Segunda, 11 Junho 2018 17:30

As indústrias da União Europeia alertam que a volta das cotas lácteas está atrás da porta


Leite/UE –
Recente resolução sobre as mudanças na Política Agrícola Comum (PAC), para depois de 2021, do comitê de agricultura do Parlamento Europeu, destacou a importância do “uso de instrumentos complementares e inovadores de gestão do mercado e de crises”, como o esquema de redução da produção de leite na União Europeia (UE).

Esta última foi ativada pela última vez em 2016. Os eurodeputados enfatizaram a necessidade de que a futura PAC desempenhe um papel de “uma rede de segurança para estabilizar rapidamente os mercados agrícolas e antecipar as crises”. Mas a adoção da resolução (não vinculante) do Parlamento provocou críticas da Associação Europeia de Produtos Lácteos (EDA). No comunicado, a associação disse que “lamenta a posição” que o Parlamento estava tomando sobre as novas políticas para os produtos lácteos e outros setores. A EDA criticou durante muito tempo a ideia de re-introduzir qualquer tipo de controle sobre a produção de leite, inclusive restrições temporárias, depois da abolição das quotas leiteiras da UE, em abril de 2015.

Preocupação pelas propostas da “cadeia de valor”

O secretário geral da EDA, Alexander Anton, também expressou sua preocupação com a cláusula na resolução que busca “garantir uma distribuição justa do valor agregado entre produtores, indústrias e varejo”. “A lei de concorrência da UE, que é uma parte importante do marco legal para o mercado da UE, deve ser protegida”, disse Anton.

“Emendas tais como os mecanismos de intercâmbio de valores e os programas de redução do leite mudam, efetivamente, o contexto das políticas no qual opera o setor lácteo da UE. Ditas mudanças dificultam a adaptação do setor, que enfrenta uma concorrência cada vez maior por parte dos produtores de fora da Europa”.

Pedido para aumentar a área de atuação do Observatório do Mercado Lácteo Europeu

Dentre outras recomendações no documento do Parlamento está um apelo à Comissão para adaptar o trabalho do Observatório do Mercado Lácteo de forma a incluir “um setor autônomo para estudar os preços nas regiões ultra periféricas, com o objetivo de reagir rapidamente diante de uma crise”. Em comentários que reconhecem as dificuldades que a liberação do mercado lácteo criou em regiões como os Açores, a resolução acrescenta: “A definição de crise e a posterior intervenção da Comissão deveria se adaptar às regiões ultra periféricas”.

Esta sugestão também causou apreensão na EDA. O Observatório, disse Anton, “é visto hoje como um órgão importante para o setor lácteo, informando a todos os interessados sobre a situação atual do mercado lácteo. Ampliar seu papel irá contra o objetivo de ser uma entidade informativa e somente traria mais confusão para as partes interessadas”.

O Parlamento é, junto com os Governos dos Estados Membros da UE, responsável por examinar e adotar legalmente os novos planos da reforma da PAC, que entrará em vigor a partir de 2021. Os deputados do Parlamento Europeu, todavia, têm o poder de fazer mudanças na revisão da PAC, que terá o apoio suficiente dos ministros da agricultura da UE.  

Informações adicionais

  • NUMERO SELECTUS: 5425
  • Fonte da Notícia: agrositio - Tradução Livre: www.terraviva.com.br
  • Data: Segunda, 11 Junho 2018
Lido 172 vezes