Quarta, 11 Julho 2018 15:49

Sindicato impede a entrada de empresas contratadas pela Conaprole

Conaprole – O conflito lácteo continua cada vez mais grave, denunciam as entidades que representam os produtores de leite. Isso porque a Associação de Trabalhadores e Empregados da Conaprole (AOEC) está impedindo a entrada de empresas particulares em fábricas da cooperativa.

Tal como estava previsto, a Diretoria da Conaprole manteve nesta terça-feira um encontro com as principais entidades do setor lácteo. O mesmo teve como tema principal o conflito que vem se desenrolando na principal indústria do país e que agora ameaça se espalhar para outras empresas do setor, depois de uma determinação tomada na assembleia da Federação dos Trabalhadores da Indústria de Laticínios (FTIL).

O presidente da Associação Nacional de Produtores de Leite (ANPL), Wilson Cabrera, comentou que a Conaprole disse que “continuará firme em sua postura e não atenderá às reivindicações” do sindicato. Sustentou que a Conaprole tampouco prevê negociar a renovação do acordo salarial do setor enquanto o sindicato “mantiver a operação padrão”. Tudo parece indicar que o conflito continuará e poderá até “ser agravado” porque, segundo Cabrera, os sindicatos “já não estão deixando entrar” as empresas particulares nas fábricas.

O secretário da AOEC, Luis Goichea, reconheceu a interdição e argumentou que ela foi adotada com base em uma resolução de uma assembleia em que habilita o bloqueio e ingresso de firmas contratadas cujo trabalho podem ser feitos pelos próprios trabalhadores da cooperativa.

Acrescentou que isso foi estabelecido em um acordo firmado com a Conaprole em 1999, estabelecendo que primeiro a cooperativa comunica o ingresso de uma empresa terceirizada e depois o sindicato decide se habilita ou não a entrada. “Agora resolvemos não habilitar empresas para entrar”, afirmou

“Já não sabem o que fazer (o sindicato) porque estão tomando medidas sem qualquer lógica”, disse o presidente da ANPL.

O sindicato exige melhorias em itens como horário de trabalho e bonificação por antiguidade. Ao não chegar a um acordo com a Diretoria, declarou o conflito e desde o dia 21 de junho faz a operação padrão, sem horas extras.

Isso provoca prejuízos econômicas à Conaprole que precisa redirecionar o leite captado para a elaboração de produtos de menor valor agregado (leite em pó) em detrimentos de outros que trazem maiores retornos.

Goichea disse que a AOEC reivindica “um regime único de descanso” para os 1.800 trabalhadores da cooperativa. Isso porque existem uns 350 operários que trabalham 48 horas semanais durante seis jornadas com um dia de descanso. Enquanto outros 1.500 trabalham uma semana de 48 horas e outra 40 horas, obtendo uma dia a mais de folga semanal que o outro grupo.

O sindicato reivindica equiparação das bonificações por antiguidade. Existe um grupo de 100 trabalhadores que entraram em uma época muito difícil para o setor lácteo (entre 1993 e 1997) que tem a fórmula de calcular essa bonificação diferente. “A partir de 20 anos (antiguidade) é quanto impacta mais no salário e se torna mais relevante porque está mais perto da aposentadoria”, explicou o sindicalista. A AOEC afirma que ambos os benefícios equivalem a 0,4% da massa salarial que hoje é paga pela indústria de laticínios.

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  • Fonte da Notícia: El Observador – Tradução livre: www.terraviva.com.br
  • Data: Quarta, 11 Julho 2018
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