Ceará fará
leite com proteína humana
Pesquisas envolvem técnicas de clonagem e transgenia e
devem chegar a leite que combate a diarreia infantil
Pesquisadores do Ceará aguardavam aprovação para a importação de sêmen e
produção de bichos transgênicos
SABINE RIGHETTI
Pesquisadores brasileiros acabam de dar dois passos importantes rumo ao
objetivo de produzir um tipo de leite "fortificado" com proteínas
humanas, capaz de combater a diarreia infantil.
A doença é a sexta principal causa de mortes de crianças de 1 a 5 anos no
Brasil. A intenção dos cientistas da Unifor (Universidade de Fortaleza) é usar
cabras transgênicas para obter o leite.
SINAL VERDE
O grupo da Unifor conseguiu sinal verde da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança) para criar linhagens transgênicas de bovinos e caprinos.
Esses animais serão capazes de produzir, nas glândulas mamárias, as proteínas
humanas lisozima e lactoferrina. Elas são encontradas no leite materno humano e
têm propriedades antibióticas e antimicrobianas.
Os cientistas também obtiveram, após um ano de negociação, permissão do
Ministério da Agricultura para importação de sêmen de caprinos transgênicos da
Universidade da Califórnia em Davis, parceira do projeto.
"Importar o sêmen é parte importante da pesquisa", explica a bióloga
Luciana Bertolini, da Unifor. As fêmeas de cabras no Brasil servirão de
"mães de aluguel" para produção de clones dos animais americanos, que
já possuem transgenia para produção da proteína lisozima.
Os pesquisadores querem desenvolver caprinos transgênicos que carreguem o gene
de outra proteína, a lactoferrina humana.
DNA RECOMBINANTE
A produção será feita por meio de DNA recombinante -mesma metodologia de
fabricação de alguns medicamentos. Na indústria farmacêutica, o DNA
recombinante costuma ser inserido em bactérias ou leveduras, que funcionam como
biofábricas. "Já proteínas muito complexas, como a lactoferrina, precisam
ser produzidas em animais", explica Bertolini.
A Unifor pretende construir o primeiro laboratório de animais transgênicos
capazes de produzir as duas proteínas humanas. A ideia é ter um rebanho em dois
anos.
A universidade usará, no laboratório, parte dos R$ 6 milhões liberados pelo
Ministério de Ciência e Tecnologia para as pesquisas, que envolvem outras duas
universidades cearenses: a Uece, estadual, e a UFC, federal.
Fonte: Folha de
SP