Terça, 12 Junho 2018 18:59

Presidente da Lactalis, Emmanuel Besnier e os deputados

Lactalis/França – O presidente da Lactalis, Emmanuel Besnier, e os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia debateram sobre o leite para bebê contaminado.

Os deputados, membros da CPI sobre a contaminação do leite da Lactalis, tiveram a oportunidade de encontrar o discreto presidente da gigante mundial do leite, Emmanuel Besnier. O encontro foi tenso. Os deputados acusaram a empresa de falta de transparência; e insistiram de que não houve fraude, mas um erro. Tudo começou bem: “Quero renovar minhas desculpas às famílias dos bebês que ficaram doentes, e aquelas que ficaram preocupadas” disse Emmanuel Besnier no início da audiência. “Falhamos em nossa missão, e jamais encontraremos palavras para nos desculpar”, disse ele, ratificando sua posição durante todo o processo. “Não se trata, absolutamente de uma fraude. Nós tomamos conhecimento da presença da salmonella em nossos produtos”, disse o PDG. O tom do encontro subiu, logo depois que os deputados ouviram a proposta preliminar do PDG da indústria de laticínios. Todos criticaram o fato de Emmanuel Besnier ler as notas para responder às perguntas. Depois os parlamentares lembraram a tentativa da Lactalis de interromper os trabalhos da comissão no final de abril, justificando que já existia um inquérito judicial em andamento.

O deputado Richard Ramos responde duramente

“Quer o Senhor constranger esta Comissão?”, disse o presidente da CPI, Christian Hutin (direita), acrescentando que dentro desta comissão “ninguém tem interesse em prejudicar o seu grupo. Queremos, ao contrário, restabelecer a confiança dos consumidores. É difícil compreender o Senhor”, acrescentou o deputado MoDem Richard Ramos, repreendendo duramente o presidente da Lactalis por ter se recusado a encontrar com as famílias das vítimas: “Como iniciar uma CPI com alguém que diz belas palavras, mas, na realidade, nem atende as vítimas?” “Nós não podemos encontrá-los porque estamos dentro de um processo judicial” se justificou Emmanuel Besnier. Ele acrescentou que “o grupo Lactalis é diferente da imagem que querem nos atribuir”, explicando que eles assumiram uma posição discreta “porque é uma característica da minha personalidade”, e “muitos querem transformar essa discrição em omissão. É um erro”.

E Emmanuel Besnier reporta ao caso: “Foi um acidente, e não existe uma responsabilidade do pessoal que trabalha na fábrica”. “Havíamos feito um trabalho no primeiro trimestre de 2017, na torre número 1, (todas as instalações e não somente nas zonas em contato com o produto). O trabalho liberou a salmonella que estava no interior das construções”, explicou.

O PDG da Lactalis ressalta o papel de um laboratório de análise

Sempre afirmando que não queria se “eximir de culpa”, mas, Emmanuel Besnier questiona a responsabilidade do laboratório de análise que não detectou os traços de salmonella no produto acabado “principalmente porque os testes realizados depois da crise apresentaram resultados positivos em alguns produtos”.

Pressionado pelos deputados sobre as questões de segurança da fábrica, o PDG da Lactalis assegurou que a empresa “revisou todos os procedimentos sobre segurança sanitária”, em Craon, como em todas as outras fábricas do grupo.

“Tomamos a decisão de fechar definitivamente a torre número 1, que foi onde aconteceu o incidente”, e acrescentou que o grupo irá distribuir suas análises entre pelo menos dois laboratórios, um dos quais será público.

Testes começaram a ser realizados na usina de Craon no final de maio, antes de retomar a produção do verão, uma decisão que irritou a associação das famílias das vítimas.

No final de 2017, 36 bebês foram internados com salmonelose depois de tomarem leite infantil das marcas Picot e Milumel produzido na usina de Craon em Mayenne. As causas da doença de outras duas crianças ainda estão sendo averiguadas.

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  • Fonte da Notícia: Europe1 - Tradução Livre: www.terraviva.com.br
  • Data: Terça, 12 Junho 2018
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