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Terça, 18 Junho 2019 09:38

'Produzir queijo é como pintar uma tela'

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Produção de queijo - Quem produz leite de qualidade – com uma matéria-prima de excelência – tem grandes chances de também produzir queijos artesanais em patamares elevados.

Em Londrina, o casal Valdeir e Márcia Martins, que estão no mercado há 25 anos com a marca De Leite – tipo A – mais uma vez mostraram porque são case na cadeia leiteira, produzindo queijos meia cura e parmesão que se comparam aos tops produzidos em Minas e até aos europeus.

Eles participaram do 1º Concurso de Queijos Artesanais do Paraná e ficaram na quarta posição entre 185 participantes de sete regiões do Estado. Os três primeiros colocados foram de Itapejara do Oeste, Santana do Itararé e Carambeí.

O casal começou a produzir queijo há cerca de dois anos, justamente em épocas que caem as vendas do leite fluído e eles tinham um excedente de produção, algo em torno de 300 a 400 litros por semana. Começaram fazendo o frescal, mas como esse tipo tem validade muito curta, partiram para o meia cura e também o parmesão para comercialização direta com os clientes, “na confiança”. “Quem é bebedor de vinho não bebe vinho suave e sim seco. Mesma coisa com o queijo, não é no frescal que se sente o sabor, mas nos queijos curados, com certa fermentação. O valor agregado para esse tipo de queijo é muito bom, mesmo para a gente que já tem um leite com melhor preço. Não destinamos muita matéria-prima para o queijo porque temos compromisso no fornecimento do leite.”

Quando foram convidados para participar do concurso da Emater, subiram de patamar. Com ajuda da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) perceberam que para fazer um queijo único, com as características locais, precisariam produzir seu próprio fermento, com as bactérias benéficas do ambiente. “Desenvolvemos o fermento na propriedade, como os mineiros fazem por lá e por isso tem toda essa fama na Serra da Canastra, por exemplo. Com o fermento do nosso próprio leite, conseguimos um queijo diferenciado, com sabor suave a aroma apreciado. Achamos o melhor ponto para consumir com tempo de cura entre 45 e 60 dias. No caso do parmesão, o tempo de cura é acima de 12 meses.”

“Essa parte burocrática é muito difícil e por isso continuamos preferindo a venda direta aos clientes"

O maior desafio para o casal, sem dúvida, é lidar com essa fermentação, já que é preciso cuidar da temperatura e umidade do local. “Produzir queijo é como pintar uma tela, cada receita é uma surpresa. É muito gratificante quando abrimos uma peça e ver que ficou como desejávamos.”

Atualmente, o casal vende o queijo curado a R$ 50 o quilo e o parmesão, R$ 100 o quilo. Como não dependem da comercialização do produto, preferem continuar vendendo diretamente ao consumidor. “Essa parte burocrática é muito difícil (as adequações para a venda formalizada) e por isso continuamos preferindo a venda direta aos clientes.”

Por: Victor Lopes

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  • Fonte da Notícia: Folha de Londrina
  • Data: Terça, 18 Junho 2019
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