China avisa aos EUA que não pretende entrar em guerra comercial
Guerra comercial - A China insistiu, nesta quinta-feira (5), que "não quer" a guerra comercial que, de acordo com o previsto, será iniciada amanhã pelos Estados Unidos (EUA), com a imposição da primeira onda de tarifas a produtos importados chineses, mas que "a China será obrigada a reagir para defender o interesse do país e de seu povo".
"A China reiterou várias vezes que não vai disparar a primeira bala, não vamos aplicar medidas tarifárias antes dos EUA", destacou hoje, em entrevista coletiva, Gao Feng, porta-voz do Ministério do Comércio chinês. É prevista para amanhã (6), à meia-noite (hora de Washington, 12h em Pequim), a entrada em vigor de um conjunto de tarifas de 25% a 818 produtos chineses no valor de US$ 34 bilhões, a maioria do setor industrial e tecnológico. Esses impostos não afetarão apenas as empresas chinesas, mas também as estrangeiras sediadas no país asiático, alertou o porta-voz, incluindo as americanas. "Cerca de 59% dos produtos que estarão sujeitos a tarifas, que representam
mais de US$ 20 bilhões, são fabricados por empresas estrangeiras na China e, muitas delas são americanas", afirmou Gao. Ele disse que, com essa decisão, "os EUA estão atacando a cadeia de investimentos de todo o mundo, abrindo fogo contra todos e inclusive disparando em si mesmo". Por isso, pediu a todos os países que se unam para " ir contra o protecionismo e o unilateralismo de forma contundente " e para defender o interesse de todos os povos. O ministério insistiu que "a China não se submeterá a ameaças e chantagens e não hesitará em sua determinação de defender a liberdade do comércio mundial e o multilateralismo". A China já alertou ao presidente americano, Donald Trump, que se encargos forem aplicados, reagirá com tarifas pelo mesmo valor a 545 produtos importados dos Estados Unidos, principalmente do setor agrícola - como a soja - e automobilístico. Caso execute essa medida como resposta, Washington ameaçou com nova remessa de tarifas a outras exportações chinesas, que totalizam cerca de US$ 200 bilhões. Para Gao, essa atitude contraria as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e mostra a vontade de impor a lei doméstica acima da regulação internacional. "Destruir a ordem do comércio e da economia global é algo a que todos os membros da OMC podem se opor", afirmou.
















