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Quinta, 14 Março 2019 17:29

Argentina – Método para identificar a “impressão digital” do leite argentino

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“Impressão digital” do leite – Assim como o sistema de identificação de impressões digitais foi aperfeiçoado na Argentina, agora um grupo de pesquisadores do país propôs o uso de “impressões digitais” químicas para identificar a origem de alimentos.

Já foi comprovado com vinhos tintos, carne bovina, mel e trigo, e agora conseguiram com o leite de fazendas de diferentes províncias.

“A verificação geográfica da origem de alimentos, empregando o método de análise de amostras que determina as variáveis químicas, pode ser utilizada pela indústria de alimentos e por organismos oficiais que regulamentam a comercialização e exportação”, explicou a Agência CyTA-Leloir, através do diretor do projeto, o Dr. Daniel Wunderlin, diretor do Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos de Córdoba (Icytac).

O objetivo do grupo de Wunderlin é estabelecer um método complementar à documentação para obter a “rastreabilidade” de um alimento “da fazenda ao consumidor” como fazem organismos reguladores da Europa. Lá, é utilizado esse conceito para evitar que, via triangulação com outros países, sejam introduzidos alimentos de regiões que foram inabilitadas como fornecedores por alguma razão sanitária, como enfermidade, ou o uso de agroquímicos não autorizados.

As empresas produtoras de queijo italiano protegem a denominação de origem de seus produtos (PDO) utilizando este método, inclusive como prova em processos jurídicos contra empresas que vendem outros produtos com essa denominação de origem protegida.

Wunderlin e sua equipe analisaram um grande número de elementos químicos (cerca de 30 elementos da tabela periódica) e a composição de alguns isótopos estáveis (nitrogênio e carbono, principalmente) do solo, da água, da forragem e do leite de fazendas localizadas na zonas próximas de Rafaela (Santa Fe), San Francisco (noroeste de Córdoba), Huinca Renacó (Sul de Córdoba) e Catamarca. E com esses elementos e isótopos analisados construíram uma “impressão digital química”.

“Assim como as impressões digitais servem para identificar as pessoas, o perfil químico estabelecido com esse método serviria para identificar a procedência (origem geográfica) do leite”, detalhou o pesquisador do Conicet. O solo da fazenda e a água dos estabelecimentos são os principais contribuintes para o traço químico distinto de cada leite.

Como toda pesquisa, esse projeto continua aberto para novos estudos. “Para sua aplicação prática será necessário ampliar a base de dados gerada, incluindo mais regiões do país”, esclareceu Wunderlin. E acrescentou que o mesmo conceito pode ser aplicado no futuro para alimentos complexos, processados ou não, como por exemplo, maionese, marmelada ou uma pizza.

A metodologia será transferível para a indústria de alimentos, entidades reguladoras, e autoridades de controle. “Um certificado de procedência requer investimento, mas, seria compensado por um melhor preço do produto no mercado, além de obter maior confiança do consumidor”, assegura Wunderlin. E, considerou que na Argentina seria muito importante poder certificar a procedência do que se exporta e comercializa no mercado interno, “detectar casos de fraude com a substituição de produtos declarados como argentinos (ou procedentes de uma região determinada do país), mas, que na realidade são procedentes de outros países ou regiões”.

Participaram do estudo, Julieta Griboff, María Baroni, e Magdalena Monferran, do grupo de Wunderlin, e Micha Horacek da Universidade de Viena, Áustria.

 

Informações adicionais

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  • Fonte da Notícia: Portalechero – Tradução livre: www.terraviva.com.br
  • Data: Quinta, 14 Março 2019
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