sul dos Estados Unidos pode significar um aumento na produção de trigo, de acordo com o Rabobank. Se o fenômeno climático se tornar realidade, os rendimentos de óleo de palma, açúcar, e café Robusta provavelmente serão prejudicados. Isso altera, em parte os fluxos de comércio nesses mercados, atualmente com excesso de oferta, considerando que demanda global por café e açúcar deverá permanecer firme.
















