Terça, 10 Julho 2018 17:48

Uma crise do leite com dimensões completamente novas

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Leite/UE – De acordo com a Associação de Laticínios Europeia (EDA), existem 700.000 fazendas de leite em toda a União Europeia (UE), 12.000 indústrias de processamento de leite, e mais de 300.000 pessoas trabalhando no setor. Qualquer interrupção no setor afetará a espinha dorsal industrial e social da Europa rural.

Mais que isso, é a importância dos produtos lácteos para os consumidores. Acessível e de alta qualidade o leite, o queijo, a manteiga e outros produtos lácteos, ricos em proteínas e manteiga naturalmente saudáveis são fundamentais na dieta do Europeu. A interrupção na cadeia de suprimento como resultado do Brexit pode levar a um aumento de preços, limitação de escolhas e deixar a população com menos alternativas para alimentos saudáveis e nutritivos. A indústria de laticínios da Europa está integrada além das fronteiras. Portanto, as limitações de um comércio livre e sem atritos terão efeitos negativos. Barreira tarifária é apenas uma das preocupações; outras questões como o acesso a mão de obra qualificada, minimizar os atrasos alfandegários, divergências regulatórias, tudo isso pode representar falta de harmonia no setor. Para contextualizar: o embargo russo de 2014 às importações de produtos lácteos desencadeou uma crise no setor lácteo Europeu. Mudanças significativas foram necessárias em muito curto prazo para os grandes volumes de leite e produtos lácteos exportáveis. Novos mercados precisaram ser encontrados muito rapidamente. O resultado das mudanças repentinas no preço do leite e cotações do programa de intervenção pela Comissão Europeia estão afetando, negativamente, o mercado lácteo europeu e mundial, até hoje.

Em comparação com a experiência russa, o Brexit tem o potencial para criar uma crise de leite em uma escala maior e completamente nova. O volume de manteiga da UE-27 vendido para o Reino Unido é três vezes superior às exportações de manteiga da UE-28 para a Rússia. O volume de queijo queijo exportado pela UE-27 para o Reino Unido é o dobro do vendido pela UE-28 para a Rússia.

Consequentemente, o Brexit é uma grande preocupação para a indústria de laticínios, diz a EDA. O Comitê Dairy UK e a EDA realizaram um trabalho conjunto “Futuro dos Lácteos Reino Unido-União Europeia” destacando os resultados que o setor lácteo espera obter com as negociações entre o Reino Unido e a UE.

A principal prioridade é que as relações permaneçam o mais próximo possível do que é hoje, e que vá mudando em um longo período de transição após o Brexit.

O Reino Unido deveria, de preferência, continuar fazendo parte, ou ter relações o mais próximo possível, do mercado único da UE e da união aduaneira. Isso pode assegurar a livre circulação de leite e produtos lácteos entre a UE e o Reino Unido, sem tarifas ou cotas de qualquer lado para o leite e derivados, e limitaria, tanto quanto possível, barreiras não tarifárias ao comércio.

A UE e o Reino Unido não devem ter divergências (significativas) em relação a regulamentos, e políticas que afetem os produtos lácteos.

Enquanto debatem as relações futuras entre o Reino Unido e a UE, EDA e Dairy UK encaminham o trabalho aos tomadores de decisão de ambos os lados do Canal, e pedem que levem em consideração as observações, de forma a prejudicarem o mínimo possível a indústria – e também os consumidores.  

Informações adicionais

  • NUMERO SELECTUS: 5446
  • Fonte da Notícia: Dairy Industries – Tradução livre: www.terraviva.com.br
  • Data: Terça, 10 Julho 2018
Lido 149 vezes Última modificação em Quarta, 11 Julho 2018 16:13