Quinta, 13 Setembro 2018 16:36

Associação Nacional dos Produtores de Leite (ANPL): "Queremos paz"

"Queremos paz" – Ontem às 14:00 horas, no momento exato em que o diretor de TodoElCampo, Horacio Jaume informou através da Rádio Rural que os trabalhadores da planta de envase de Conaprole localizada na Ruta 5 voltaram a parar, a redação deste portal recebeu a última edição da revista oficial da Associação Nacional de Produtores de Leite (ANPL) cujo artigo de capa era 'Necessitamos paz' e sua nota editorial 'Queremos paz'.

O contraste entre as informações dada pela rádio Rural e o desejo de paz dos produtores de leite é tão claro que não merece maior explicação. Enquanto que para alguns a mobilização e o conflito em si mesmo é um instrumento permanente para conseguir determinados objetivos, para os produtores a paz é fundamental para poder fazer o que sabem fazer: trabalhar.

Entre os extremos, o conflito e o desejo de trabalhar, se move o pêndulo da Conaprole e o centro como forma de equilíbrio deveria estar no Ministério do Trabalho e Segurança Social e seu titular Ernesto Murro.

Faz poucos dias, exatamente na sexta-feira passada, o ministro Murro anunciou ao país que o setor lácteo havia chegado a um acordo que definiu como "mudança positiva nas relações de trabalho da indústria". "Estes acordos são bons para ambas partes", disse.

Vale a pena lembrar que o ministro também destaca "o que significa" o acordo para "toda a cadeia láctea, desde o produtor de leite e o peão da fazenda" até "as indústrias, os trabalhadores das indústrias que são fundamentais para este país".

Com estes acordos "cremos que houve mudança nas relações de trabalho. Temos a esperança firme de que agora se inicie um novo sistema de relações de trabalho entre os empresários e os trabalhadores de todo o setor lácteo", disse Murro no que pareceu o anúncio de soluções definitivas para o conflito que colocou a situação de grave risco as indústrias e os produtores.

Além disso o ministro assegurou que o convênio apresenta "aspectos salariais e benefícios para os trabalhadores", também "garantias quanto à prevenção de conflitos e como tratar os temas nos próximos dois anos".

"Queremos paz"

Em contraste os produtores pedem paz para trabalhar. A nota editorial da ANPL lamenta que "faz muito tempo" o setor lácteo está "sofrendo com um forte conflito sindical em sua principal indústria láctea", referindo-se a Conaprole.

"Os produtores dizem que isto não dá mais", e se pergunta? Até quando será permitido que os sindicatos "prejudiquem" a nossa cooperativa? É um conflito que "deveria estar resolvido há muito tempo", ressalta.

Em relação ao Ministério do Trabalho diz que "houve muita participação, mas, faltou imparcialidade".

"Neste momento, nós produtores estamos enfrentando um tremendo temporal, o temporal da incerteza e da indignação por tudo o que vem acontecendo", completa.

Os produtores "pedem paz, que nos deixem trabalhar e que deixem a Conaprole trabalhar. Será possível que o sindicato não se pode conceder essa paz a uma empresa que tanto tem feito por seus trabalhadores? se pergunta o editorial como se os produtores adivinhassem que a situação de conflito se estenderia. Na realidade não adivinham, mas conhecem os sindicatos, suas manhas e estratégias.

"Enquanto isso a primavera se aproxima com ela todas suas bondades. A época esperada por todos os produtores. Tomara que possamos aproveitar e produzir sem dificuldades. A primavera não conhece conflitos, nem paralisações, nem reivindicações injustas; ela só chega e assim como chega ela vai embora", concluiu.

Duas conclusões claras

Observado o que está acontecendo na Conaprole pode-se tirar conclusões claras. A primeira de que os trabalhadores não se dão conta, não querem perceber, que para continuar precisam de uma empresa pujante e forte, porque se fraca, também seriam debilitadas as condições de trabalho.

E a segunda é que o Ministério do Trabalho não tem idéia do que se deve fazer para solucionar a situação. Murro afirmou que o acordo firmado na sexta-feira apresentava "benefícios salariais para os trabalhadores", "garantias quanto à prevenção de conflitos", e "como tratar os temas nos próximos dois anos". Tiveram que passar apenas cinco dias para ficar evidente a falta de sustentabilidade do otimismo do ministro.    

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  • Fonte da Notícia: TodoElCampo – Tradução livre: www.terraviva.com.br
  • Data: Quinta, 13 Setembro 2018
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