Terça, 11 Setembro 2018 12:42

Nestlé tira estabilizantes de suas linhas de leite longa vida

Nestlé - Após investir R$ 140 milhões nos últimos cinco anos num conjunto de iniciativas para melhorar a qualidade do leite produzido por seus fornecedores no Brasil, a suíça Nestlé deu outro passo em sua estratégia recente de buscar oferecer produtos com menos aditivos para o consumidor.

A empresa não vai mais utilizar estabilizantes na produção de suas linhas de leite UHT (longa vida), com as marcas Ninho e Molico, comercializadas no país. Os estabilizantes são compostos químicos, tais como o citrato de sódio e o monofasfato de sódio, usados antes da ultrapasteurização do leite, para que as características originais do produto sejam mantidas. Segundo a agrônoma Taissara Martins, gerente de qualidade e desenvolvimento de fornecedores de leite da Nestlé, a retirada do ingrediente dos leites longa vida foi possível devido à qualidade superior da matéria-prima coletada pela companhia, resultado de medidas tomadas a partir do ano 2000 junto aos produtores. Entre essas medidas estão a coleta diária de leite em caminhões refrigerados, o pagamento pela qualidade do leite (a partir da contagem de bactérias e de células somáticas da matéria-prima), por volume e distância, por percentual de proteína e de gordura; os programas de incentivos a boas práticas na fazenda (BPF) e a assistência técnica aos produtores.
Segundo Taissara, em 2017 todos os 3,5 mil fornecedores diretos de leite da Nestlé no país tinham a certificação de Boas Práticas na Fazenda, o que também garante bonificação. Os testes para a retirada dos estabilizantes do leite UHT pela empresa começaram a ser feitos nos últimos anos com a melhoria da qualidade do leite coletado. A agrônoma explica que no caso de leites com menor qualidade, o estabilizante é necessário para evitar a perda de proteína e a aparência de coalhado. "O leite de menor qualidade tem mais bactérias, mais células somáticas. Isso o torna mais propício à deterioração, por isso precisa de estabilizante".
O objetivo da Nestlé ao retirar os estabilizantes do leite é oferecer um produto mais natural e livre de aditivos ao consumidor. "Os estabilizantes não representam nenhum mal, mas todo mundo prefere consumir algo que não precisa dele", observa ela. A partir de outubro todos os leites longa vida da Nestlé à venda no mercado serão sem estabilizantes. De acordo com a gerente de qualidade, as linhas de produção das três unidades de leite longa vida da empresa em Araraquara (SP), Três Rios (RJ) e Carazinho (RS) já foram convertidas. A empresa destina 10% do leite cru que coleta no país à produção de longa vida, ou cerca de 170 milhões de litros por ano, considerando o volume de 1,7 bilhão de litros captados em 2017. A mineira Itambé Alimentos já tem uma marca de leite longa vida sem estabilizantes, o Natural Milk, mas apenas a Nestlé tem toda a linha de leites sem o ingrediente. As embalagens das linhas Ninho e Molico apresentam a frase "Aqui não tem estabilizantes". De acordo com Taissara Martins, os R$ 140 milhões investidos pela Nestlé nos últimos cinco anos para melhorar a qualidade do leite foram destinados a projetos de assistência técnica aos produtores, treinamentos, dias de campo e a programas de bonificação dos pecuaristas. O processo que levou à retirada dos estabilizantes do leite longa vida pela Nestlé envolveu várias áreas da empresa. Além da área de milk sourcing, também participaram a de qualidade, de regulamentação, de relações públicas, de P&D, de marketing e área técnica de fábrica.

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  • Fonte da Notícia: Valor Econômico
  • Data: Terça, 11 Setembro 2018
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