Faturamento
da Calu tem crescimento de 5%
Cooperativa vai
investir R$ 15 milhões em nova indústria de lácteos.
MICHELLE
VALVERDE
A Cooperativa Agropecuária Ltda. de Uberlândia (Calu), no Triângulo Mineiro,
apresentou crescimento próximo a 5% nos primeiros sete meses do ano em relação
ao mesmo período de 2009. O incremento no faturamento não foi expressivo devido
à redução dos preços pagos pelo leite em plena entressafra. O valor do litro de
leite pago ao produtor está em torno de R$ 0,75, com queda de 6,16% frente aos
valores pagos em junho. A expectativa é encerrar 2010 com aumento do
faturamento entre 6% e 8% frente a 2009. Mesmo em período de crise no setor
leiteiro, a Calu está recuperando o ritmo de crescimento, após apresentar
estagnação nos resultados de 2009. Nos planos da cooperativa para este ano está
incluído o início da construção de uma nova indústria de lácteos, que demandará
investimentos próximos a R$ 15 milhões. O projeto de estrutura da indústria já
está em fase final.
De acordo com o presidente da Calu, Eduardo Dessimoni, a nova unidade será
construída para substituir a planta atual. A capacidade de captação, de 200
litros de leite por dia, será dobrada. O aporte também será destinado à
modernização do maquinário e dos processos produtivos. O início das obras ainda
não foi definido. "Apesar do preço do leite estar baixo a ponto de não
gerar lucro para os produtores e frear o crescimento da Calu, vamos manter o
investimento na construção da nova planta. O aporte é fundamental para que a cooperativa
consiga reduzir os custos de produção, através de equipamentos modernos, e
agregar valor aos produtos finais. A comercialização de produtos de maior valor
é fundamental para garantir maior rentabilidade aos produtores",
argumentou Dessimoni.
Um dos principais produtos da Calu é a muçarela, que é destinada ao consumo
interno. A produção mensal é de 300 toneladas. A redução da oferta do produto
na região Centro-Oeste do país contribui para a recuperação dos preços. Em
janeiro, o quilo da muçarela era comercializado a R$ 8,90, preço abaixo dos
custos de produção. Entre abril e julho foi registrado pequeno aumento nos
valores, passando para R$ 11 o quilo. O valor ainda é considerado baixo, porém
já é suficiente para cobrir os custos de produção da Calu e dos produtores.
Os principais mercados consumidores da muçarela são Minas Gerais e a região
Nordeste do país. A empresa também produz leite pasteurizado, longa vida e
bebidas lácteas. As expectativas positivas estão baseadas no aumento da demanda
por produtos lácteos no mercado interno, principalmente na região Nordeste do
país. "A maior capitalização dos consumidores das classes mais baixas, D e
E, que passaram a ter acesso a produtos com maior
valor agregado, como muçarela e iogurtes, é um dos principais focos da Calu. O
atendimento a essa demanda e a retomada das exportações serão essenciais para a
manutenção dos resultados positivos registrados na empresa", disse
Dessimoni.
Importação - Para o presidente da Calu, o setor leiteiro em Minas Gerais e no
país poderá enfrentar sérios problemas caso não sejam regulamentadas as
importações de leite e soro em pó do Uruguai. O aumento significativo do
produto uruguaio no mercado brasileiro está contribuindo para a queda do preço
do leite em plena entressafra. A cotação esperada para esta época gira em torno
de R$ 0,90 o litro mas o preço pago ao produtor está
em torno de R$ 0,75. O período de entressafra é considerado o principal para a
geração de lucros e para os investimentos futuros em silagem. "Os criadores
durante a entressafra conseguem uma pequena margem de lucro, que é aplicada nas
unidades produtoras para enfrentar os períodos de baixos preços. Como este ano
estamos trabalhando abaixo dos custos na entressafra não sabemos
como será o cenário da pecuária de leite em 2011. A situação em Minas Gerais
poderá se agravar, ainda mais, com o início da safra em outubro e
novembro", disse Dessimoni.
Fonte: Diário do Comércio/MG