Importação
afeta agroindústrias
Segmento mantém os
investimentos na produção de itens de maior valor agregado.
MICHELLE VALVERDE
As indústrias de lácteos, em Minas Gerais, estão investindo na expansão das
linhas de produtos e no aumento da capacidade produtiva das unidades fabris
mesmo diante do recuo registrado nos preços finais do leite. Os aportes se
devem ao aumento da renda da população e à oportunidade de ampliar as vendas no
mercado interno, principalmente para a região Nordeste do país. Porém o ritmo
de investimentos tem sido mais lento do que o aquecimento registrado na
economia brasileira, isso devido ao aumento das importações de leite e soro em
pó provenientes do Uruguai.
De acordo com diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do
Estado de Minas Gerais (Silemg-MG),
Celso Costa Moreira, a cadeia leiteira de Minas Gerais está mantendo os
investimentos na ampliação das atividades com o objetivo de diversificar o
mercado e reduzir os impactos provocados pelas variações negativas registradas
nos preços do leite.
"Mesmo com a recuperação da economia brasileira após a crise financeira
mundial, a recuperação do setor leiteiro está aquém da esperada. Para reduzir
os impactos as indústrias mantiveram os investimentos na produção de itens de
maior valor agregado e na diversificação dos produtos", disse Moreira.
Outro fator que tem freado a retomada das indústrias lácteas é a preferência
dos consumidores em adquirir bens duráveis. "O aumento da renda da população
contribuiu para que os produtos lácteos, antes destinados ao mercado externo,
fossem comercializados no mercado local após a crise global. Porém o impacto
não foi tão expressivo como o registrado nos setores de eletroeletrônicos,
turismo e veículos", avaliou.
Para o diretor-executivo do Silemg, a recuperação
mais ágil do setor depende de ações do governo para reduzir o ingresso de
produtos importados no mercado local. "As compras externas de leite e soro
em pó estão prejudicando a cadeia leiteira do Estado, uma vez que a produção
brasileira desses produtos é suficiente para abastecer a demanda local. Para
ocorrer o equilíbrio da oferta e chegarmos a preços remuneradores é preciso que
ocorra o fortalecimento das indústrias locais, o que será possível com o maior
controle dos produtos importados", disse Moreira
Produção - Em Minas Gerais, que é a maior bacia leiteira do país, a estimativa
é que a produção em 2010 cresça cerca entre 3% e 5% frente os 7,5 bilhões de
litros do leite gerados em 2009. Até julho a recuperação do mercado
internacional era lenta. De acordo com Moreira, os preços baixos pagos pelo
leite em pó e a valorização do real frente ao dólar tornam as exportações
desvantajosas para as indústrias.
A retomada lenta do setor, após a crise financeira e o maior ingresso de
produtos lácteos do Uruguai no mercado local, fez com que a Cooperativa dos
Produtores de Leite de Leopoldina de Responsabilidade Ltda
(LAC), localizada em Leopoldina, na Zona da Mata mineira, adiasse a inauguração
da nova unidade de leite em pó.
O início das operações, antes marcada para junho, foi adiado para dezembro. O
projeto de ampliação da indústria e da construção da torre de secagem do leite
foi iniciado no ano anterior. Cerca de R$ 15 milhões serão aplicados no projeto.
A projeção inicial era encerrar o exercício com incremento de 25% no
faturamento sobre os resultados do ano anterior. Porém, devido à redução dos
preços do leite, em plena entressafra, a expectativa é crescer 15% neste ano.
Desempenho - Segundo o gerente de Operações da LAC, Luiz Eduardo de Araújo, o
aumento das importações de produtos lácteos, principalmente do Uruguai, está
afetando gravemente no desempenho dos laticínios brasileiros, principalmente na
recuperação lenta dos preços do leite em pó. "Devido a esses fatores o
ingresso no mercado do leite em pó está desfavorável", disse Araújo.
O objetivo da expansão da LAC é ampliar o mercado de atuação da empresa e
diminuir a dependência do leite longa vida, hoje principal produto fabricado na
LAC. Uma das principais metas da cooperativa é a comercialização do leite em pó
com o mercado internacional e com a região nordeste do país.
Com a ampliação, a LAC aumentará em 50% a capacidade de processamento de leite
in natura, hoje próxima a 250 mil litros de leite por dia. A produção diária de
leite em pó prevista é de 30 toneladas. O investimento deve gerar cerca de 40
empregos diretos, hoje o quadro de funcionários é composto por 230
trabalhadores.
Outro investimento previsto para este ano é a compra de uma máquina de
tecnologia de ponta para expandir a fabricação de leite longa vida. A produção
atual é de 200 mil litros por dia, o incremento na capacidade também será de
50%. A comercialização de leite longa vida responde por 80% do faturamento
total da empresa. A linha de produtos da cooperativa é composta por 35 itens,
incluindo leite, queijos, iogurtes, requeijão e doces.
"Os investimentos na ampliação da produção e do mix são cruciais para que
os planos de expansão do mercado sejam concretizados. O leite em pó é mais
valorizado do que o in natura, o que também irá contribuir para maior
incremento na receita da cooperativa. Também vamos atuar com maior ênfase no
mercado nordestino. Já começamos as comercializações com Salvador e enxergamos
naquela região uma ótima oportunidade de mercado, principalmente para o leite
em pó. O aumento da renda e do consumo da população é o principal atrativo da
região", enfatizou Araújo.
Cemil - Outra empresa que está investindo na
diversificação dos produtos com objetivo de expandir o mercado de atuação,
principalmente para o nordeste do país, é a Cooperativa Central Mineira de
Laticínios (Cemil). Ao todo serão investidos R$ 85
milhões, entre 2010 e 2012, o objetivo é incrementar a capacidade produtiva e
ingressar no mercado de leite em pó e condensado.
Uma das intervenções é
a obra de expansão da planta de beneficiamento da cooperativa, em Patos de
Minas, no Alto Paranaíba, que está orçada em R$ 45 milhões. Em princípio, a
planta irá produzir leite condensado e a capacidade de captação de leite será
duplicada.
Hoje a coleta está
próxima de 400 mil litros de leite por dia. Nessa fase serão realizados aportes
de R$ 25 milhões. As obras de ampliação foram iniciadas em maio e a inauguração
está prevista para final de novembro.
Posteriormente serão
investidos R$ 20 milhões na adaptação da indústria para a fabricação de leite
em pó. "Para conseguir alavancar o faturamento da cooperativa e gerar
renda para os produtores, precisamos manter os investimentos na diversificação
dos produtos e na ampliação do mercado", disse João Bosco Ferreira.
O aumento da demanda
por produtos lácteos na região nordeste do país também está atraindo a atenção
do presidente da Cemil. A cooperativa pretende construir uma planta para o
processamento de 200 mil litros de leite diários em Caruaru, em Pernambuco. O
projeto está em desenvolvimento e as obras estão previstas para início de 2011.
O investimento estimado é de R$ 40 milhões.
Fonte: Diário do Comércio/MG