Atacado compra do Mercosul e China

 

Wellington Miyazaki

 

Atacadistas e distribuidores que atuam principalmente no setor de mercearia, que não importavam mercadorias há dois anos, passaram a comprar alimentos e bebidas no exterior, principalmente em países do Mercosul, e pretendem aumentar a importação de brinquedos, eletroeletrônicos e outros produtos de consumo da China. As compras para o final do ano deverão crescer de 20% a 25% em volume, sobre o ano passado. No final de setembro, 40 atacadistas brasileiros, de várias regiões, viajarão ao Chile, para fechar a compra de frutas, vinhos e pescados e conhecer novas tecnologias. A partir de 18 de outubro, uma missão de atacadistas de todo o País visitará a China, de onde planeja aumentar as importações de brinquedos, calçados e bens de consumo em geral, nos quais os preços chineses são mais competitivos. Ao mesmo tempo, os atacadistas também planejam aumentar exportações de pequenas indústrias brasileiras.

 

É o que ocorre, por exemplo, com o Destro Macroatacado, do Paraná, que importará leite em pó da Argentina e negocia a venda do seu café de marca própria para o país vizinho. Segundo dados da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad), 5% dos seus dois mil filiados atuam no comércio exterior e essas empresas devem dobrar as importações e exportações em 2007. Grandes empresas, como o Roldão Atacadista, de São Paulo, têm ampliado suas importações, principalmente da Argentina. O Roldão aumentou de 9,7%, em 2005, para 15%, em 2006, a quantidade de produtos importados no mix. O atacadista importa azeite de oliva, vinhos e azeitona.


O presidente da Destro Macroatacado, João Carlos Destro, liderou uma excursão de executivos da sua empresa a Rafaela, cidade na Província de Santa Fé, na Argentina, com o intuito de aumentar as importações de produtos argentinos, principalmente leite em pó. “Fomos conhecer a fábrica Alfredo Williner e todo o processo de fabricação do leite em pó Ilolay, desde a ordenha, coleta e processamento”, diz Destro.


A indústria do leite Ilolay é a segunda maior produtora de leite da Argentina, com a produção de 1,3 milhões de litros por dia. A empresa foi classificada como a quarta maior produtora de leite em pó da América do Sul, ficando atrás somente da unidade brasileira da Nestlé (que faz o leite Ninho), da brasileira Itambé e da também argentina SanCor, segundo a Pesquisa Nielsen.


“O leite é de altíssima qualidade, muito competitivo e mais barato, mesmo com a Argentina cobrando 10% de sobretarifa para exportar”, diz Destro. A tonelada do leite Ilolay custa US$ 3,2 mil, além do favorecimento do câmbio (3,12 pesos por US$ 1, na semana passada). “Poderemos ainda exportar café solúvel para a Argentina, e fazer trocas de produtos com a Williner: café solúvel por leite e derivados”, conta.


Segundo o diretor comercial do Roldão Atacadista, Roque Medeiros, as importações de produtos Argentinos tendem a crescer cada vez mais devido à qualidade superior de vários alimentos, além do preço ser mais competitivo.


“Nós revendemos para transformadoras e eles exigem o preço mais acessível. No ano passado tínhamos 9,7% de produtos importados, este ano são 15%. Importamos azeitonas da Argentina, peixes chamados chicharros, do Peru, e bacalhau da Noruega. Pretendemos ampliar a importação de produtos Argentinos, como o azeite de oliva, por exemplo, por conta do melhor preço”, afirma Medeiros. Ele diz que importará, para o Natal, frutas secas do Líbano e azeite de oliva de Portugal.


Tendência

Para o consultor de relações internacionais da Abad, Guilherme Tiezzi, há uma forte tendência de crescimento da participação do atacado no comércio exterior nos próximos anos. “Existem indústrias do exterior que buscam desenvolver sua distribuição no Brasil de forma pulverizada e a Abad atua como plataforma de distribuição. Além disso, o atacado é um canal de exportação para a pequena e média indústria brasileira. O Brasil possui 500 mil pequenas e médias indústrias e 1% delas têm potencial exportador, ou seja, 5 mil”, afirma Tiezzi.


O consultor explica que a importação é muito forte em épocas sazonais como o Natal e diz que além da China, deve aumentar a importação de produtos europeus, como alimentos, perfumaria e cosméticos. Para Tiezzi, o atacado distribuidor é integrador e faz com que as pequenas e médias empresas possam exportar mais, pois há uma cobertura maior de mercado.


“A exportação nacional é impulsionada pelo setor de agronegócio. Atualmente começam a entrar outros setores, como eletroeletrônicos e linha “pet”, para animais domésticos. A parte de produtos farmacêuticos, principalmente genéricos, também está exportando bastante”, conta o consultor. Não existe um número preciso de quanto os atacadistas brasileiros importam e exportam. Só de frutas e verduras, são exportados US$ 300 milhões, segundo dados da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).

 

Fonte: DCI