Redes regionais apostam em queijos finos importados

 

Vanessa Jurgenfeld



A venda de queijos finos inicia expansão para além das redes de grande porte. Em Santa Catarina, supermercados regionais, alguns com apenas três lojas, começam a buscar esse tipo de produto, em parte pela maior oferta proporcionada pelos importados, que hoje chegam mais baratos por conta da cotação favorável do dólar, e também como estratégia de conquista do consumidor em um setor cada vez mais competitivo.

 

A rede de Supermercados Rosa, com seis unidades na Grande Florianópolis, passou a vender queijos finos em outubro de 2006 e experimenta a sua primeira temporada de inverno. O reforço na área de queijos ocorreu ao mesmo tempo em que a rede ampliou sua variedade de vinhos, trazendo produtos chilenos, portugueses e argentinos, deixando para trás a velha prática de vender apenas vinhos de mesa, e queijos mais comuns como ricota, mussarela e queijo prato. "Não podemos considerar que só porque a maior parte dos nossos clientes é de renda mais baixa eles não queiram comprar esse tipo de produto. Eles compram sim, em embalagens menores", explica o diretor comercial da rede Rosa, Roberto Palomo.

 

A rede Rosa passou a se interessar em vender queijos finos depois de revisar sua estratégia comercial. Palomo, recém-chegado ao time de executivos da rede, destaca que a idéia não é brigar com os concorrentes apenas pelo preço, mas pela variedade de produtos ofertados, e é neste sentido que entram gorgonzola, parmesão e provolone. "Não podemos ser a maior rede do Estado, mas podemos ser uma rede de referência". Segundo ele, a prioridade do cliente é variedade e qualidade no atendimento e não necessariamente o preço.

 

Palomo diz que a nova visão comercial do Rosa é de uma rede que "vende arroz e feijão barato, mas se o cliente quiser algo de maior valor, a intenção é que ele também tenha isso disponível para compra". O Rosa ainda não está trabalhando com queijos importados, mas Palomo diz que analisa a possibilidade de importar uma nova gama de produtos da Argentina, inclusive queijos.

 

A argentina Sancor é uma das marcas hoje mais presentes nas prateleiras de queijos finos das redes do Estado, mas a oferta também inclui produtos franceses. O Angeloni, maior rede de supermercados do Estado, está importando produtos da marca francesa Président como queijos fundidos, camembert e brie.

 

O diretor comercial, José Augusto Fretta, diz que a variedade de queijos foi ampliada em cerca de 20% neste ano em relação a 2006 e que espera vendas 25% maiores, especialmente com o aumento na oferta de importados. Neste ano, diz ele, a rede fará degustações de queijos e vinhos para incrementar as vendas.

 

Na rede Celeiro, com três lojas em Chapecó, no oeste catarinense, os queijos finos agora chegam até mesmo aos tablóides promocionais. Amauri Battiston, diretor administrativo, diz que as vendas subiram também por conta das embalagens econômicas, que atingem um público de menor renda. Para impulsionar as vendas não só de queijos, mas de produtos correlatos para a temporada de inverno, a Celeiro está promovendo cursos em parcerias com fornecedores, que envolvem a fabricação de foundues e aprendizado sobre vinhos com sommelier.

 

Segundo Battiston, a oferta de queijos foi ampliada em cerca de 30% neste ano, em parte pela chegada de fornecedores que antes não estavam presentes na região como alguns fabricantes de queijos com sede em Minas Gerais.

 

Também no oeste, a rede Brasão verifica aumento na procura por queijos finos. Marcos Moschetta, gerente geral, diz que é o aumento do consumo de vinhos, em cerca de 20% na sua rede, que acabam impulsionando a venda de queijos. A varejista, com três unidades, duas em Chapecó e uma em Xaxim, pretende fazer neste inverno a sua primeira feira de queijos e vinhos. Apesar do dólar favorável para as importações, Battiston e Moschetta, ao contrário de outras redes, não têm investido em importação. Segundo eles, por Chapecó estar perto da Argentina, um dos locais de onde mais se importa, o consumidor prefere ir buscar o produto nas regiões da fronteira, com preços mais baratos.

 

 

 

 

Fonte: Jornal Valor Econômico – Edição do dia 04/07/2007