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Selectus 900 (14/10/1999)
DestaqueLeite em 1999 – Vai cair ou subir ? - Na medida em que as estatísticas oficiais de produção de leite, coletadas pelo IBGE, só são publicadas com muito atraso (só estão disponíveis até 1997), costuma-se utilizar as informações de aquisição de leite cru e resfriado pelas empresas de laticínios, como indicador de tendência da produção como um todo. Estas informações, também coletadas pelo IBGE, são divulgadas com maior periodicidade, já estando disponíveis os dados até o 1º semestre de 1999. É importante que se ressalte que a produção total de leite pode não se comportar, necessariamente, como a recepção das empresas. Muitos são os fatores que influenciam o comportamento dessas duas variáveis, entre estes, o preço pago pelas empresas. Quando não é considerado satisfatório, pode induzir, por exemplo, a uma menor entrega do leite pelos produtores, que podem, alternativamente, partir para o mercado informal ou mesmo direcionar maior quantidade para o consumo próprio, na propriedade, no caso de sistemas de dupla aptidão (carne/leite). Portanto, a produção pode estar crescendo e a oferta aos laticínios, não. Embora existam restrições, ainda assim, a recepção de leite é o melhor indicador (baseado em dados oficiais) para uma estimativa da produção total. Os dados de recepção diária, nos anos de 1997, 1998 e 1999 (até junho). Sua análise indica que, ao contrário do que muitos andam afirmando, as empresas com inspeção estão, em 1999, adquirindo mais leite do que o fizeram nos dois anos anteriores. Tal desempenho talvez possa ser explicado pelos níveis de preços praticados, em reais, que têm se apresentado maiores do que nos dois outros anos analisados. Merece destaque o fato de que o comportamento geral das curvas está semelhante, não evidenciando nenhuma anormalidade no corrente ano. A única diferença perceptível refere-se ao ponto de inflexão das curvas que, em 1997 e 1998 ocorreu maior e, em 1999, ainda não. Ou seja, a recepção continuou caindo até junho. Seria esta queda uma sinalização, reflexo das dificuldades que passa o produtor frente aos aumentos constantes de seus insumos e, de certa forma, a estabilidade dos preços ou apenas conseqüência da inconstância climática? A recepção média diária de leite, de janeiro a junho, em 1999, apresenta-se 2,4% maior que a de 1998 e, 7,4% superior à de 1997. Se a tendência permanecer, o que não dá para afirmar ainda, devido ao que ocorreu em junho (queda, em vez de recuperação), a produção no corrente ano, deve ser maior do que a de anos anteriores. O que não é de todo improvável pois, a produção brasileira de leite tem se apresentado sempre crescente, pelo menos desde que esta variável começou a ser medida no país. (Análise Terra Viva) Encruzilhada - A sobreoferta de leite e sua correspondente baixa de preços ameaça a estabilidade de uma grande quantidade de propriedades; para o titular da La Sereníssima, da Argentina, Pascual Mastellone, os anunciados investimentos da indústria foram feitos principalmente para abastecer o mercado interno sem pensar em exportação. Não há que se dar muitas voltas para explicar a crise do setor leiteiro: sobra leite. A dificuldade para colocar e defender o preço dos 10 bilhões de litros de produção que se estimam para este ano pode provocar a saída de uma grande quantidades de produtores da atividade. O mercado interno argentino, golpeado pela recessão, não tem como beber um litro a mais depois de haver crescido dos 5 bilhões de litros em 90 para 7,2 bilhões atuais. No lado externo, o Brasil segue comprando os 1,5 bilhões de litros a que os argentinos estão acostumados, mas a preços menores. Em resumidas contas, há 1,3 bilhões de litros para comercializar nos difíceis mercados extra-Mercosul. Sobra leite e também desorientação para sair da encruzilhada com a menor quantidade de feridos possíveis e desativar a ameaça de derrubar em poucos meses o que se construiu durante anos. Se equivocaram os que acreditavam que depois de anos de crescimento ininterrupto com estabilidade de preços se havia enterrado para sempre os tradicionais ciclos pendulares do setor leiteiro. O volume de leite que pressiona os preços para baixo estabelece que os produtores recebem hoje uma média de 15 centavos por litro depois de haver recebido nos últimos anos em torno de 22 centavos. É uma queda livre de 30% nos ganhos que é difícil de suportar em um contexto generalizado. Em princípios de 97, Pascual Mastellone convocou os produtores para anunciar com um ano e meio de antecipação a crise que hoje se sofre. Questionado sobre como resolver a situação, ele disse que desta vez é muito difícil fazer um prognóstico, porque crise como esta não ocorreu antes, porque os produtores nunca se encontraram tão endividados como agora. Ele estima que o preço da produção nas regiões centrais, na média do ano, ficarão entre 14 e 15 centavos. (La Nacion/Argentina - Tradução Terra Viva) Alimentação - O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Idec, e outras entidades preparam manifestações em 9 capitais do país contra os organismos geneticamente modificados para marcar o Dia Mundial da Alimentação, neste sábado. Para discutir os riscos destes produtos, o Idec trouxe ao Brasil o biólogo norte-americano Michael Hansen, diretor da Consumers Union, a primeira e a maior ONG de defesa do consumidor do mundo, com 5 milhões de associados. Hansen acredita que o cultivo de alimentos transgênicos começa a retroceder, diante da pressão de cientistas, ambientalistas e dos próprios agricultores. Ele também garante que, mesmo nos EUA, aumentou a pressão da sociedade para exigência de testes e rotulagens dos organismos modificados geneticamente. (Correio do Povo/RS) NegóciosSupermercado - Ontem a 1a Turma do Superior Tribunal de Justiça, STF, decidiu por unanimidade que os supermercados Carrefour, Bompreço e Zona Sul terão de obedecer à portaria do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, e colocar preços em todos os produtos que estiverem à venda nos estabelecimentos. Advogados das empresas defendiam que os supermercados têm o direito de não colocar o preço diretamente nos produtos, desde que obedeçam ao Código do Consumidor, deixando o preço a vista dos clientes nos trilhos das gôndolas, em cartazes ou tablóides. A colocação de consultas para o sistema de código de barras foi outra justificativa utilizada. (O Estado de SP) Bebidas - A disputa entre categorias de bebidas não-alcoólicas deverá explodir no próximo verão. As empresas constataram que não basta mais ser apenas líder de um segmento: é preciso ampliá-lo. Trata-se da disputa pela capacidade que uma pessoa tem de beber ou, num jargão do setor, de conquistar "share" no estômago do consumidor. Pela primeira vez, a Kraft Lacta Suchard estruturou uma propaganda comparativa com outras categorias, para destacar as bebidas em pó - segmento em que lidera. Dona da principal marca em sucos concentrados, a Fleischmann Royal Nabisco reconhece que sua categoria perdeu terreno, mas prepara-se para recuperar as vendas e ganhar participação. A transferência de consumo, segundo Fernando Mazzarolo, da Coca-Cola, ocorre apenas entre segmentos complementares e principalmente nas refeições, quando ocorre 50% do consumo diário. É o seguinte o consumo das bebidas não-alcoólicas no país, em 98, segundo a Nielsen: Refrigerantes - 72%; Bebidas em pó - 14%; Água mineral - 7%; Suco semipronto - 6%; Sucos prontos - 0,6%; Bebidas esportivas - 0,4%; Chás líquidos - 0,2%. (Gazeta Mercantil) Bauducco - A Bauducco, indústria de alimentos nacionalmente conhecida por seus tradicionais panetones de Natal, vai construir uma fábrica de biscoitos em Extrema, no sul de Minas. A unidade, com capacidade de produção de 50 mil ton por ano e previsão de faturamento de R$ 130 milhões anuais já no 3o ano de operação, produzirá, inicialmente, biscoitos amanteigados, recheados e salgados. (Gazeta Mercantil) SetoriaisCotações - Os preços futuros do suco de laranja congelado e concentrado fecharam o pregão de ontem na bolsa de Nova York, com fortes altas. Os contratos para entrega em janeiro foram cotados a 89,25 centavos de dólar por libra-peso, com valorização de 2,5% em relação ao fechamento de terça-feira. Na bolsa de Chicago, a soja, depois de acumular alta de 1,6% nos primeiros dois dias da semana, fechou ontem sem alterações. Os contratos do grão para janeiro encerraram a bolsa cotados a 510,25 centavos de dólar por bushel, o equivalente a US$ 187,49 por ton. As cotações do milho encerraram a sessão de ontem da bolsa de Chicago com ligeira queda. Os contratos do grão para março foram cotados a 212 centavos de dólar por bushel (US$ 83,46 por ton), com baixa de 0,3%. (Gazeta Mercantil) EconomiaTributos - Quem esperava conhecer, finalmente, o relatório do deputado Mussa Demes, PFL/PI, frustrou-se de novo. A leitura do texto, marcada para ontem, foi adiada pela segunda vez no mês. Na Comissão Especial de Reforma Tributária, tomou-se o cuidado de avisar a mudança de data aos principais interessados na sexta-feira, véspera do feriadão. Assim, Demes aproveitou a quarta-feira para resolver problemas pessoais em Teresina e só chegou a Brasília à noite. Desta vez, a apresentação foi adiada a pedido de secretários de Fazenda dos estados. Eles querem antes entrar em acordo sobre os pontos que serão mantidos ou retirados do texto e têm bastante tempo para isso. O deputado Germano Rigotto, PMDB/RS, presidente da Comissão, não deu prazo para os secretários concluírem a tarefa. Ele quer debastar ao máximo as rebarbas do governadores. (Correio Braziliense) Contribuinte - Quando se fala em mexer nos impostos, o contribuinte brasileiro sonha em livrar-se de uma parte de seu fardo tributário - um dos maiores do mundo. Mas não adianta procurar qualquer indicação de alívio geral na proposta em discussão na Câmara. "Alguns setores poderão ser desonerados, já que outros que não pagam hoje e passarão a pagar", diz o deputado Germano Rigotto. Dos produtos industrializados, 32% do valor, em média, são impostos hoje (incluindo todas as taxas). A parcela tributária será de 22% se a proposta for aprovada como está. A contrapartida disso deverá vir de muitas empresas que estão na informalidade. Ou que simplesmente não pagam impostos porque não são cobrados. (Correio Braziliense) Dólar - O desempenho da balança comercial brasileira está afetando o mercado de câmbio. O fato de o governo não ter conseguido arrecadar o volume de dólares esperado com as exportações é apontado por analistas financeiros como um dos motivos que estão contribuindo para a desvalorização do real diante da moeda norte-americana. Com esse cenário, os exportadores estariam segurando os dólares das vendas externas, na expectativa de nova queda do real. Os importadores, por outro lado, estariam esperando o quanto podem antes de comprar dólar, torcendo por sua desvalorização. Ontem, o dólar comercial chegou ao final do dia negociado a R$ 1,96, com valorização de 0,56% em relação à segunda-feira. Trata-se da maior cotação do dólar desde 8 de março. (Correio Braziliense) Produção - A produção industrial de SP acumula queda de 7,8% de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo período de 98, segundo dados do IBGE. SP, com maior peso industrial do país, é o único da pesquisa regional cujo indicador de produção acumulado no ano está pior do que o índice negativo de 3,1% da produção global brasileira. Em agosto, a produção paulista caiu 3,9% em relação ao mesmo mês de 98, o terceiro pior resultado entre os 12 locais incluídos na pesquisa regional do IBGE. (Folha de SP) Pacote - O governo anuncia hoje um pacote destinado a reduzir os juros cobrados do consumidor no crediário das lojas e nos bancos. O objetivo é facilitar o crédito, as medidas devem incluir punições para quem não paga as contas em dia. Os técnicos do Banco Central estudavam ontem a possibilidade de obrigar o devedor a pagar o principal da dívida, cujos encargos estão sendo discutidos na Justiça. (Correio Braziliense) Inflação - A inflação manteve tendência de alta na primeira semana deste mês. Nos últimos 30 dias terminados em 7 de outubro, em relação aos 30 imediatamente anteriores, os preços subiram 1,04%. Essa é a maior taxa das últimas sete semanas. Os dados são da Fipe e foram divulgados pelo coordenador do índice de Preços ao Consumidor, IPC, Heron do Carmo. Para o economista, apesar da alta da taxa, o comportamento da inflação não preocupa porque é sazonal, ou seja, de época. Três itens encabeçam a lista das maiores pressões: álcool, carne bovina e açúcar. (Correio Braziliense) Indústria - A indústria está com os preços represados e vai tentar reajustá-los neste final de ano, informou Roberto Faldini, diretor da Fiesp. A desvalorização do real, diz, provocou aumento nos custos, porque os preços de alguns produtos são cotados no mercado internacional, como papel, açúcar e café. (Correio Braziliense) Balanço - O Banco Central anunciará até o fim do mês regras para acabar com os artifícios usados pelos bancos para fabricar lucros e prejuízos. As mudanças devem coibir a "engenharia de resultados", um procedimento que permite aos bancos inflar prejuízos para pagar menos impostos ou mascarar resultados ruins para engordar os dividendos dos acionistas. A "engenharia de resultados" aparece quando os bancos se apressam ou demoram para reconhecer como prejuízo os empréstimos que podem não ser pagos. Quando se antecipam, diminuem o lucro e pagam menos imposto. Quando atrasam esses lançamentos, aumentam os dividendos. (Folha de SP) Goiás - O governo de GO decidiu aumentar de 50% para 70% o desconto de juros e multas incidentes nos débitos tributários vencidos até 31 de dezembro de 92, segundo o secretário da Fazenda, Jalles Fontoura. O projeto de lei nesse sentido, enviado em setembro à Assembléia Legislativa, recebeu várias emendas dos deputados, uma das quais fixando a anistia em 88%. Porém, a Associação Comercial e Industrial de GO queria que o deságio fosse de 98%, como ocorreu com o parcelamento dos débitos vencidos a partir de 93. E a superintendência estadual do Banco do Brasil em GO está advertindo os produtores rurais que o prazo para prorrogação das dívidas securitizadas vence no próximo dia 31. (O Popular/GO) Globalização e MercosulMercosul - O ex-presidente e senador José Sarney, PMDB/AP, disse que a crise comercial entre o Brasil e Argentina ameaça a sobrevivência do atual modelo do Mercosul. Segundo o senador, os problemas comerciais bilaterais não são circunstanciais, nas estruturais. "O modelo aduaneiro de tarifa zero está totalmente esgotado, porque agora estamos diante do problema dos regimes cambiais diferentes", afirmou Sarney. Para ele, a saída para o bloco é adotar uma moeda comum e promover um ajuste macroeconômico coordenado. (O Estado de SP) |
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